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14 a 27 de novembro de 2002


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BOA PROMOÇÃO, MÁ ORGANIZAÇÃO
Na comemoração do Dia do Cinema Nacional, Cinemark promove odisséia de filmes brasileiros, mas também de filas e tumultos lamentáveis

por Rodrigo Herrero Lopes (laugh.dross@bol.com.br)

 LavourArcaica

conteceu no último dia 04 de novembro, em toda a rede Cinemark, o 3º Projeta Brasil Cinemark. Esse evento colocou as mais importantes produções cinematográficas nacionais do ano nas telas de cinema de alguns estados brasileiros como Rio de Janeiro, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e São Paulo. Entre os destaques das projeções estavam Cidade de Deus, Abril Despedaçado, O Invasor, Lavoura Arcaica e Bellini e a Esfinge. Segundo a empresa, o evento serviu como comemoração do Dia Nacional do Cinema. Isso porque todas as salas exibiram filmes nacionais. E se prestou também como forma de “presente” ao público, pois o preço do ingresso foi de apenas um real.

O problema começa no dia dessas apresentações. Desde o primeiro ano, o evento acontece sempre durante a semana. Desta vez foi escolhida a segunda-feira. Isso limita e muito o número de pessoas a assistir mais de uma projeção. Tudo em razão do horário, justamente porque só desempregados e estudantes tiveram maior acesso às sessões da tarde. E mesmo à noite, muitas pessoas não têm costume e nem disposição para sair das suas casas e assistirem a um filme nacional, até por não haver uma cultura em nosso país de prestigiar as produções tupiniquins.

 O Invasor

O resultado disso foi o completo esvaziamento das sessões vespertinas. Isso porque muitas pessoas desconheciam quase todos os filmes que estavam sendo exibidos. Como aconteceu no Cinemark do Interlar Aricanduva, em que jovens e crianças pouco estavam interessados no desenrolar da história, preferindo conversar e gritar nas salas de exibição. O que gerou verdadeiros momentos de tortura para quem estava interessado no filme. Apenas Cidade de Deus, por razões óbvias, teve todas as suas sessões lotadas antes mesmo da segunda-feira, devido a venda antecipada de ingressos.

Com o decorrer do dia, as filas se intensificaram e o despreparo dos funcionários do Cinemark mostrou-se evidente. Enquanto poucos atendentes orientavam a entrada no local, algumas pessoas procuravam, inutilmente, a saída do complexo, que fica um andar abaixo das bilheterias. Outras aproveitavam a confusão e, depois de haver terminado seu filme, entravam em outras salas, para tentar assistir a mais de uma exibição. Crianças corriam pelos corredores, onde adolescentes se acotovelavam na fila de espera para a liberação da sala. Com esse tumulto, as sessões noturnas ficaram quase impossíveis de serem vistas, porque os locais das projeções superlotaram.

 Abril Despedaçado

Analisando o âmbito de fomentar o cinema nacional, a iniciativa foi muito boa, pois o preço de um real incentiva a população a conhecer um pouco mais o cinema no Brasil. O problema é que, como vimos, não se sabe se isso ajuda efetivamente a agregar as produções brasileiras ao gosto popular. Até porque houve pouquíssima promoção desse evento e dos filmes que compunham as salas de exibição. Tanto que o que chamou mais a atenção não foram as projeções nacionais em si e sim o valor mínimo a ser pago pelo ingresso. Para quem se presta a organizar um evento para a grande massa como esse, o Cinemark precisaria de maior divulgação e um mínimo de organização e qualidade para as pessoas que lá estiveram.