| MÚSICA FUTEBOL CLUBE
Lembra aqueles grupos como Dominó
e Polegar, que sempre mudavam de formação mas continuavam
com o mesmo nome? Onde estão eles?
por Renato
Chu (renato_chu@hotmail.com)
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| O grupo Dominó, no Viva a
Noite!, de Gugu Liberato |
década de 1980 é considerada por muitos desatentos
como a “década perdida”. Um milhão de
exemplos poderiam ser citados para mostrar o contrário. Entretanto,
ater-me-ei a apenas um deles. Ater-me-ei ao conceito de Música
Futebol Clube.
Foi na década de 1980 que ganhou força
um tipo especial de grupo musical. Nestas bandas, os integrantes
até têm sua importância. Porém, mais importante
do que estes é a própria banda. Há algo superior
que faz com que, ainda que seus componentes sejam substituídos
até rotineiramente, a banda permaneça íntegra.
É o oposto do que ocorre em grupos como The Beatles ou Queen,
em que seria impossível manter a banda sem John Lennon ou
Freddie Mercury.
Para esclarecer um pouco mais esta questão,
cito um exemplo: o grupo Dominó. Criado na metade da década
de 1980, até o ano passado seus integrantes eram figuras
recorrentes no Domingo Legal. Não fui capaz de listar
o número de pessoas que passaram pela banda, mas certamente
não foram poucos. Todavia, o Dominó está sempre
vivo. Caso alguém diga que o caçula Rodriguinho quer
partir para carreira solo, ninguém vai pensar “Nossa!
E agora? Será que o Dominó vai acabar?”. Não!
Claro que não! Certamente, a Promoart iria recrutar outro
garoto para entrar no grupo. Provavelmente, nem desmarcaria aquela
apresentação numa cidade do interior de São
Paulo na semana seguinte.
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| Os imberbes Menudos, em sua formação
mais famosa |
Grupos como o Dominó são parecidos
com um clube de futebol. Os integrantes e os jogadores mudam freqüentemente.
Empresários e técnicos também. O estilo das
músicas, assim como o estilo de jogo, também é
sempre trocado. Entretanto, assim como as bandas, o clube de futebol
continua com seus milhares de torcedores (ou fãs) e não
perde a sua fama.
Por outro lado, deve-se ressaltar que os torcedores
não costumam mudar o time. Já os fãs destas
bandas dificilmente as acompanham por mais de dois anos. Caso você
não se enquadre neste seleto grupo de pessoas, recomendo
que leia as informações abaixo.
Algumas bandas que se enquadram no rótulo
Música Futebol Clube:
DOMINÓ:
Criado pela agência Promoart, de Gugu Liberato, a mais célebre
formação do grupo contava com Nill, Afonso, Marcelo
e Marcos. Foi ainda na década de 80 que emplacaram seus maiores
sucessos, relembrados até os dias atuais, como “Companheiro”,
“Com Todos Menos Comigo”, “P da Vida” e
“Manequim”. No início da década de 90,
o ator da Globo Rodrigo Faro chegou a participar da banda. A última
coisa que você deve ter ouvido deles é a música
“Baila Comigo”.
Últimas informações sobre
os integrantes originais: Nill se converteu à religião
evangélica; lançou alguns CDs solo e apresentou até
o ano passado o programa Gospel Line. Afonso: também
tentou prosseguir na música em carreira solo - como Afonso
Nigro; atualmente, faz parte da competente banda Mano a Mano (que
também conta com ex-integrantes do Rádio-Táxi),
que basicamente toca covers de bandas dos anos 80. Marcos: a última
informação divulgada sobre ele dava conta de que era
o empresário da apresentadora Eliana. Marcelo: acho que o
vi num Programa Livre há alguns anos, mas não
me lembro de nada. Para quem está com saudades: alugue Os
Fantasmas Trapalhões ou Os Trapalhões na Terra
dos Monstros, entre outros.
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| Los Ultimos Heroes |
MENUDO: Criado
em 1977, esta banda talvez seja o maior exemplo de Música
Futebol Clube. Quem tiver seus álbuns em casa pode reparar
que dificilmente encontrará dois discos com a mesma formação.
Isto porque todos os meninos que completavam 18 anos eram obrigados
a deixar o grupo. A terceira geração chegou a gravar
uma novela para um canal de televisão argentino. Infelizmente,
a fórmula se esgotou em meados da década de 90. Os
cinco últimos integrantes do grupo (Rawy, Rober, Sergio,
Angelo e Rubén) se reuniram neste ano e fizeram shows como
“Los
Ultimos Heroes”.
De Porto Rico para o mundo, o Menudo foi responsável
pelo lançamento de Robby Rosa e Ricky Martin. O segundo tornou-se
inegavelmente bem sucedido. O primeiro, além de atuar brilhantemente
no filme Lambada, Ritmo Proibido, foi produtor dos três
últimos discos de Ricky. Johnny Lozada, que participou do
Menudo entre 1979 e 1984, pode ser visto no Brasil nas novelas Amigas
e Rivais e Cúmplices de um Resgate, veiculadas
pelo SBT.
POLEGAR: Também
lançado pela Promoart nos anos 80, o Polegar não teve
tantas formações. O tecladista Alan, por exemplo,
até hoje participa do grupo - sim, ele ainda existe. Seus
maiores sucessos foram “Dá Pra Mim”, “Ela
Não Liga” e “Sou Como Sou”. Rafael (Ilha)
foi o mais famoso da banda. Depois de ter namorado a atriz Cristiana
de Oliveira, o rapaz se envolveu com drogas, foi preso por tentar
roubar um real e um passe de ônibus para comprar crack, e
tenta voltar ao estrelato cantando músicas evangélicas.
Últimas informações:
Alan se formou em Medicina e continua com a banda. O bateirista
Ricardo permaneceu na banda até 1999 e em 2000 posou para
um ensaio fotográfico para a revista G Magazine. O
vocalista e baixista Alex continua a apostar na música; boatos
dizem que ele compôs duas músicas para a dupla ET &
Rodolfo.
TIMBIRICHE: Extinto
grupo mexicano, fez sucesso nas décadas de 80 e 90. Diferentemente
dos outros três, este também contava com garotas. Entre
elas, a cantora - e atriz de novelas, como na trilogia Maria
Mercedes, Marimar e Maria do Bairro - Thalia.
Muitas músicas do grupo acabaram traduzidas para o português
em sucessos do Dominó e do Polegar. Para quem quiser, é
só baixar: “Con Todos Menos Comigo”, “Amame
hasta con los Dientes” (“Dá Pra Mim”) e
“Soy un Desastre” (“Ela Não Liga”).

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