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5 a 18 de setembro de 2002


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OS OPOSTOS SE DISTRAEM
Anthony Hopkins e Chris Rock confeccionam mais uma comediazinha policial com Em Má Companhia

por Marcel Nadale (marcelnadale@yahoo.com.br)

m Má Companhia (Bad Company, EUA, 2002) é o tipo de filme que faria até mesmo o mais devoto cinéfilo blasfemar contra Stan Laurel e Oliver Hardy. Quando estes geniais comediantes imortalizaram O Gordo e o Magro, nos anos 30, não sabiam que o humor extraído de personagens opostos geraria, muitas décadas e reformulações depois, dezenas de filmes policiais sobre parceiros desencontrados. A essência é praticamente a mesma: uma figura mais velha, paterna e mal-humorada mantém uma relação de amor e ódio com outra, jovial, impulsiva e irreverente. O problema é que as idéias e as gags do filão também continuam as mesmas. Este Em Má Companhia estreou no dia 30 de agosto com pelo menos uns doze anos de Sessão da Tarde nas costas.

Com roteiros sumariamente imbecis, as obras do gênero só conseguem gerar interesse na proporção das diferenças entre seus astros protagonistas. Aqui, reúne-se o impensável: o sisudíssimo sir Anthony Hopkins, que cada vez mais usa sua respeitada fleuma britânica como desculpar para não atuar; e o impagável Chris Rock, homorista negro em ascensão meteórica. Ambos trabalham como agentes da CIA, com a missão de interceptar uma bomba atômica no mercado negro do Leste Europeu antes que ela caia em mãos erradas. Mas o personagem de Rock morre antes que a transação se complete, forçando a Agência a substituí-lo temporariamente por seu irmão gêmeo - um cambista malandro de Nova York, que nem sabia que tinha um irmão gêmeo, quanto mais que ele trabalhava como espião. E, lógico, caberá a Hopkins tutelá-lo para que possa repetir as funções do brother falecido.

O filme se concentra de tal maneira no contraste da dupla que todos os outros personagens oscilam entre a total irrelevância e os estereótipos nauseantes. O vilão traficante de arma, ex-general da KGB, chega a ser tão redundante que por pouco não entra em cena dançando polca com uma garrafa de vodka debaixo do braço. Aliás, provavelmente o faria, se o diretor Joel Schumacher (de Batman & Robin e 8 Milímetros) não parecesse tão saudavelmente ausente. A direção segue emendando clichês, mas, no caso dele, é melhor do que arriscar suas "fabulosas" idéias visuais e narrativas.

O roteirista e produtor Gary Goodman, estreante em ambos os cargos, flerta com o atual pior pesadelo americano, levando a bomba atômica do enredo para um sonolento clímax em solo americano (que dúvida). Houve quem protestasse, mas nem para gerar polêmica Em Má Companhia serve. Se há um ponto positivo no filme, ele atende pelo nome de Chris Rock, que habitualmente é bastante irritante, mas que desta vez acerta várias piadas e trabalha bem acima do roteiro. Ele, sim, poderia reclamar da má companhia, porque seu colega Hopkins só diverte nas impagáveis cenas de ação. O eterno Hannibal Lecter, além de já ter passado da idade para esse tipo de coisa, anda com uns pneuzinhos extras - talvez para se parecer mais fielmente com sua metade de O Gordo e o Magro.