| MODERNISMO: UM NOVO OLHAR PARA
A CULTURA DO BRASIL
O Modernismo provocou um corte providencial
na cultura brasileira da época, e ainda possui grande influência
na arte contemporânea brasileira
por Rodrigo
Herrero Lopes (laugh.dross@bol.com.br)
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| O Abaporu, Tarsila do Amaral |
Modernismo, como todos sabem teve seu ápice cultural
na famosíssima semana de arte Moderna de 1922, ocorrida entre
13 e 17 de fevereiro daquele ano, com grande repercussão
entre os intelectuais e jornalistas da época, mas sem o objetivo
plenamente alcançado, que era o contato das obras modernistas
com o povo brasileiro.
Mas o que poucos sabem é que esse movimento
cultural teve um panorama mais amplo do que o apresentado naquela
semana. O Modernismo como conceito teve início no meio da
década de 1910, depois de Oswald de Andrade ter conhecido
o Professor Mário de Andrade, e mais tarde com o retorno
da Europa por Anita Malfatti e suas exposições de
pintura em 1917, bem como o surgimento do escultor Victor Brecheret,
que seriam futuramente as bases das artes plásticas da Semana
de 1922. O fim do movimento se deu por volta da década de
40, principalmente com o falecimento de Mário de Andrade,
em 1945.
E como todo movimento de longa duração,
também foi de grande complexidade e ousadia. Esses intelectuais
romperam com toda uma forma de fazer arte, totalmente voltada à
Europa, seu povo e seu modo de vida. O Modernismo procurou substituir
o conceito de raça pelo de cultura, partindo de novos paradigmas,
analisando a arte brasileira como algo efetivamente nacional. Isso
se deu com um modo de pensar totalmente novo, incorporando o passado
e as tradições brasileiras, mas não como formas
inertes e sim utilizando esses elementos como novas ferramentas
para criação. Essa perspectiva foi uma afronta para
os intelectuais mais ortodoxos, pois ia contra a toda uma forma
única de pensar e produzir arte. Os modernistas traziam algo
impensado até aquele momento: a busca pela valorização
do povo brasileiro. Esta seria baseada no aproveitamento também
da cultura popular e não apenas utilizar elementos da cultura
erudita, centrando no país e suas necessidades, com anseios
e projetos próprios e com apelo ao povo, desvinculando-se
das outras nações. Esse desejo se manifestou nas obras
feitas naquele período, como retratos do mestiço,
da favela, do progresso, colocando pela primeira vez a arte com
uma função pública e política perante
a sociedade.
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| Antropofagia, Tarsila do Amaral |
Outro conceito muito abordado dentro do Modernismo
foi a Antropofagia, criado por Oswald de Andrade, através
de seu Manifesto Antropófago (1928). Esse conceito
colocado por Madeira e Veloso (1999) seria o passado, a tradição,
o primitivo como fontes de um lirismo original, matéria-prima
para a paródia e para a crítica, incorporando as contradições
entre a natureza e a cidade, a realidade urbana com seus elementos
mais radicalmente modernos. E tudo isso se constituiria na “devoração
antropofágica” de todos esses elementos para se criar
uma nova perspectiva para a nossa cultura, deglutindo tudo a seu
redor e trazendo algo mais reflexivo e próximo ao Brasil.
Ao analisar a cultura brasileira por este novo parâmetro,
valorizando o nosso povo, bem como tudo produzido aqui, os modernistas
causaram um impacto muito grande nas pessoas. O objetivo foi aproximar
a grande massa representada naquele movimento artístico.
Só que isso acabou não ocorrendo, justamente pela
população não ter identificado aquilo que diziam
representar a eles mesmos, até por não possuir conhecimento
daquilo, por ser uma classe iletrada, portanto, sem maior informação
sobre o que seria aquele movimento único na arte brasileira.
Outro fator foi o alto custo para se ter acesso a essas obras. Exemplo
disso foi o alto preço das noites na Semana de Arte Moderna.
Ainda que o Teatro Municipal ficasse aberto durante o dia na semana
de fevereiro de 1922, os operários estavam trabalhando, portanto,
não tinham condições de acompanhar as exposições,
palestras, etc.
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| A boba, Anita Malfatti |
Isso, portanto, coloca em questão a real objetividade
que o Modernismo propôs na sociedade da época. Era
uma busca de ruptura, com vistas ao povo brasileiro, seu passado
e tradições, mas sem uma empatia efetiva com os cidadãos
pobres da época, apesar de ser um algo revolucionário,
com outro olhar a mostrar. Porém, se com o povo o movimento
não obteve êxito, não se pode dizer o mesmo
em relação ao acervo cultural e a sua importância
no desenvolvimento artístico brasileiro, tendo como enorme
influência o Modernismo Antropofágico de Oswald de
Andrade, Tarsila do Amaral, Raul Bopp, entre outros já citados.
Podemos exemplificar esta influência para a nossa cultura
com a Bossa Nova, a Tropicália de Caetano, Gil e a arte daquele
período por Oiticica Filho. Lembremos também o modernista
Gláuber Rocha com seu Cinema Novo, e posteriormente o movimento
musical pernambucano denominado Manguebit. Todos esses períodos
representaram plenamente o movimento cultural mais importante de
toda a história artística brasileira, afinal o Modernismo
nos trouxe uma forma nossa de criarmos a arte brasileira.
Obra citada: VELOSO, M. MADEIRA, A. Leituras Brasileiras: Itinerários
no Pensamento Social e na Literatura. São Paulo: Paz e Terra,
1999. 
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