| LENDAS SPÂMICAS
Já se foi o tempo em que a
boataria só se propagava pelo boca a boca...
por Carolina
Meyer (carol@rabisco.com.br)
 ntre
no banheiro e apague a luz. Em seguida, gire três vezes. Acione
a descarga outras três e fixe seus olhos no espelho. Bata
palmas mais três vezes. Pronto, em alguns segundos, você
estará cara a cara com a diva das lendas da nossa infância:
a Loira do Banheiro (também conhecida, em algumas regiões
do Nordeste, como Maria Algodão). Segundo consta, a tal loira
teria sido morta e esquartejada no banheiro de algum colégio
e o assassino, após ter jogado seus restos na privada, teria
limpado o sangue com algodão.
É claro que a lenda apresenta variações
de escola para escola, mas o fato é que ninguém sai
ileso: de geração em geração, a história
se propaga. Sua origem é desconhecida, mas é certo
que todo colégio que se preze tem (e provavelmente terá
por muitos anos) sua Loira do Banheiro. Isso para não falar
em outras histórias famosas...
Quem
é que nunca ficou com medo de passear em shoppings por causa
dos (supostos) casos de raptos de crianças para o roubo de
rins? E o boato das balas Van Melle, que trariam cocaína
em seu interior (e a fila de colegas tentando comprar a tal bala
na cantina)? O mais intrigante é que jamais foi registrado
um só boletim policial sobre o assunto. Isso mesmo: ninguém,
até hoje, procurou a polícia por ter acordado em uma
banheira repleta de gelo e um corte de cerca de 15 centímetros
na lateral do corpo! Muito menos deu entrada em algum hospital por
overdose de balas Van Melle. Eu deveria ter desconfiado disso quando
ouvi a lorota pela primeira vez...
E eu poderia detalhar aqui uma porção
dessas lendas macabras: a faca (ou vela vermelha) no interior do
boneco do Fofão, a boneca Xuxinha demoníaca (que assassinava
crianças), o fantasma no filme Três Solteirões
e um Bebê, o Triângulo das Bermudas, a música
da Xuxa que, cantada ao contrário, louvava Satã...
Tudo história! Tudo contado para a gente no boca a boca.
Ninguém nunca soube provar sua veracidade.
Só
que os tempos são outros... A molecada hoje difunde essas
histórias assustadoras via e-mail. Agora, é possível
conhecer aquela história do namorado assassinado pela Internet!
Se você passou a infância em outro planeta e não
se lembra dessa, me escreva que eu te mando!
Interessante é notar como se "profissionalizou"
a propagação de lendas nos tempos de Internet. Existem,
atualmente, sites que comprovam a veracidade do boato! Isso para
não dizer que a difusão desse tipo de história
tomou proporções tais que a lenda, para ser "spamizada"
não precisa nem ser macabra. Trata-se de uma nova safra de
boataria, que começou por e-mail e é, basicamente,
restrita à Internet, pois sua veracidade se comprova pela
rede.
Quer exemplos?
Quem ainda não recebeu a "denúncia"
de que gatinhos indefesos estavam sendo criados dentro de garrafas,
os chamados Gatos-Bonsai? Duvida? Eles têm até um site!!!
E os pobres ursinhos
na China, que têm sua bile retirada diariamente por uma cânula
ligada diretamente ao fígado? Nem é preciso dizer
que eles crescem enjaulados, num estilo embrionário do gato-bonsai...
Tá lá! É verdade...
Outra
que vai se somar ao arsenal de lendas urbanas das gerações
seguintes é a história de roubo da Amazônia.
De acordo com a mensagem (ou spam?), os livros didáticos
de escolas do ensino médio nos Estados Unidos trariam um
mapa adulterado da Amazônia, em que ela já não
é parte do Brasil e seus vizinhos. A home page traz
um fac-símile de uma página
do suposto livro. No lugar da Amazônia, uma zona denominada
“antiga reserva internacional da floresta amazônica”.
Para finalizar, gostaria de deixar com vocês
a lenda urbana virtual mais assustadora que recebi nos últimos
dias. É a Menina do Corredor... Na Indonésia, depois
dos massacres que envolveram a luta de independência do Timor
Leste, um fotógrafo esteve visitando os escombros de um dos
locais onde ocorreram as batalhas mais sangrentas. Ao revelar as
fotos de um imenso corredor vazio, notou que, no negativo de uma
delas, aparecia a imagem de uma menina (veja
a foto). Ninguém sabe como ela apareceu lá.
Consta que o fotógrafo ficou louco tentando
estudar o negativo. Ainda, sabe-se que o jornal Folha de S.Paulo
tentou publicar a foto, mas só o que apareceu foi um inexplicável
borrão. E mais, muitas das pessoas que ficaram muito tempo
encarando a foto morreram...
E então? Você vai passar essa adiante? 
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