equipe discussao anteriores
14 a 27 de novembro de 2002


Picosearch

2002 - O ANO QUE JÁ ACABOU PARA O SBT
Ao ínvés dos êxitos de 2001, a emissora da Anhanguera colecionou muitos fracassos nesta temporada

por Julio Bernardes (juliobernardes@yahoo.com.br)

 ano de 2002 acabou para o SBT em 17 de setembro, quando foi anunciado o adiamento da estréia da quarta versão da Casa dos Artistas, que deveria estrear agora em novembro. Se 2001 foi coroado por grandes êxitos (de audiência e principalmente de mídia), este ano teve a marca de apostas altas que não deram certo.

Um dos poucos sucessos do SBT - o game-show Curtindo uma Viagem - teve a produção suspensa devido aos altos custos. Alguns filmes lideraram a audiência, mas a lista de fracassos é considerável:

CASA DOS ARTISTAS 2 – Impulsionada pelo sucesso da primeira versão, a emissora sonhou voar mais alto com a segunda, em fevereiro. Tinha o elenco mais badalado e toda a imprensa especializada a favor (na ocasião, era falta de educação falar em Big Brother...). Mas não emplacou. Por quê? A Casa 2 errou ao privilegiar um pequeno grupo entre os artistas confinados, justamente os mais conhecidos – Susana Alves, Joana Prado, Ellen Roche, André Gonçalves e Gustavo Mendonça. O SBT imaginou que a notoriedade deles fora da casa sustentaria a audiência dentro, o que não aconteceu. A competitividade também foi posta de lado com a mudança nas regras de eliminação e com a entrada de novos participantes. Uma falha que tentou ser contornada com a vitória de Rafael Vanucci, um dos que entraram no meio do programa. Mas o público já se cansara, e mesmo assim a emissora fez a Casa 3...

POPSTARS – O programa, que queria mostrar as etapas da formação de uma girls-band, era simplesmente impossível de ser acompanhado, devido a seu tom ufanista de vídeo institucional. Como produto final, gerou o grupo Rouge, que a despeito de ter como carro-chefe a mal-traduzida versão de uma música argentina adaptada de um original espanhol, conseguiu algum sucesso. Ajudado, é claro, pelos conhecidos mecanismos promocionais das grandes gravadoras... O grande problema do programa foi privilegiar o fim – a banda formada – em prejuízo do meio – a escolha das garotas. Que interesse havia em acompanhar a seleção – ou seja, o próprio Popstars - se o mais importante era o grupo pronto?

DOMINGO LEGAL – Depois de dois anos e meio de liderança absoluta aos domingos, aconteceu o impossível para Gugu – ser superado pelo Domingão do Faustão, cujo apresentador foi taxado de “superado”, “pouco carismático”, etc... Até quadros de grande apelo do “Domingo Legal”, como o melodramático “A Princesa e o Plebeu”, perderam força. Em setembro, a tábua de salvação de Gugu passou a ser o quadro “Quer Casar Comigo”, onde um brasileiro residente nos Estados Unidos tenta escolher sua futura esposa. Não está funcionando – em outubro, Gugu perdeu para Faustão três vezes e empatou uma no Ibope. E teve a derrota de José Serra, de cuja campanha o apresentador participou...

CASA DOS ARTISTAS 3 – O SBT tentou dar algum fôlego ao programa, espelhando-se no Big Brother (outra vez...) e colocando seis “anônimos” ao lado das celebridades. O elenco era o pior de todas as versões e novamente a política de privilegiar os artistas mais badalados em detrimento da competição foi a norma – erro repetido... A audiência durante a semana teve uma pequena melhora – principalmente em função dos desacertos da novela Esperança, na Globo. Mas nos domingos, três empates seguidos dinamitaram o pouco de credibilidade que restava ao programa. Quem se lembra que o paraibano Sérgio, fã de Solange Frazão, venceu a Casa 3?

MARISOL – Novela feita para aproveitar a notoriedade de Bárbara Paz e Alexandre Frota – mas limitada por seguir rigidamente o modelo mexicano de teledramaturgia. Estreando em abril, passou meses na obscuridade. Ali por agosto, o SBT tentou vender a trama como uma alternativa a Betty, A Feia e Joana , A Virgem, mas não colou. O golpe de morte foi a divisão da novela em duas partes durante a propaganda eleitoral – perdeu todo o fôlego. Seu final, em novembro, foi pífio. Sua sucessora, Pequena Travessa, é pior...

ILHA DA SEDUÇÃO – A versão vitaminada do “Teste de Fidelidade” foi uma interminável promessa nos dois primeiros meses. Criou-se a expectativa de cenas fortes de traição e sexo, que nunca apareciam. O elenco pouco atraente – tanto na estética, quanto na personalidade - também não ajudava. A mudança de horário seria a solução para a falta de grandes emoções. Mas as traições vieram tarde demais, e nada de sexo. O programa, que deveria ter mais audiência que a Casa dos Artistas, mal conseguia ter a metade da audiência da Globo. Restou ao SBT responsabilizar a Fox – a co-produtora do programa – pelos cortes das cenas de sexo. E esperar que o Ibope volte a sorrir em 2003.