| O MAPA DO TESOURO
por Marcelo
Xavier (highway61@bol.com.br)
nova numeração de álbuns relançados
agora se refere apenas aos lançamentos oficiais e foi baseada
tanto na discografia americana quanto na inglesa. Ocorre que, como
acontece até hoje, os artistas ingleses têm o hábito
de lançar material inédito em compacto e em disco.
Logo, edições americanas continham músicas
que só existiam em versão “single” na
Inglaterra. O inconveniente, é claro, é o despropósito
de misturar tudo ao bel-prazer das gravadoras. Mesmo com suas deficiências,
a relação dos CDs dos Stones inclui títulos
americanos e ingleses para assim não haver discrepância
de faixas. Até “Get Yer Yas-Ya’s Out!”(70),
os discos foram aqui lançados em formato digital e analógico
pela PolyGram. De “Sticky Fingers” (71) em diante, eles
são da Emi-Odeon e também chegam as lojas em versões
remasterizadas, exceto três discos ao vivo, Love You Live
(77), “Still Life” (82) e “Flashpoint” (91).
Os álbuns da série relançada
em SACD são:
The
Rolling Stones (1964) – Como artistas iniciantes
e com pouca bala na agulha, o repertório tem na sua maioria
covers de blues, do tipo que eles tocavam nas boates londrinas.
O clima inquieto, anárquico e barulhento dos discos deve-se
ao fato de o produtor, Andrew Loog Oldham, e da gravadora, a Decca,
não conhecerem nada de rock. Destaques para uma versão
de Chuck Berry (“Carol”) e a primeira “Jagger-Richards”
(“Tell Me”).
12
x 5 (1964) - Os americanos, loucos em encher o mercado
com álbuns dos Stones, justamente em plena onda da chamada
“invasão britânica”, montaram esse álbum
com faixas do compacto duplo inglês “Five By Five”,
músicas do álbum inglês Rolling Stones No
2 e mais alguns singles. Algumas canções foram
gravadas nos estúdios da “Chess Records”, em
Chicago, conhecido selo de blues. Pelo menos, um compacto os atirou
para as paradas, foi “It’s All Over Now”. Basicamente,
com exceção a alguns instrumentais “Nanker-Phelge”
(um pseudônimo para a autoria coletiva da banda), o disco
é só de covers.
The
Rolling Stones Now (1965) - Lançado apenas nos
Estados Unidos, é o rescaldo comercial do No 2 britânico,
inclusive com a “chupação” das fotos e
texto da contracapa. Inclusive, o disco mistura faixas do segundo
álbum inglês com músicas que tinham saído
em compactos. A tônica continuava ser rhythm’n’blues
— “Everybody Needs Somebody” e mais um sucesso
“Jagger-Richards”, “Off The Hook”, além
de covers de blues tradicional, como “Little Red Rooster”,
de Willie Dixon.
Out
Of Our Heads (1965) - Saiu na América com “
(I Can’t Get No) Satisfaction/Play With Fire” no playlist,
foi o batismo dos Rolling Stones. O single fez com que o álbum
disparasse na parada, junto com “The Last Time”. Da
noite para o dia, eles se tornaram mais famosos que Martin Luther
King ou Anita Ekberg. Fora isto, o disco tem covers de cantores
de soul como Sam Cooke e Marvin Gaye. O lançamento aconteceu
em julho, junto com o Help!, dos Beatles e o Mr. Tambourine
Man, dos Byrds. O resto é ruído.
December’s
Children And (Everybody’s Children) (1965) - Uma
salada mista para o público americano, com faixas e a capa
original do “Out Of Our Heads” britânico. Inclui
gravações inéditas na Inglaterra, lados B de
compactos (“Singer Not The Song” e “I’m
Free”) e esquisitices como “You Better Move On”,
baladinha açucarada que o próprio Mick Jagger rejeitou,
dizendo na BBC este mês que a banda teve que “gravar
muita porcaria”. Esta canção, composta por Arthur
Alexander, o mesmo autor de “Anna (Go To Him)”. O disco
foi puxado pelos compactos “Get Off Of My Cloud” e outra
baladinha piegas, (“As Tears Goes By”), mas que emplacou
com eles e na voz de Marianne Faithfull.
Aftermath
(1966) – Este é primeiro disco a ter apenas
composições de Jagger e Richards. No Brasil teve várias
capas com a mesma foto, mas a edição com todas as
quatorze músicas só saiu aqui na década de
80. Nos Estados Unidos, o álbum saiu com faixas a menos (inclusive
“Going Home”, de onze minutos, a música mais
longa a sair num disco de rock até então) e com o
mega-sucesso “Paint It Black”, com Brian Jones na cítara.
Aftermath encerraria o capítulo 1 dos Stones por ser
mais sofisticado que os álbuns anteriores. Também
foi o pioneiro em tratar com inteligência e brutalidade temas
como sexo, drogas e rock n’roll. Inclusive, quem brilha em
Aftermath é o próprio Jones, que toca dulcimer
na surreal “Lady Jane” e marimbas em “Under My
Thumb”.
Got
Live If You Want It! (1966) - Na época, lançado
apenas nos Estados Unidos (em novembro), traz uma edição
canhestra e caótica do registro de um show de 23 de setembro
de 66 no Royal Albert Hall, em Londres. Diz a lenda que o engenheiro
Glyn Johns simplesmente jogou um microfone por cima do balcão
e o deixou pendurado enquanto o Stones tocaram ao vivo e as fãs
invadiam o palco para saltar no pescoço de Mick Jagger. Depois
disso, eles dificilmente voltariam a tocar ao vivo na Inglaterra.
Infelizmente, não houve preocupação em lançar
o tape completo: duas canções são montagens
de áudio ao vivo de gravações de estúdio
(“Fortune Teller” e “I’ve Been Loving You
Too Long”).
Between
The Buttons (1967) - Concebido para bater os Beatles,
os Stones foram duramente criticados quando lançaram este
disco, que continha alusões à drogas, muitos elementos
de teatro musical inglês, pastiche dos Kinks, Beatles e Bob
Dylan — algumas são hilariantes, como “Cool Calm
And Collected”, onde o tempo da música vai aumentando
até um final absurdíssimo. “Something Happened
To Me Yesterday”, onde, no fim, Jagger abençoa aos
ouvintes num recitativo e sugere que, se foram andar de bicicleta
de noite, “vistam branco”. Foi lançado na época
em que Mick e Keith foram presos por porte de drogas. A versão
americana traz o compacto “Ruby Tuesday/Let’s Spend
The Night Togheter”, ao contrário da versão
britânica (que não sai em CD), que trouxe “Please
Go Home” e “Backstreet Girl”.
Flowers
(1967) – Coletânea de várias fases dos
Stones, foi lançado na época em que Mick e Keith haviam
sido condenados à prisão, por porte de heroína.
Their
Satanic Majesties Request (1967) - É o disco psicodélico
da banda. Porém, o psicodelismo dos Stones não tem
nada a ver com o dos Beatles. O disco faz um carnaval entre elementos
místicos, o universo obscuro da cultura medieval e futurismo.
Bom para ouvir com as pupilas dilatadas. Destaque para a pré-progressiva
“2.000 Man”, a fantasmagórica “2.000 Light
Years From Home” e a épica “She’s A Rainbow”
e o baixista Bill Wyman estreando como compositor — e puxando
um ronco no final...
Beggar’s
Banquet (1968) – Ou o “Banquete dos Mendigos”,
como o título sugerem, traz alusões à Biblia
(“Prodigal Son” e “Salt Of The Earth” e
“Sympathy For The Devil”). A nova edição
traz de vota a capa original — que foi vetada inclusive no
Brasil, e trocada pela “capa do cardápio”. A
foto traz um insólito mictório (imundo) com a inscrição
“Rolling Stones” na parede. O som do disco é
basicamente acústico, com vários convidados cobrindo
a ausência de Brian Jones, que já caía pelas
tabelas. Aqui os Stones encaram o seu lado perverso e decadente:
“Sympathy For The Devil” (satanismo), “Street
Fighting Man” (subversão política) e “Stray
Cat Blues” (sexo com menores). É a primeira nota dez
da banda.
Let
It Bleed – Segunda nota dez. “Let It Bleed”
Foi o disco que firmaria os alicerces do som dos Stones nos anos
70. Aqui, Mick Taylor debuta oficialmente no lugar do mórbido
Brian Jones, que havia morrido de overdose naquele ano. O grande
hit é “Gimme Shelter” Pontos altos: a magistral
recriação do blues de Robert Johnson “Love In
The Vain”, Mick cantando com o coral gospel e em “You
Can’t Always Get What You Want” e a estréia de
Keith nos vocais principais em “You Got The Silver.
Get
Yer Ya Ya’s Out (1970) - este é o melhor
disco ao vivo de rock de todos os tempos — pelo menos, dos
Rolling Stones. É a gravação da turnê
americana de 69 foi uma das mais famosas já feitas por qualquer
banda de rock. Todas as músicas do disco foram gravadas no
Madison Square Garden em 28 e 29 de setembro. O lançamento
foi em setembro daquele ano. Traz versões magistrais de “Stray
Cat Blues” e “Little Queenie”, de Chuck Berry.
Metamorphosis
(75) - Mais uma coletânea tardia. Não traz muita
novidade, apenas versões alternativas de canções
como “Heart Of Stone” e “Out Of Time”. 
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