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TUDO TERMINA ONDE COMEÇOU...
Raul Seixas fala por si mesmo: a biografia
do pai do rock nacional em suas frases memoráveis
por Evandro
Marques (emarquesb@terra.com.br)
 enialidade
e marginalidade - no bom sentido da palavra, claro - se misturam
quando nos referimos ao eterno mestre e precursor do rock nacional,
Raul Seixas. Homem e artista se confundem em uma só pessoa
e, assim, se fundem, dando margem a um mito que escandalizou até
mesmo os mais "moderninhos" de sua época, fazendo
um tal de rock 'n' roll escrachado, coisa de menino.
Nasceu em 28 de junho de 1945. Inspirado por Luiz
Gonzaga, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, Raul Seixas abandonou
os planos de sua mãe, que queria que o filho fosse presidente
da República, para seguir seus impulsos endiabrados e, um
dia, trocou sua lambreta por dois pares de violões e um baixo
acústico, para dublar artistas americanos numa rádio
local.
Quando famoso, foi alvo de severas censuras do governo
militar. Sempre muito inconformado com isto, dizia que isso daqui
era um país que "não se poderia querer nada sem
ordem". Não entendia porque "de todas as culturas
vigentes no Brasil, somente a música foi considerada maldita?
Absurdo, absurdo!! Só cantar tem sentimento, sentido e razão".
Mas ele próprio mandava a resposta: "Seu medo é
o meu sucesso".
Lutava por uma tal de Sociedade Alternativa, que
acreditava fielmente ser a solução para o seu povo.
Aliás, ele sempre cantou apenas aquilo em que acreditava,
era verdadeiro até o último fio de cabelo. Declarava
que o homem tem direito "de mover-se pela face do planeta livremente,
sem passaporte, porque o planeta é dele, o planeta é
nosso. O homem tem direito de pensar o que ele quiser, de escrever
o que ele quiser".
Ler
e escrever eram suas paixões. A música tornou-se sua
vida, de onde mulheres entravam e saiam. Casou-se cinco vezes e
teve três filhas. O álcool foi sua sentença.
Com ele conseguiu uma pancreatite aguda que levou-o a morte no dia
21 de agosto de 1989. Deixou-nos 26 álbuns, sendo cinco póstumos,
que contam suas histórias, rebeldias, crenças e lutas.
Possui já 31 coletâneas diversas e 27 títulos
em livros publicados. Seu legado inclui também uma imensurável
projeção de vida e luta: a certeza de que amanhã
ainda é possível. "Tente outra vez", diria.
A certeza da loucura presente, e de que dela precisamos tanto quanto
ela precisa de nós. O medo e as fantasias de discos voadores,
banhos de chapéu à esperar Papai Noel. Paranóia,
mas com amor e medo. "Se uma flor é uma flor e não
tem outro jeito da gente dizer, pra quê mentir?"
Mas a história não termina aqui...
"Cada homem e cada mulher é uma estrela". 
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