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PERNAMBUCO NÃO PÁRA!
Contrariando as expectativas do mercado
fonográfico, a cena pernambucana continua produzindo boa música
por Luiz
Pattoli (luiz@rabisco.com.br)
ecife
está em constante movimento. Para quem acha que o manguebit
morreu, os "caranguejos com cérebro" da manguecéia
continuam espumando boa música.
E já que o mercado fonográfico não abre portas
para esses artistas, o caminho é a independência. Só
no último mês foram lançados quatro bons discos,
quase sem alarde por parte dos grandes veículos. A música
de Cinval, Siba, Renata Rosa e Cascabulho, num primeiro momento,
pode parecer estranha para os ouvidos mais acostumados com o que
as rádios e a MTV costumar tocar. Mas a partir da segunda
vez que se ouve esse som, ele torna-se mais "digerível".
Assim como o mangue, o lema dos quatro é a
diversidade. É verdade que nem todos os artistas estão
ligados diretamente ao movimento, mas sem dúvida o caminho
foi aberto por Chico Science, Fred 04 e seus asseclas. Vale checar
esse caminho.
VIGIANDO
A TANAJURA - CARANGUEJO RECORDS
Este é o quinto disco (4 inéditos e uma coletânea)
de Cinval Coco Grude, ou apenas Cinval. Figura conhecida entre os
mangueboys, ele começou sua carreira com o Querosene Jacaré,
banda seminal do manguebit. O QJ surgiu depois de Cinval ter visto
algumas apresentações de Chico Science & Nação
Zumbi. Porém, mesmo com o grupo, Cinval fez seu projeto solo:
o Cinval Coco Grude. Gravando num estúdio caseiro, seus álbuns
demonstram uma clara evolução musical e de produção.
Vigiando a Tanajura é sem dúvida o seu álbum
mais bem produzido. Com participação do flautista
Ciano Alves, do Quinteto Violado, e de outros músicos convidados,
o CD é realmente uma salada sonora: mistura coco (ritmo afro
típico do nordeste brasileiro) com psicodelia, ciranda com
música eletrônica, gravações de conversas
de ambulantes, efeitos sonoros feitos com a boca e outras viagens.
"Formigamento Jazziano (cabulosa FM) Este som vai para US3",
um drum´n´bass regional com ganzá, flauta e bases
eletrônicas, mostra bem o que uma mente criativa pode fazer,
mesmo enfrentando diversas dificuldade$. Para lançar seus
discos, Cinval criou a Caranguejo Records, que conta com a distribuição
das lojas de seus amigos. Contato: (81) 3231.7782
CACO
DE VIDRO PURO - VS MUSIC
O que dizer de um disco que tem, entre outras, participações
de Fred 04, Tom Zé, Marcos Suzano e Naná Vasconcelos?
Alguém pode dizer que a banda é fraca e por isso precisa
de artistas famosos para fazer um bom disco. Com certeza esse não
é o caso do Cascabulho. Este segundo disco da banda (o primeiro
foi o ótimo Fome Dá Dor de Cabeça, de
1998) traz diversas mudanças. A primeira é a ausência
de Silvério Pessoa, que saiu em 2000 para fazer carreira
solo. Além disso, agregaram-se à banda Emanuel Santana,
Guga Santos e Alexandre Ferreira. Quanto às músicas,
este CD mostra o quanto os dirigentes de gravadoras e rádios
não entendem de música. O álbum é pedrada
atrás de pedrada, uma música melhor que a outra. Trabalhando
basicamente com elementos sonoros tradicionais como o samba e o
xote, o resultado é um disco rebuscado sem ser "cabeça".
"Samba da Atitude", com Tom Zé e 04, "Batecum"
e "Feira de Santana" são músicas pra tocar
em todas as festas e rádios do Brasil real. Contato: vsmusic@bol.com.br
FULORESTA
DO SAMBA - TERREIRO DISCOS
Siba demonstra ser um sujeito pacato. Mas neste disco solo ele se
mostrou um cabra arretado, que foi atrás da sua fonte musical.
Rabequeiro da banda Mestre Ambrósio, Siba foi morar em Nazaré
da Mata, interior pernambucano, para conviver de perto com os artistas
populares. O resultado foi a Fuloresta do Samba, nome do disco e
da banda que se formou para fazer as apresentações.
A exploração dessa rica floresta encontrou dois ritmos:
a ciranda e o maracatu-rural. O maracatu-rural ou baque solto é
um folguedo carnavalesco que quase não tem registro sonoro
gravado. Siba soube muito bem trabalhar com este ritmo que depende
muito da apresentação visual dos caboclos-de-lança.
Já pra quem nunca dançou ciranda é uma ótima
oportunidade de juntar os amigos, dar as mãos e formar uma
roda e cirandar a noite toda. Contato: fuloresta@uol.com.br
ZUNIDO
DA MATA - TERREIRO DISCOS
Este disco pode ser considerado continuação natural
do disco da Comadre Florzinha, banda feminina pernambucana. Mas
desta vez é apenas Renata Rosa que participa. Isso não
quer dizer que ela está sozinha, mas é um álbum
solo. O CD é cheio de coco (ritmo afro-brasileiro), forró,
ciranda. Com uma voz maravilhosa, Renata segue a trilha deixada
pelas comadres e mostra que tem talento suficiente para mostrar
que o Brasil não é "monocultural". Contato:
terreirodiscos@uol.com.br

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