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OS OPOSTOS SE DISTRAEM
Anthony Hopkins e Chris Rock confeccionam
mais uma comediazinha policial com Em Má Companhia
por Marcel
Nadale (marcelnadale@yahoo.com.br)
 m
Má Companhia (Bad
Company, EUA, 2002) é o tipo de filme que faria até
mesmo o mais devoto cinéfilo blasfemar contra Stan Laurel
e Oliver Hardy. Quando estes geniais comediantes imortalizaram O
Gordo e o Magro, nos anos 30, não sabiam que o humor
extraído de personagens opostos geraria, muitas décadas
e reformulações depois, dezenas de filmes policiais
sobre parceiros desencontrados. A essência é praticamente
a mesma: uma figura mais velha, paterna e mal-humorada mantém
uma relação de amor e ódio com outra, jovial,
impulsiva e irreverente. O problema é que as idéias
e as gags do filão também continuam as mesmas.
Este Em Má Companhia estreou no dia 30 de agosto com
pelo menos uns doze anos de Sessão da Tarde nas costas.
Com roteiros sumariamente imbecis, as obras do gênero
só conseguem gerar interesse na proporção das
diferenças entre seus astros protagonistas. Aqui, reúne-se
o impensável: o sisudíssimo sir Anthony Hopkins, que
cada vez mais usa sua respeitada fleuma britânica como desculpar
para não atuar; e o impagável Chris Rock, homorista
negro em ascensão meteórica. Ambos trabalham como
agentes da CIA, com a missão de interceptar uma bomba atômica
no mercado negro do Leste Europeu antes que ela caia em mãos
erradas. Mas o personagem de Rock
morre antes que a transação se complete, forçando
a Agência a substituí-lo temporariamente por seu irmão
gêmeo - um cambista malandro de Nova York, que nem sabia que
tinha um irmão gêmeo, quanto mais que ele trabalhava
como espião. E, lógico, caberá a Hopkins tutelá-lo
para que possa repetir as funções do brother
falecido.
O filme se concentra de tal maneira no contraste
da dupla que todos os outros personagens oscilam entre a total irrelevância
e os estereótipos nauseantes. O vilão traficante de
arma, ex-general da KGB, chega a ser tão redundante que por
pouco não entra em cena dançando polca com uma garrafa
de vodka debaixo do braço. Aliás, provavelmente o
faria, se o diretor Joel Schumacher (de Batman & Robin
e 8 Milímetros) não parecesse tão saudavelmente
ausente. A direção segue emendando clichês,
mas, no caso dele, é melhor do que arriscar suas "fabulosas"
idéias visuais e narrativas.
O
roteirista e produtor Gary Goodman, estreante em ambos os cargos,
flerta com o atual pior pesadelo americano, levando a bomba atômica
do enredo para um sonolento clímax em solo americano (que
dúvida). Houve quem protestasse, mas nem para gerar polêmica
Em Má Companhia serve. Se há um ponto positivo
no filme, ele atende pelo nome de Chris Rock, que habitualmente
é bastante irritante, mas que desta vez acerta várias
piadas e trabalha bem acima do roteiro. Ele, sim, poderia reclamar
da má companhia, porque seu colega Hopkins só diverte
nas impagáveis cenas de ação. O eterno Hannibal
Lecter, além de já ter passado da idade para esse
tipo de coisa, anda com uns pneuzinhos extras - talvez para se parecer
mais fielmente com sua metade de O Gordo e o Magro. 
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