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17 a 30 de outubro de 2002


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LENDAS SPÂMICAS
Já se foi o tempo em que a boataria só se propagava pelo boca a boca...

por Carolina Meyer (carol@rabisco.com.br)

ntre no banheiro e apague a luz. Em seguida, gire três vezes. Acione a descarga outras três e fixe seus olhos no espelho. Bata palmas mais três vezes. Pronto, em alguns segundos, você estará cara a cara com a diva das lendas da nossa infância: a Loira do Banheiro (também conhecida, em algumas regiões do Nordeste, como Maria Algodão). Segundo consta, a tal loira teria sido morta e esquartejada no banheiro de algum colégio e o assassino, após ter jogado seus restos na privada, teria limpado o sangue com algodão.

É claro que a lenda apresenta variações de escola para escola, mas o fato é que ninguém sai ileso: de geração em geração, a história se propaga. Sua origem é desconhecida, mas é certo que todo colégio que se preze tem (e provavelmente terá por muitos anos) sua Loira do Banheiro. Isso para não falar em outras histórias famosas...

Quem é que nunca ficou com medo de passear em shoppings por causa dos (supostos) casos de raptos de crianças para o roubo de rins? E o boato das balas Van Melle, que trariam cocaína em seu interior (e a fila de colegas tentando comprar a tal bala na cantina)? O mais intrigante é que jamais foi registrado um só boletim policial sobre o assunto. Isso mesmo: ninguém, até hoje, procurou a polícia por ter acordado em uma banheira repleta de gelo e um corte de cerca de 15 centímetros na lateral do corpo! Muito menos deu entrada em algum hospital por overdose de balas Van Melle. Eu deveria ter desconfiado disso quando ouvi a lorota pela primeira vez...

E eu poderia detalhar aqui uma porção dessas lendas macabras: a faca (ou vela vermelha) no interior do boneco do Fofão, a boneca Xuxinha demoníaca (que assassinava crianças), o fantasma no filme Três Solteirões e um Bebê, o Triângulo das Bermudas, a música da Xuxa que, cantada ao contrário, louvava Satã... Tudo história! Tudo contado para a gente no boca a boca. Ninguém nunca soube provar sua veracidade.

Só que os tempos são outros... A molecada hoje difunde essas histórias assustadoras via e-mail. Agora, é possível conhecer aquela história do namorado assassinado pela Internet! Se você passou a infância em outro planeta e não se lembra dessa, me escreva que eu te mando!

Interessante é notar como se "profissionalizou" a propagação de lendas nos tempos de Internet. Existem, atualmente, sites que comprovam a veracidade do boato! Isso para não dizer que a difusão desse tipo de história tomou proporções tais que a lenda, para ser "spamizada" não precisa nem ser macabra. Trata-se de uma nova safra de boataria, que começou por e-mail e é, basicamente, restrita à Internet, pois sua veracidade se comprova pela rede.

Quer exemplos?

Quem ainda não recebeu a "denúncia" de que gatinhos indefesos estavam sendo criados dentro de garrafas, os chamados Gatos-Bonsai? Duvida? Eles têm até um site!!! E os pobres ursinhos na China, que têm sua bile retirada diariamente por uma cânula ligada diretamente ao fígado? Nem é preciso dizer que eles crescem enjaulados, num estilo embrionário do gato-bonsai... Tá lá! É verdade...

Outra que vai se somar ao arsenal de lendas urbanas das gerações seguintes é a história de roubo da Amazônia. De acordo com a mensagem (ou spam?), os livros didáticos de escolas do ensino médio nos Estados Unidos trariam um mapa adulterado da Amazônia, em que ela já não é parte do Brasil e seus vizinhos. A home page traz um fac-símile de uma página do suposto livro. No lugar da Amazônia, uma zona denominada “antiga reserva internacional da floresta amazônica”.

Para finalizar, gostaria de deixar com vocês a lenda urbana virtual mais assustadora que recebi nos últimos dias. É a Menina do Corredor... Na Indonésia, depois dos massacres que envolveram a luta de independência do Timor Leste, um fotógrafo esteve visitando os escombros de um dos locais onde ocorreram as batalhas mais sangrentas. Ao revelar as fotos de um imenso corredor vazio, notou que, no negativo de uma delas, aparecia a imagem de uma menina (veja a foto). Ninguém sabe como ela apareceu lá.

Consta que o fotógrafo ficou louco tentando estudar o negativo. Ainda, sabe-se que o jornal Folha de S.Paulo tentou publicar a foto, mas só o que apareceu foi um inexplicável borrão. E mais, muitas das pessoas que ficaram muito tempo encarando a foto morreram...
E então? Você vai passar essa adiante?