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22 de agosto a 4 de setembro de 2002


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A VERDADEIRA GAROTA SUPERPODEROSA
De ícone pornô europeu às divas de Hollywood: é tudo o que você quer ser

por Carolina Meyer (carolina_meyer@yahoo.fr)

os 43 anos, ela continua com um corpinho impecável e um guarda roupas de dar inveja a qualquer mortal, com modelitos criados por Christian Dior, Guy Laroche, Paco Rabanne, Alexandre Herchcovich e Christian Lacroix. Perverteu as tendências da moda dos últimos anos, reduziu busto, aumentou cintura, participou de inúmeras sessões de bronzeamento, pintou o cabelo centenas de vezes e mora em casas cada vez mais luxuosas. Já vendeu mais carros que a General Motors, está presente em mais de 120 países e possui cerca de 1 bilhão de pares de sapatos, além de ganhar, por ano, mais de cem acessórios diferentes. Estamos falando da Barbie!

Criada em 1959 por Ruth Handler (falecida no último mês de abril, aos 85 anos), a boneca se converteu no brinquedo de maior sucesso da Mattel: se fossem colocadas em pé, umas sobre as outras, todas as Barbies que já foram vendidas até hoje, elas dariam mais de sete voltas ao redor da Terra!

Porém, o que pouca gente sabe é que este ícone da cultura americana, posteriormente disseminada no mundo todo, foi inspirado na boneca Lilli, por sua vez inspirada numa personagem alemã de caricaturas pornôs. Ruth se deparou com Lilli em uma viagem à Europa no início da década de 50, época em que quebrava a cabeça pensando numa maneira de produzir uma boneca de feição mais adulta para sua filha Bárbara (daí Barbie). De volta aos Estados Unidos, Ruth mudou um pouco o visual de Lilli para que se adequasse ao espírito inocente que permeava a sociedade americana do pós-guerra, até porque a boneca alemã não era propriamente um ícone do puritanismo.

Barbie foi concebida como uma espécie de espelho, ou seja, a criança deveria identificar, na boneca, o que queria - e deveria - ser quando crescesse, literalmente. A boneca não era um simples brinquedo, mas um ideal a ser perseguido. Diferentemente de bonecas em forma de bebês, em que a menina aprenderia a ser mãe, com a Barbie, a criança aprende e incorpora os atributos necessários para que, antes de mais nada, arrume um namorado. É o ideal da perfeição, numa boneca perfeita. Desde então, Barbie tem reproduzido fielmente os valores da sociedade na qual está imersa, passando de dona-de-casa e enfermeira, nos anos 60, à executiva, top model, ginasta...nos dias atuais. E o sucesso é tanto que, no Brasil, são vendidas 1,5 milhão de Barbies por ano!

E a Mattel continua se superando. Para a alegria das americanas (e nossa tristeza, já que vivemos num país em que a cotação do dólar bate a casa dos R$ 3), está disponível a versão Hollywood da Barbie. É de babar! Marilyn Monroe, Carmen Miranda, Cher, Audrey Hepburn.. Todas elas custam, em média, US$ 60. Ou quase R$ 200... Um sonho!

O mais impressionante é notar a evolução do Ken - criado em 1961 -, que passou de um boneco sem sal, com cueca e cabelos de plástico colados ao corpo, a James Dean, Elvis Presley e Frank Sinatra! Fantástico!

Vale a pena dar uma conferida, nem que seja só para relembrar os velhos tempos em que nossas Barbies possuíam, no máximo, um conversível: www.barbiecollectibles.com .