equipe discussao anteriores
17 a 30 de outubro de 2002


Picosearch

A MÚSICA BRASILEIRA CONTINUA FIRME
Os ritmos parecem não ter afinidade, mas estes quatro discos tem algo em comum: a diversidade

por Luiz Pattoli (luiz@rabisco.com.br)

uatro discos. Quatros artistas que de alguma forma estão fora do mainstream brasileiro. Mas, isso só parece dar forças para acreditarem que a música é um meio de sobrevivência. Ainda mais quando é de boa qualidade.

Mário Manga - Beleza Interior
Primeiro disco solo do incansável Mário Manga. Incasável, porque desde 1976 ele atua como músico-instrumentista, compositor, arranjador e produtor. Tocou no cult Premeditando o Breque e no trio Música Ligeira. Produziu, entre muitos outros, Chico César, Rita Ribeiro e Ivan Lins. Apesar de tocar cello, bandolim e cavaquinho, seu instrumento é a guitarra. E neste seu primeiro disco ele usa e abusa do instrumento, passeando pela MPB, pelo rock e pelo blues. Manga destila o melhor de si num disco que com certeza (infelizmente) não tocará nas rádios.

Instituto - Coleção Nacional
Pelo nome do disco imagina-se que se trata de mais uma coletânea de música brasileira. E é! Só que uma coletânea de músicas inéditas organizada pelo grupo Instituto. Por trás desse nome estão três produtores e músicos: Rica Amabis, Tejo e Ganja Man. E para gravar o disco eles chamaram Sujeito a Guincho, Dona Cila do Coco, Sabotage, Los Sebozoz Postizos (projeto da Nação Zumbi), BNegão, Z´África Brasil, Flu, Zé Gonzales, Rappin´Hood, Otto, Fred 04, Bonsucesso Samba Clube e outros. As faixas passeiam pelo samba, dub, rap, coco, rock, drum’n’bass. Como se vê a idéia foi juntar diversas influências, e o resultado foi muito bom.

Stereo Maracanã - Combatente
De longe um dos melhores discos de 2002. O Stereo Maracanã é um núcleo de idéias, ações sociais e música. O grupo já foi comparado com o Asian Dub Foundation. Mas o SM é uma versão tropical do ADF. Na arquibancada de ritmos eles flertam com o funk, samba, rock, disco e rap. Com um vocal suingadíssimo de Pedro D-Lita a banda não perde o andamento em nenhuma das combinações de ritmos. Soando bastante cariocas diversos momentos, o CD dá um certo orgulho de ser brasileiro, de ver o quanto nossa música é rica e que a tão falada mistura de ritmos que se dá aqui é ótima. Disco indispensável em qualquer prateleira.

Sepultura - Under a Pale Gray Sky
Apesar de ser a banda brasileira mais bem sucedida no exterior, no seu próprio país o Sepultura ainda sofre com o preconceito. Se as rádios se abrem para Limp Biskit, Korn, e outras aberrações do nü metal, por que o Sepultura quase não aparece? Essa coletânea lançada pela ex-gravadora do grupo atende aos fãs que não gostaram do novo vocalista, Derrick Greene, e serve também para um primeiro contato com a banda. Nos dois discos, estão as melhores músicas de Beneath the Remains a Roots, gravadas no último show com Max Cavalera.