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METÁFORA DO NOVO MUNDO
Exposição de Albert
Eckhout mostra visão européia do Brasil seiscentista
por Ana Lira
(analira@rabisco.com.br)
 berto
ao público na segunda quinzena de setembro, no Instituto
Ricardo Brennand, em Recife, o Projeto Albert Eckhout Volta ao
Brasil - 1644-2002 traz, em 24 telas e três peças
de tapeçaria, a ótica européia do Brasil seiscentista
representadas pelo artista holandês. Esta é a primeira
grande exposição de Eckhout no Brasil, desde que a
comitiva de Nassau deixou a capital pernambucana há 358 anos.
A mostra inicia-se com três, dos oito tapetes,
da série Anciennes Indes, produzidas pelas Oficinas Gobelins
utilizando cartões de Eckhout, em 1687. As peças mostram
o Novo Mundo como um "Paraíso Terrestre", que apresentava-se paralelamente selvagem e bárbaro, encantando enormemente
os europeus no século XVII. Na mesma sala, em versão
multimídia, encontram-se diversos itens que visam contextualizar
a ocupação holandesa, servindo como portal de acesso
às telas que registram as riquezas botânicas e humanas
do Brasil Colonial.
Natureza
Morta é o título da primeira coleção
de 12 obras, que reproduz a beleza das frutas tropicais minuciosamente
organizadas em cestas. O estilo acabou sendo propagado pela Europa,
trazendo esta idéia de natureza sem vida, ou seja, algo fora
de seu estado natural. A segunda parte da exibição
traz as 12 retratações dos tipos humanos, impressionando
pela explosão sensorial promovida no observador: as cores,
o traço firme, as expressões faciais, o contraste
entre realidade e o olhar estrangeiro e a riqueza de detalhes, que
transformam as gravuras em verdadeiras composições
do momento histórico vivido pela colônia. Os quadros
são a concretização dos esboços que
o pintor fez em suas andanças, mas expõem um desejo
intrínseco de dominação delineados em pequenos
elementos. A transfiguração da mulher Tupi é
um bom exemplo: esta carrega consigo uma criança mestiça,
trabalha no canavial, utiliza vestes e tem o olhar resignado, manifestando
o processo de aculturação que acometeu os indígenas
após a chegada dos europeus ao Brasil.
A perspectiva de Eckhout influenciou firmemente o
estereótipo de uma nação bela, porém
rústica, onde os habitantes vivem em florestas, dormem em
redes, dançam em seus rituais, alimentam-se de raízes
e utilizam poucas vestimentas. Embora já tenham se passado
mais de três séculos desde a partida dos holandeses,
esta imagem ainda permeia o ideário estrangeiro a respeito
da população brasileira.
UM
MISTÉRIO CHAMADO ECKHOUT
Biografia do artista holandês ainda é permeada de incertezas
Nascido na cidade de Groningen, norte dos países
baixos, por volta de 1610, Albert Eckhout foi apresentado à
pintura por seu tio Gheert Roeleffs e aperfeiçoou seu talento
até tornar-se um excelente desenhista, retratista e pintor.
Aos 26 anos embarcou para o Brasil como membro da comitiva de Maurício
de Nassau, instalando-se na cidade de Recife, onde viveu por oito
anos. Neste período ele produziu um conjunto importante de
oito obras, representando a diversidade étnica e cultural
do Brasil Holandês, que mais tarde foram presenteadas ao rei
da Dinamarca, Frederik II, por Nassau, e que hoje fazem parte do
acervo do Museu Nacional da Dinamarca.
Não se sabe ao certo a dimensão do
trabalho produzido durante sua estadia na América do Sul,
porém, este foi suficiente para assegurar-lhe a posição
de artista respeitado devido a sua contribuição na
criação de uma nova temática visual, através
da representação da realidade brasileira, influenciando
a história da arte mundial.Ao deixar o Brasil, em 1644, com
a expulsão dos holandeses, ele retorna a sua cidade natal
e ingressa na corporação de ofício dos pintores.
Em 1653 foi indicado por Nassau para trabalhar como pintor da corte
de João Jorge II, em Dresden na Alemanha.
O artista retornou a Groningen um ano antes de seu
falecimento, que segundo informações históricas,
deu-se em 1664. Em 1687 os cartões produzidos pelo holandês
foram transformados em tapeçaria, pelas Oficinas Gibelins,
em Paris e posteriormente dadas a Luis XIV, rei da França.
A incerteza sobre a vida de Eckhout e a inexistência de registros
artísticos anteriores a sua estada no Brasil, geraram discussão
a respeito da autoria dos quadros atribuídos a ele. Porém,
este fato não influenciou negativamente a circulação
de suas obras pelo mundo, em homenagens póstumas, que deve
encerrar-se após esta mostra no Brasil. 
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