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S1M0NE É QUE ERA MULHER DE
MENTIRA
A criatura do Frankenstein
do terceiro milênio é feita de 1s e 0s e de monstro
não tem nada
por Celso
Antonio de Almeida (celso@imneverwrong.com)
 raticamente
todo mundo adora celebridades. Em tempos de Internet e reality
shows, então, elas são criadas aos montes e distribuídas
via monitores - de TV ou computador - no atacado. E são esquecidas
tão rápido quanto surgem. Afinal, todos querem os
já proverbiais 15 minutos de fama, e o dia tem 24 horas.
Foi pensando nisso que o diretor Andrew Niccol (que
também roteirizou o espetacular O Show de Truman)
fez S1m0ne, que estréia este mês no Brasil.
Al Pacino é um produtor de cinema de Hollywood que tem a
boa - porém, admitamos, não lá muito original
- idéia de criar sua própria estrela de cinema. Mas
não criar no sentido figurado, de transformar um artista
insosso em celebridade, e sim criar no principal sentido da palavra,
ou seja, do nada. O slogan do filme, inclusive, é um trocadilho
com a famosa frase "nasce uma estrela": a star is...
created ("é criada uma estrela").
A bem da verdade, S1m0ne, que é como Viktor
Taransky, o personagem de Pacino, decide chamar sua criação,
não foi criada exatamente do nada. Ela é um amálgama
das características de estrelas bem conhecidas por nós.
Ela tem traços de Cameron Diaz, Jennifer Lopez, entre outras
beldades cinematográficas. Seu nome é um acrônimo
para SIMulation ONE, ou "Simulação Um".
No lugar das letras I e O temos 1 e 0, que são, sabidamente,
a única linguagem que os computadores entendem.
Isso
se deve ao fato de que S1m0ne foi criada como os dinossauros de
Jurassic Park, ou seja, a partir de muitos e muitos bytes.
O resultado dessa "colcha de retalhos" das belas da tela,
dessa criação que de Frankenstein tem apenas o modo
como foi levada a cabo, é uma mulher perfeita. Só
que a tecnologia para criar realmente S1m0ne não existe,
pelo menos não ainda. Foi escalada para a difícil
missão de mulher perfeita, portanto, a modelo canadense Rachel
Roberts (ei, será que ela tomou emprestado o sobrenome de
Julia?!).
Rachel, ou S1m0ne, passa grande parte do filme com
uma expressão blasé, como convém a uma
garota que não existe, e quem "move os fios" é
Taransky. Só que nem mesmo o inteligente Niccol fugiu do
clichê "a máquina domina o homem", e S1m0ne
passa a agir por conta própria e, como toda mulher que se
preze, assume as rédeas da situação.
Taransky passa então a tentar destruir - ou
deletar - sua criação, mas já é tarde
demais. Uma cena memorável do filme é aquela em que
ele diz "mas fui eu quem a criou!" e ouve como resposta
"não, Viktor, ela criou você".
GAROTAS VIRTUAIS
S1m0ne
não é de forma alguma a primogênita da linhagem
das mulheres de mentira que atiçam de verdade a libido de
uma imensidão de homens - e de algumas mulheres também
- ao redor do mundo. Uma das primeiras foi lady Lara Croft,
do já clássico videogame Tomb Raider e que
virou mulher de (muita) carne e osso na pele da bad girl
Angelina Jolie na telona. Temos também a Dra. Aki Ross, de
Final Fantasy, esta sim totalmente virtual e que tem fotos
dela nua espalhadas por vários sites de fãs pela Internet
afora. Isso sem falar na nacional Se7e Zoom, que não é
atriz, mas segundo sua própria biografia "semideusa
e fotógrafa" (??). A belíssima morena de olhos
claros Se7e foi criada para ser garota-propaganda de uma conhecida
marca de dentifrício e, além da beleza estonteante,
tem uma inteligência artificial tão aguçada
que permite aos visitantes de seu site, em sua maioria do sexo masculino,
claro, entabular horas de conversação com a atirada
garota. Muitos nem se dão conta de que ela não é
real, pelo menos não no sentido que estamos habituados a
dar a esta palavra. 
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