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QUE LINDO É O MEU UMBIGO
Obras da literatura-diário
como Máquina de Pinball, de Clarah Averbuck, não
passam de modismo passageiro
por Steffania
Paola (ste_paola@hotmail.com)
 nde
estarão os novos Machados de Assis, Fernandos Pessoa ou Cecílias
Meireles? A nova "literatura" está longe disso,
ou estaria além?
Com a nova onda dos reality shows, as novas
produções literárias se assemelham muito aos
reality shows, e são um sucesso. Falar da própria
vida, admitir-se puta, contar como foi a noite com o cara do boteco
da esquina, narrar noites de bebedeira a fio e xingar, eis a receita
para o sucesso. Em uma época em que a angústia da
vida moderna é o que determina as relações,
e seriedade é sinônimo de estresse, nada mais plausível
que recorrer às futilidades do cotidiano para ganhar fãs
e dinheiro.
A velocidade com que recebemos as informações
e o caos da contemporaneidade talvez explique o boom da literatura-diário.
Outros nomes dentro da literatura-diário merecem destaque:
Marcelo Mirisola (O Azul do Filho Morto), Fernanda Young
(O Efeito Urano), André Takeda (Clube dos Corações
Solitários) etc. Mas um dos maiores ícones da
literatura-teen é Clarah Averbuck, cujo blog, Brazileira
Preta!, tem cerca de 1300 visitas diárias. Em seu
primeiro livro, Máquina de Pinball, a autora esmiuça
seu dia-a-dia, como na internet. Inspirada em autores da geração
beat como Fante, Bukowski e Leminski, a autora apelidou sua
escrita de "bitchnik".
A literatura-diário assemelha-se ao universo
blogueiro, à linguagem cibernética, e transfere-se
para os livros no tipo da linguagem, no padrão de diário.
O livro começa com uma mudança de Porto Alegre para
São Paulo, deixando para trás as mordomias de uma
vida cheia de gatos e um quase marido. Daqui a história transfere-se
para Londres, depois para o Rio e novamente para São Paulo.
O livro trata exclusivamente do universo em que a autora se insere,
o que torna sua escrita um tanto "umbuiguista". Ela é
a personagem, e tenta durante todo o livro transformar sua vida
em uma ficção, mesmo alegando que apenas 20% do livro
é ficcional.
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| A autora, Clarah Averbuck |
Há de levar-se em consideração
o bom humor da autora no decorrer do livro. Clarah constroí
frases engraçadas e irreverentes :"Sim, sou mulherzinha.
Uso maquiagem, salto agulha, piercing no umbigo e esmalte com glitter.
E sou feliz assim. Mulherzinha. Mas com bolas", ou "(...)
homens são mesmo clichês ambulantes. Depois de gozar,
ele acendeu um cigarro e soltou a fumaça com um 'ahh' de
prazer. Meu deus, eles fumam depois de gozar. Tem coisa mais Óliudiana?".
E há de desconsiderar sua produção
como sendo literária. Livros como Máquina de Pinball
são bons como entretenimento, assim como TV e internet, mas
como literatura deixam a desejar. A literatura-diário é
ainda muito imatura, principalmente por não se preocupar
tanto com um tratamento mais apurado no uso das palavras. Vale lembrar
que autores como Fernando Pessoa também viveram em épocas
difíceis, de mudanças profundas como a nossa, e vejam
a bela obra que Pessoa deixou. Ele certamente retratou o cotidiano,
mas de uma forma literária, de fato. Os blogs viraram modismo,
os reality shows também, e como bem sabemos, modismo
é fogo de palha. Literatura que é literatura fica,
e os modismos, do mesmo modo repentino que aparecem, desaparecem.

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