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5 a 18 de dezembro de 2002


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MÚSICA FUTEBOL CLUBE
Lembra aqueles grupos como Dominó e Polegar, que sempre mudavam de formação mas continuavam com o mesmo nome? Onde estão eles?

por Renato Chu (renato_chu@hotmail.com)

 O grupo Dominó, no Viva a Noite!, de Gugu Liberato

década de 1980 é considerada por muitos desatentos como a “década perdida”. Um milhão de exemplos poderiam ser citados para mostrar o contrário. Entretanto, ater-me-ei a apenas um deles. Ater-me-ei ao conceito de Música Futebol Clube.

Foi na década de 1980 que ganhou força um tipo especial de grupo musical. Nestas bandas, os integrantes até têm sua importância. Porém, mais importante do que estes é a própria banda. Há algo superior que faz com que, ainda que seus componentes sejam substituídos até rotineiramente, a banda permaneça íntegra. É o oposto do que ocorre em grupos como The Beatles ou Queen, em que seria impossível manter a banda sem John Lennon ou Freddie Mercury.

Para esclarecer um pouco mais esta questão, cito um exemplo: o grupo Dominó. Criado na metade da década de 1980, até o ano passado seus integrantes eram figuras recorrentes no Domingo Legal. Não fui capaz de listar o número de pessoas que passaram pela banda, mas certamente não foram poucos. Todavia, o Dominó está sempre vivo. Caso alguém diga que o caçula Rodriguinho quer partir para carreira solo, ninguém vai pensar “Nossa! E agora? Será que o Dominó vai acabar?”. Não! Claro que não! Certamente, a Promoart iria recrutar outro garoto para entrar no grupo. Provavelmente, nem desmarcaria aquela apresentação numa cidade do interior de São Paulo na semana seguinte.

 Os imberbes Menudos, em sua formação mais famosa

Grupos como o Dominó são parecidos com um clube de futebol. Os integrantes e os jogadores mudam freqüentemente. Empresários e técnicos também. O estilo das músicas, assim como o estilo de jogo, também é sempre trocado. Entretanto, assim como as bandas, o clube de futebol continua com seus milhares de torcedores (ou fãs) e não perde a sua fama.

Por outro lado, deve-se ressaltar que os torcedores não costumam mudar o time. Já os fãs destas bandas dificilmente as acompanham por mais de dois anos. Caso você não se enquadre neste seleto grupo de pessoas, recomendo que leia as informações abaixo.

Algumas bandas que se enquadram no rótulo Música Futebol Clube:

DOMINÓ: Criado pela agência Promoart, de Gugu Liberato, a mais célebre formação do grupo contava com Nill, Afonso, Marcelo e Marcos. Foi ainda na década de 80 que emplacaram seus maiores sucessos, relembrados até os dias atuais, como “Companheiro”, “Com Todos Menos Comigo”, “P da Vida” e “Manequim”. No início da década de 90, o ator da Globo Rodrigo Faro chegou a participar da banda. A última coisa que você deve ter ouvido deles é a música “Baila Comigo”.

Últimas informações sobre os integrantes originais: Nill se converteu à religião evangélica; lançou alguns CDs solo e apresentou até o ano passado o programa Gospel Line. Afonso: também tentou prosseguir na música em carreira solo - como Afonso Nigro; atualmente, faz parte da competente banda Mano a Mano (que também conta com ex-integrantes do Rádio-Táxi), que basicamente toca covers de bandas dos anos 80. Marcos: a última informação divulgada sobre ele dava conta de que era o empresário da apresentadora Eliana. Marcelo: acho que o vi num Programa Livre há alguns anos, mas não me lembro de nada. Para quem está com saudades: alugue Os Fantasmas Trapalhões ou Os Trapalhões na Terra dos Monstros, entre outros.

 Los Ultimos Heroes

MENUDO: Criado em 1977, esta banda talvez seja o maior exemplo de Música Futebol Clube. Quem tiver seus álbuns em casa pode reparar que dificilmente encontrará dois discos com a mesma formação. Isto porque todos os meninos que completavam 18 anos eram obrigados a deixar o grupo. A terceira geração chegou a gravar uma novela para um canal de televisão argentino. Infelizmente, a fórmula se esgotou em meados da década de 90. Os cinco últimos integrantes do grupo (Rawy, Rober, Sergio, Angelo e Rubén) se reuniram neste ano e fizeram shows como “Los Ultimos Heroes”.

De Porto Rico para o mundo, o Menudo foi responsável pelo lançamento de Robby Rosa e Ricky Martin. O segundo tornou-se inegavelmente bem sucedido. O primeiro, além de atuar brilhantemente no filme Lambada, Ritmo Proibido, foi produtor dos três últimos discos de Ricky. Johnny Lozada, que participou do Menudo entre 1979 e 1984, pode ser visto no Brasil nas novelas Amigas e Rivais e Cúmplices de um Resgate, veiculadas pelo SBT.

POLEGAR: Também lançado pela Promoart nos anos 80, o Polegar não teve tantas formações. O tecladista Alan, por exemplo, até hoje participa do grupo - sim, ele ainda existe. Seus maiores sucessos foram “Dá Pra Mim”, “Ela Não Liga” e “Sou Como Sou”. Rafael (Ilha) foi o mais famoso da banda. Depois de ter namorado a atriz Cristiana de Oliveira, o rapaz se envolveu com drogas, foi preso por tentar roubar um real e um passe de ônibus para comprar crack, e tenta voltar ao estrelato cantando músicas evangélicas.

Últimas informações: Alan se formou em Medicina e continua com a banda. O bateirista Ricardo permaneceu na banda até 1999 e em 2000 posou para um ensaio fotográfico para a revista G Magazine. O vocalista e baixista Alex continua a apostar na música; boatos dizem que ele compôs duas músicas para a dupla ET & Rodolfo.

TIMBIRICHE: Extinto grupo mexicano, fez sucesso nas décadas de 80 e 90. Diferentemente dos outros três, este também contava com garotas. Entre elas, a cantora - e atriz de novelas, como na trilogia Maria Mercedes, Marimar e Maria do Bairro - Thalia. Muitas músicas do grupo acabaram traduzidas para o português em sucessos do Dominó e do Polegar. Para quem quiser, é só baixar: “Con Todos Menos Comigo”, “Amame hasta con los Dientes” (“Dá Pra Mim”) e “Soy un Desastre” (“Ela Não Liga”).