| 2002 - O ANO QUE JÁ ACABOU
PARA O SBT
Ao ínvés dos êxitos
de 2001, a emissora da Anhanguera colecionou muitos fracassos nesta
temporada
por Julio
Bernardes (juliobernardes@yahoo.com.br)
ano de 2002 acabou para o SBT em 17 de setembro, quando foi
anunciado o adiamento da estréia da quarta versão
da Casa dos Artistas, que deveria estrear agora em novembro.
Se 2001 foi coroado por grandes êxitos (de audiência
e principalmente de mídia), este ano teve a marca de apostas
altas que não deram certo.
Um dos poucos sucessos do SBT - o game-show
Curtindo uma Viagem - teve a produção suspensa
devido aos altos custos. Alguns filmes lideraram a audiência,
mas a lista de fracassos é considerável:
CASA
DOS ARTISTAS 2 – Impulsionada pelo sucesso da primeira
versão, a emissora sonhou voar mais alto com a segunda, em
fevereiro. Tinha o elenco mais badalado e toda a imprensa especializada
a favor (na ocasião, era falta de educação
falar em Big Brother...). Mas não emplacou. Por quê?
A Casa 2 errou ao privilegiar um pequeno grupo entre os artistas
confinados, justamente os mais conhecidos – Susana Alves,
Joana Prado, Ellen Roche, André Gonçalves e Gustavo
Mendonça. O SBT imaginou que a notoriedade deles fora da
casa sustentaria a audiência dentro, o que não aconteceu.
A competitividade também foi posta de lado com a mudança
nas regras de eliminação e com a entrada de novos
participantes. Uma falha que tentou ser contornada com a vitória
de Rafael Vanucci, um dos que entraram no meio do programa. Mas
o público já se cansara, e mesmo assim a emissora
fez a Casa 3...
POPSTARS
– O programa, que queria mostrar as etapas da formação
de uma girls-band, era simplesmente impossível de
ser acompanhado, devido a seu tom ufanista de vídeo institucional.
Como produto final, gerou o grupo Rouge, que a despeito de ter como
carro-chefe a mal-traduzida versão de uma música argentina
adaptada de um original espanhol, conseguiu algum sucesso. Ajudado,
é claro, pelos conhecidos mecanismos promocionais das grandes
gravadoras... O grande problema do programa foi privilegiar o fim
– a banda formada – em prejuízo do meio –
a escolha das garotas. Que interesse havia em acompanhar a seleção
– ou seja, o próprio Popstars - se o mais importante
era o grupo pronto?
DOMINGO LEGAL
– Depois de dois anos e meio de liderança absoluta
aos domingos, aconteceu o impossível para Gugu – ser
superado pelo Domingão do Faustão, cujo apresentador
foi taxado de “superado”, “pouco carismático”,
etc... Até quadros de grande apelo do “Domingo Legal”,
como o melodramático “A Princesa e o Plebeu”,
perderam força. Em setembro, a tábua de salvação
de Gugu passou a ser o quadro “Quer Casar Comigo”, onde
um brasileiro residente nos Estados Unidos tenta escolher sua futura
esposa. Não está funcionando – em outubro, Gugu
perdeu para Faustão três vezes e empatou uma no Ibope.
E teve a derrota de José Serra, de cuja campanha o apresentador
participou...
CASA
DOS ARTISTAS 3 – O SBT tentou dar algum fôlego
ao programa, espelhando-se no Big Brother (outra vez...)
e colocando seis “anônimos” ao lado das celebridades.
O elenco era o pior de todas as versões e novamente a política
de privilegiar os artistas mais badalados em detrimento da competição
foi a norma – erro repetido... A audiência durante a
semana teve uma pequena melhora – principalmente em função
dos desacertos da novela Esperança, na Globo. Mas
nos domingos, três empates seguidos dinamitaram o pouco de
credibilidade que restava ao programa. Quem se lembra que o paraibano
Sérgio, fã de Solange Frazão, venceu a Casa
3?
MARISOL
– Novela feita para aproveitar a notoriedade de Bárbara
Paz e Alexandre Frota – mas limitada por seguir rigidamente
o modelo mexicano de teledramaturgia. Estreando em abril, passou
meses na obscuridade. Ali por agosto, o SBT tentou vender a trama
como uma alternativa a Betty, A Feia e Joana , A Virgem,
mas não colou. O golpe de morte foi a divisão da novela
em duas partes durante a propaganda eleitoral – perdeu todo
o fôlego. Seu final, em novembro, foi pífio. Sua sucessora,
Pequena Travessa, é pior...
ILHA DA SEDUÇÃO
– A versão vitaminada do “Teste de Fidelidade”
foi uma interminável promessa nos dois primeiros meses. Criou-se
a expectativa de cenas fortes de traição e sexo, que
nunca apareciam. O elenco pouco atraente – tanto na estética,
quanto na personalidade - também não ajudava. A mudança
de horário seria a solução para a falta de
grandes emoções. Mas as traições vieram
tarde demais, e nada de sexo. O programa, que deveria ter mais audiência
que a Casa dos Artistas, mal conseguia ter a metade da audiência
da Globo. Restou ao SBT responsabilizar a Fox – a co-produtora
do programa – pelos cortes das cenas de sexo. E esperar que
o Ibope volte a sorrir em 2003. 
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