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31 de outubro a 13 de novembro de 2002


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DIVERSÃO À GREGA
Não deixe de ver o Casamento Grego: mais do que um romance, uma comédia regada a ouzo e mussaka

por Carolina Meyer (carol@rabisco.com.br)

e a única referência que você tem da Grécia é o lendário Cavalo de Tróia, corra para o cinema no próximo dia 8 de novembro, quando estréia o divertidíssimo Casamento Grego, a comédia romântica autobiográfica de Nia Vardalos.

Nia protagoniza o filme no papel de Toula Portokalos, uma solteirona de 30 anos que, de repente, resolve dar uma virada na vida monótona, descola um partidão e decide, finalmente, se casar.

Poderia se tratar, aqui, de uma comédia romântica comum, com direito a reviravoltas e final feliz, não fosse o detalhe que faz do filme um espetáculo: sua família grega. Para quem não tem idéia do que isso representa, a matemática é simples: pegue toda a bagunça de uma boa família italiana. Junte a ela aquela mãezona judia. Multiplique o resultado por 100. Esta é a família Portokalos.

Para se ter uma noção do que isso quer dizer, o pai de Toula, Gus Portokalos (interpretado por Michael Constantine), é daqueles que acreditam que tudo se cura com Windex (um limpa-vidros) e que todas as palavras no mundo, de alguma forma, possuem origem grega (inclusive a palavra quimono!). Para piorar – ou deixar o quadro mais hilário – Gus parte do princípio de que mulher não precisa estudar, mas “fazer apenas três coisas na vida: casar-se com gregos, gerar bebês gregos e alimentar todos eles até o dia de sua morte”. Imagine, então, o desespero desse pai quando descobre que sua filha não vai exatamente se casar com um deus grego. Ian Miller (John Corbett), além de xeno (estrangeiro), é vegetariano e vem de família inglesa protestante.

O marido de Nia, o “Ian Miller” da vida real, também participa da película. É o ator Ian Gomes que, em Casamento Grego, interpreta justamente um amigo do príncipe encantado que se casará com Toula.

O filme é delicioso, até porque come-se o tempo todo. Se palavras como ouzo e mussaka não representam nada para você, está na hora de fazer uma visita ao maravilhoso restaurante Acrópoles, no Bom Retiro. Aliás, vale destacar que a antiga casa paulistana é mais convidativa que o Dancing Zorba´s, restaurante grego que pertence à família de Toula.

Nia Vardalos encenou o espetáculo sobre sua hilariante família grega pela primeira vez em Los Angeles. Seu monólogo atraiu diversos executivos de Hollywood, centenas de gregos e em particular, a atriz Rita Wilson, ninguém menos que mulher de Tom Hanks. Dois meses depois, veio o convite da produtora de Hanks, a Playtone, para que o show se transformasse em filme.

A própria Nia adaptou o espetáculo para o cinema, fez questão de atuar na película e o resultado foi um sucesso estrondoso: o filme, que havia estreado em abril nos Estados Unidos em apenas 108 salas, foi ganhando força e, 27 semanas depois, ocupava 2014 salas de exibição.

O sucesso de uma produção tão barata (que não apela para efeitos especiais, alta tecnologia ou outros pega-trouxas) é justamente um roteiro excelente, um humor extremamente inteligente e não preconceituoso e a boa atuação de veteranos como Michael Constantine, Lainie Kazan, John Corbett e, sobretudo, a própria Nia Vardalos. Isso para não mencionar os demais “membros da família” como a tia Voula (Andréa Martin) e o irmão caçula, Nick (Louis Mandylor). Você não pode deixar de assistir a uma comédia tão romântica, ou, melhor dizendo, a um romance tão hilário. Dia 8, corra para o cinema. Ou estou falando grego?