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22 de agosto a 4 de setembro de 2002


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TUDO TERMINA ONDE COMEÇOU...
Raul Seixas fala por si mesmo: a biografia do pai do rock nacional em suas frases memoráveis

por Evandro Marques (emarquesb@terra.com.br)

enialidade e marginalidade - no bom sentido da palavra, claro - se misturam quando nos referimos ao eterno mestre e precursor do rock nacional, Raul Seixas. Homem e artista se confundem em uma só pessoa e, assim, se fundem, dando margem a um mito que escandalizou até mesmo os mais "moderninhos" de sua época, fazendo um tal de rock 'n' roll escrachado, coisa de menino.

Nasceu em 28 de junho de 1945. Inspirado por Luiz Gonzaga, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, Raul Seixas abandonou os planos de sua mãe, que queria que o filho fosse presidente da República, para seguir seus impulsos endiabrados e, um dia, trocou sua lambreta por dois pares de violões e um baixo acústico, para dublar artistas americanos numa rádio local.

Quando famoso, foi alvo de severas censuras do governo militar. Sempre muito inconformado com isto, dizia que isso daqui era um país que "não se poderia querer nada sem ordem". Não entendia porque "de todas as culturas vigentes no Brasil, somente a música foi considerada maldita? Absurdo, absurdo!! Só cantar tem sentimento, sentido e razão". Mas ele próprio mandava a resposta: "Seu medo é o meu sucesso".

Lutava por uma tal de Sociedade Alternativa, que acreditava fielmente ser a solução para o seu povo. Aliás, ele sempre cantou apenas aquilo em que acreditava, era verdadeiro até o último fio de cabelo. Declarava que o homem tem direito "de mover-se pela face do planeta livremente, sem passaporte, porque o planeta é dele, o planeta é nosso. O homem tem direito de pensar o que ele quiser, de escrever o que ele quiser".

Ler e escrever eram suas paixões. A música tornou-se sua vida, de onde mulheres entravam e saiam. Casou-se cinco vezes e teve três filhas. O álcool foi sua sentença. Com ele conseguiu uma pancreatite aguda que levou-o a morte no dia 21 de agosto de 1989. Deixou-nos 26 álbuns, sendo cinco póstumos, que contam suas histórias, rebeldias, crenças e lutas. Possui já 31 coletâneas diversas e 27 títulos em livros publicados. Seu legado inclui também uma imensurável projeção de vida e luta: a certeza de que amanhã ainda é possível. "Tente outra vez", diria. A certeza da loucura presente, e de que dela precisamos tanto quanto ela precisa de nós. O medo e as fantasias de discos voadores, banhos de chapéu à esperar Papai Noel. Paranóia, mas com amor e medo. "Se uma flor é uma flor e não tem outro jeito da gente dizer, pra quê mentir?"

Mas a história não termina aqui... "Cada homem e cada mulher é uma estrela".