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31 de outubro a 13 de novembro de 2002


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O MAPA DO TESOURO

por Marcelo Xavier (highway61@bol.com.br)

 nova numeração de álbuns relançados agora se refere apenas aos lançamentos oficiais e foi baseada tanto na discografia americana quanto na inglesa. Ocorre que, como acontece até hoje, os artistas ingleses têm o hábito de lançar material inédito em compacto e em disco. Logo, edições americanas continham músicas que só existiam em versão “single” na Inglaterra. O inconveniente, é claro, é o despropósito de misturar tudo ao bel-prazer das gravadoras. Mesmo com suas deficiências, a relação dos CDs dos Stones inclui títulos americanos e ingleses para assim não haver discrepância de faixas. Até “Get Yer Yas-Ya’s Out!”(70), os discos foram aqui lançados em formato digital e analógico pela PolyGram. De “Sticky Fingers” (71) em diante, eles são da Emi-Odeon e também chegam as lojas em versões remasterizadas, exceto três discos ao vivo, Love You Live (77), “Still Life” (82) e “Flashpoint” (91).

Os álbuns da série relançada em SACD são:

The Rolling Stones (1964) – Como artistas iniciantes e com pouca bala na agulha, o repertório tem na sua maioria covers de blues, do tipo que eles tocavam nas boates londrinas. O clima inquieto, anárquico e barulhento dos discos deve-se ao fato de o produtor, Andrew Loog Oldham, e da gravadora, a Decca, não conhecerem nada de rock. Destaques para uma versão de Chuck Berry (“Carol”) e a primeira “Jagger-Richards” (“Tell Me”).

12 x 5 (1964) - Os americanos, loucos em encher o mercado com álbuns dos Stones, justamente em plena onda da chamada “invasão britânica”, montaram esse álbum com faixas do compacto duplo inglês “Five By Five”, músicas do álbum inglês Rolling Stones No 2 e mais alguns singles. Algumas canções foram gravadas nos estúdios da “Chess Records”, em Chicago, conhecido selo de blues. Pelo menos, um compacto os atirou para as paradas, foi “It’s All Over Now”. Basicamente, com exceção a alguns instrumentais “Nanker-Phelge” (um pseudônimo para a autoria coletiva da banda), o disco é só de covers.

The Rolling Stones Now (1965) - Lançado apenas nos Estados Unidos, é o rescaldo comercial do No 2 britânico, inclusive com a “chupação” das fotos e texto da contracapa. Inclusive, o disco mistura faixas do segundo álbum inglês com músicas que tinham saído em compactos. A tônica continuava ser rhythm’n’blues — “Everybody Needs Somebody” e mais um sucesso “Jagger-Richards”, “Off The Hook”, além de covers de blues tradicional, como “Little Red Rooster”, de Willie Dixon.

Out Of Our Heads (1965) - Saiu na América com “ (I Can’t Get No) Satisfaction/Play With Fire” no playlist, foi o batismo dos Rolling Stones. O single fez com que o álbum disparasse na parada, junto com “The Last Time”. Da noite para o dia, eles se tornaram mais famosos que Martin Luther King ou Anita Ekberg. Fora isto, o disco tem covers de cantores de soul como Sam Cooke e Marvin Gaye. O lançamento aconteceu em julho, junto com o Help!, dos Beatles e o Mr. Tambourine Man, dos Byrds. O resto é ruído.

December’s Children And (Everybody’s Children) (1965) - Uma salada mista para o público americano, com faixas e a capa original do “Out Of Our Heads” britânico. Inclui gravações inéditas na Inglaterra, lados B de compactos (“Singer Not The Song” e “I’m Free”) e esquisitices como “You Better Move On”, baladinha açucarada que o próprio Mick Jagger rejeitou, dizendo na BBC este mês que a banda teve que “gravar muita porcaria”. Esta canção, composta por Arthur Alexander, o mesmo autor de “Anna (Go To Him)”. O disco foi puxado pelos compactos “Get Off Of My Cloud” e outra baladinha piegas, (“As Tears Goes By”), mas que emplacou com eles e na voz de Marianne Faithfull.

Aftermath (1966) – Este é primeiro disco a ter apenas composições de Jagger e Richards. No Brasil teve várias capas com a mesma foto, mas a edição com todas as quatorze músicas só saiu aqui na década de 80. Nos Estados Unidos, o álbum saiu com faixas a menos (inclusive “Going Home”, de onze minutos, a música mais longa a sair num disco de rock até então) e com o mega-sucesso “Paint It Black”, com Brian Jones na cítara. Aftermath encerraria o capítulo 1 dos Stones por ser mais sofisticado que os álbuns anteriores. Também foi o pioneiro em tratar com inteligência e brutalidade temas como sexo, drogas e rock n’roll. Inclusive, quem brilha em Aftermath é o próprio Jones, que toca dulcimer na surreal “Lady Jane” e marimbas em “Under My Thumb”.

Got Live If You Want It! (1966) - Na época, lançado apenas nos Estados Unidos (em novembro), traz uma edição canhestra e caótica do registro de um show de 23 de setembro de 66 no Royal Albert Hall, em Londres. Diz a lenda que o engenheiro Glyn Johns simplesmente jogou um microfone por cima do balcão e o deixou pendurado enquanto o Stones tocaram ao vivo e as fãs invadiam o palco para saltar no pescoço de Mick Jagger. Depois disso, eles dificilmente voltariam a tocar ao vivo na Inglaterra. Infelizmente, não houve preocupação em lançar o tape completo: duas canções são montagens de áudio ao vivo de gravações de estúdio (“Fortune Teller” e “I’ve Been Loving You Too Long”).

Between The Buttons (1967) - Concebido para bater os Beatles, os Stones foram duramente criticados quando lançaram este disco, que continha alusões à drogas, muitos elementos de teatro musical inglês, pastiche dos Kinks, Beatles e Bob Dylan — algumas são hilariantes, como “Cool Calm And Collected”, onde o tempo da música vai aumentando até um final absurdíssimo. “Something Happened To Me Yesterday”, onde, no fim, Jagger abençoa aos ouvintes num recitativo e sugere que, se foram andar de bicicleta de noite, “vistam branco”. Foi lançado na época em que Mick e Keith foram presos por porte de drogas. A versão americana traz o compacto “Ruby Tuesday/Let’s Spend The Night Togheter”, ao contrário da versão britânica (que não sai em CD), que trouxe “Please Go Home” e “Backstreet Girl”.

Flowers (1967) – Coletânea de várias fases dos Stones, foi lançado na época em que Mick e Keith haviam sido condenados à prisão, por porte de heroína.

Their Satanic Majesties Request (1967) - É o disco psicodélico da banda. Porém, o psicodelismo dos Stones não tem nada a ver com o dos Beatles. O disco faz um carnaval entre elementos místicos, o universo obscuro da cultura medieval e futurismo. Bom para ouvir com as pupilas dilatadas. Destaque para a pré-progressiva “2.000 Man”, a fantasmagórica “2.000 Light Years From Home” e a épica “She’s A Rainbow” e o baixista Bill Wyman estreando como compositor — e puxando um ronco no final...

Beggar’s Banquet (1968) – Ou o “Banquete dos Mendigos”, como o título sugerem, traz alusões à Biblia (“Prodigal Son” e “Salt Of The Earth” e “Sympathy For The Devil”). A nova edição traz de vota a capa original — que foi vetada inclusive no Brasil, e trocada pela “capa do cardápio”. A foto traz um insólito mictório (imundo) com a inscrição “Rolling Stones” na parede. O som do disco é basicamente acústico, com vários convidados cobrindo a ausência de Brian Jones, que já caía pelas tabelas. Aqui os Stones encaram o seu lado perverso e decadente: “Sympathy For The Devil” (satanismo), “Street Fighting Man” (subversão política) e “Stray Cat Blues” (sexo com menores). É a primeira nota dez da banda.

Let It Bleed Segunda nota dez. “Let It Bleed” Foi o disco que firmaria os alicerces do som dos Stones nos anos 70. Aqui, Mick Taylor debuta oficialmente no lugar do mórbido Brian Jones, que havia morrido de overdose naquele ano. O grande hit é “Gimme Shelter” Pontos altos: a magistral recriação do blues de Robert Johnson “Love In The Vain”, Mick cantando com o coral gospel e em “You Can’t Always Get What You Want” e a estréia de Keith nos vocais principais em “You Got The Silver.

Get Yer Ya Ya’s Out (1970) - este é o melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos — pelo menos, dos Rolling Stones. É a gravação da turnê americana de 69 foi uma das mais famosas já feitas por qualquer banda de rock. Todas as músicas do disco foram gravadas no Madison Square Garden em 28 e 29 de setembro. O lançamento foi em setembro daquele ano. Traz versões magistrais de “Stray Cat Blues” e “Little Queenie”, de Chuck Berry.

Metamorphosis (75) - Mais uma coletânea tardia. Não traz muita novidade, apenas versões alternativas de canções como “Heart Of Stone” e “Out Of Time”.