| A MÚSICA BRASILEIRA CONTINUA
FIRME
Os ritmos parecem não ter afinidade,
mas estes quatro discos tem algo em comum: a diversidade
por Luiz
Pattoli (luiz@rabisco.com.br)
uatro
discos. Quatros artistas que de alguma forma estão fora do
mainstream brasileiro. Mas, isso só parece dar forças
para acreditarem que a música é um meio de sobrevivência.
Ainda mais quando é de boa qualidade.
Mário
Manga - Beleza Interior
Primeiro disco solo do incansável Mário Manga. Incasável,
porque desde 1976 ele atua como músico-instrumentista, compositor,
arranjador e produtor. Tocou no cult Premeditando o Breque e no
trio Música Ligeira. Produziu, entre muitos outros, Chico
César, Rita Ribeiro e Ivan Lins. Apesar de tocar cello, bandolim
e cavaquinho, seu instrumento é a guitarra. E neste seu primeiro
disco ele usa e abusa do instrumento, passeando pela MPB, pelo rock
e pelo blues. Manga destila o melhor de si num disco que com certeza
(infelizmente) não tocará nas rádios.
Instituto
- Coleção Nacional
Pelo nome do disco imagina-se que se trata de mais uma coletânea
de música brasileira. E é! Só que uma coletânea
de músicas inéditas organizada pelo grupo Instituto.
Por trás desse nome estão três produtores e
músicos: Rica Amabis, Tejo e Ganja Man. E para gravar o disco
eles chamaram Sujeito a Guincho, Dona Cila do Coco, Sabotage, Los
Sebozoz Postizos (projeto da Nação Zumbi), BNegão,
Z´África Brasil, Flu, Zé Gonzales, Rappin´Hood,
Otto, Fred 04, Bonsucesso Samba Clube e outros. As faixas passeiam
pelo samba, dub, rap, coco, rock, drum’n’bass. Como
se vê a idéia foi juntar diversas influências,
e o resultado foi muito bom.
Stereo
Maracanã - Combatente
De longe um dos melhores discos de 2002. O Stereo Maracanã
é um núcleo de idéias, ações
sociais e música. O grupo já foi comparado com o Asian
Dub Foundation. Mas o SM é uma versão tropical do
ADF. Na arquibancada de ritmos eles flertam com o funk, samba, rock,
disco e rap. Com um vocal suingadíssimo de Pedro D-Lita a
banda não perde o andamento em nenhuma das combinações
de ritmos. Soando bastante cariocas diversos momentos, o CD dá
um certo orgulho de ser brasileiro, de ver o quanto nossa música
é rica e que a tão falada mistura de ritmos que se
dá aqui é ótima. Disco indispensável
em qualquer prateleira.
Sepultura
- Under a Pale Gray Sky
Apesar de ser a banda brasileira mais bem sucedida no exterior,
no seu próprio país o Sepultura ainda sofre com o
preconceito. Se as rádios se abrem para Limp Biskit, Korn,
e outras aberrações do nü metal, por que o Sepultura
quase não aparece? Essa coletânea lançada pela
ex-gravadora do grupo atende aos fãs que não gostaram
do novo vocalista, Derrick Greene, e serve também para um
primeiro contato com a banda. Nos dois discos, estão as melhores
músicas de Beneath the Remains a Roots, gravadas
no último show com Max Cavalera. 
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