| RELANÇAMENTOS DOS STONES
REVIVEM CRUEZA SONORA
Embalados pela moda dos “The
Best Of”, a mais conhecida banda de rock lança a sua
primeira coletânea completa e relança também
os discos da sua fase excêntrica, dos anos 60
por Marcelo
Xavier (highway61@bol.com.br)

té o mais alienado alienígena do planeta Terra deveria
tirar o chapéu para eles. Imaginem um estilo como o rock,
e pensar a respeito de modismos passageiros oriundos do século
passado. Por exemplo: um tipo tão popular como o swing e
seus mestres, como Glenn Miller ou Benny Goodman foram soterrados
pelos novos tempos. A maioria dos rockers dos 50 ou se vendiam ao
establishment ou se transformavam em dinossauros anacrônicos.
A maioria deles morreu assim, como Bill Halley, ou Gene Vincent,
lembrados apenas por aficionados de rockabilly. Porém, o
mesmo não se poderia dizer a respeito desses senhores —
idosos porém nada comportados. Uma banda que vai fazer quatro
décadas, que sobreviveu à onda punk, aos 80’s,
aos Beatles, aos Bee Gees, aos Bay City Rollers, às drogas,
aos fisco inglês e aos críticos, que os acusavam de
serem um bando de burgueses decadentes ripongas e velhacos vendidos
para a mídia. E depois disso, ainda sejam capaz de lotar
ginásios, de ganhar rios de dinheiro e de rir de todas as
estéticas que se julgam como vanguardas, eles ainda se auto
proclamam como pedras rolantes, eles são os Rolling Stones.
Para comemorar quarenta anos de tanta teimosia, a
gravadora deles anunciou o lançamento da coletânea
“Fourty Licks”, dos Stones: apesar das inúmeras
compilações da banda, esta é referida como
a definitiva. O motivo: nunca antes havia sido promovido uma retrospectiva
da carreira do grupo desde o seu obscuro começo, nos anos
60. A verdade é que havia uma distância “contratual”
entre a produção dos Stones da primeiras fase, pela
ABKCO e a segunda, com o contrato com a antiga CBS. O material relativo
à primeira gravadora pertencia ao antigo empresário
da banda, Allan Klein. O espólio restante pertencia aos próprios
autores, que possuem uma editora própria, a “Rolling
Stones Records”, que era subsidiária da Columbia. Junto
com “Fourty Licks”, as gravadoras lançam um tesouro
escondido: os vinte e dois primeiros discos da banda — dos
tempos do primeiro líder, Brian Jones, desta vez com alta
qualidade digital.
O reencontro do material completo começou
a se desenhar em 1993, quando a banda se mudou para a Virgin/EMI.
Este ano, Mick Jagger e Keith Richards ganharam a batalha judicial
para obter controle sobre os seus primeiros discos; agora, mandam
finalmente sobre todas as gravações lançadas
desde 1964 até hoje, possibilitando o lançamento da
retrospectiva sonora. Aproveitando (muito bem) a ocasião,
a ABKCO (que detém o material anterior da banda) lança
também a— finalmente — s versões remasterizadas
de 22 álbuns dos Rolling Stones, parte dos quais se encontram
fora de catálogo — inclusive no Brasil — como
a edição britânica de “Between the Buttons”
(1967) e “Out of Our Heads” (1965).
As
gravações chegaram a ser vertidas para o formato digital,
mas os álbuns que existem em CD soam horríveis. Não
surpreende, porque todas as gravações foram digitalizados
em 1986, quando a tecnologia e a possibilidade de recuperar registros
analógicos ainda estavam na sua fase primordial. Em 1993,
a PolyGram lançou a coleção da ABKCO, aproveitando
a turnê dos Rolling Stones no Brasil, com o sugestivo nome
de “Satisfaction Years”. Quem não teve satisfação
foi o ouvinte, que sentia o cheiro de “marquetagem”
no embuste. A gravadora pensava que transferir os tapes para CD
com o propósito de possibilitar uma audição
sem ruído era suficiente. E para piorar, as capas vinham
com um selo colado no meio das fotos, que eram impossíveis
de tirar.
O problema é que os fãs que compravam
os discos, percebeu que não havia mágica alguma —
o som é igual aos velhos vinis, ou até de qualidade
inferior. A satisfação chegou, finalmente, com o recente
lançamento pela ABKCO Records de 22 álbuns remasterizados,
frutos de um projeto de restauração que levou 10 anos
e não poupou despesas. E, como não poderia deixar
de ser, não são CDs quaisquer. são Super Áudio
CDs (SACDs), que visam atingir a um público mais exigente.
Este formato pode ser tocado tanto em aparelhos próprios
quanto em toca-CDs normais. A mágica foi trabalhar as canções
faixa a faixa, da mesma forma que o produtor dos discos do Jimi
Hendrix, Eddie Kraemer, fez para recuperar os “master tapes”
do guitarrista norte-americano.
A ABKCO resolveu também dar uma trégua
aos fãs da banda. A série inclui as versões
americana e britânica da maioria dos álbuns da banda,
que muitas vezes tinham arte e faixas diferentes. Assim, os interessados
poderão ouvir as duas versões de “Out of Our
Heads”, de 1965, “Aftermath”, de 1966 e “Between
the Buttons”, de 1967 (as versões americanas incluíam
canções a mais, lançadas originalmente em singles,
para vender mais). Os fãs vão poder, pela primeira
vez, ouvir o álbum “Beggars Banquet”, de 1968,
com a capa e os créditos originais, velocidade correta, mais
rápida e a coletânea “Metamorphosis”, de
1975, esgotada há décadas e nunca antes lançada
em CD.
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| Os Stones em 1966 |
A princípio, a série não inclui
os dois primeiros álbuns britânicos dos Stones, “The
Rolling Stones”, de 1964, e “The Rolling Stones No.
2”, de 1965. O primeiro chegou a ser lançado no Brasil
em CD, mas está fora de catálogo. O segundo foi preterido
em favor da edição norte-americana “12X5”,
fazendo com que várias canções ficassem de
fora. O vice-presidente sênior da ABKCO, Jody Klein, disse
que faz parte dos planos da gravadora incluir esses dois álbuns
na coleção. Críticos têm elogiado a clareza
do som, especialmente aos vocais de Mick Jagger. Um detalhe que
muitos não sabem é que, as primeira gravações
da banda eram gravados com mixagem direta na mesa, quase sempre
em “mono” e com um som granulado, como eram as antigas
gravações de blues, com os vocais misturados em meio
ao conjunto dos instrumentos.
Klein contou que os técnicos que fizeram a
remasterização se deram a um trabalho enorme para
manter a integridade e o som “cru” dos singles e álbuns
originais. Claro, sem dar a impressão que nada mudou. Afinal,
entre os fãs dos Stones, existem os “xiitas”,
que detestam qualquer alteração na qualidade das faixas,
como aconteceu com as remasterizações dos Beatles.
“Foi um projeto de restauração para recuperar
o som e a sensação originais”, disse ele. “Nosso
objetivo não era criar um som novo, um jeito novo como achamos
que a voz de Mick deve soar ou aparecer”. Segundo ele, se
a voz de Jagger soa mais vívida agora, é porque isso
estava nas fitas, a despeito da maneira como o som foi transferido
e por causa desta tecnologia fantástica. “Não
é porque alguém tenha criado algum novo conceito sobre
como apresentar a banda.” »»
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