| SOEM O ALARME!
Christina Aguilera se despe do pop
adolescente e embarca em uma viagem cheia de confissões,
temperada com muito r&b, em Stripped
por Julio
Cesar Ibelli Mello (jcim13@ig.com.br)
 la
bateu, apanhou e rebolou até o chão com uma micro-saia
indecente no videoclipe de “Dirrty”. Posou para uma
sessão de fotos de fazer inveja à mais baixa revista
pornográfica, deixando no chinelo a capa da Rolling Stone,
em que apareceu nua junto à uma guitarra. Um furacão
chamado Christina Aguilera voltou ao showbizz no final de 2002.
Criou polêmica, surpreendeu muita gente, mas o fato é
que ela já vinha ensaiando há tempos um retorno sem
máscaras, ou com uma outra maior dessa vez. O disco Stripped,
recém-lançado com 20 faixas, um presente para os fãs,
em nada lembra seu debute fonográfico de 99: uma porção
de músicas pré-fabricadas prontas para receberem sua
voz por cima. Christina também é agora co-autora da
maioria de suas músicas, pelo menos é o que diz o
encarte do CD.
Stripped começa com uma faixa homônima
introdutória, uma vinheta. Ouvem-se as vozes da própria
Christina em entrevistas e de outros dois conhecidos desafetos da
cantora, o vocalista do Limp Bizkit, Fred Durst e do rapper Eminem,
devidamente censurados pelos palavrões que falam. Ainda há
Kurt Loder, o famoso VJ da MTV americana, anunciando Christina e
a sua versão das tretas em que esteve envolvida. Segue-se
então uma lista de pedidos de desculpas por parte dela: por
ter falado o que der na telha, ter mostrado quem realmente era...
O que é isso, Christina, de nada!
É
um álbum confessional sim. Em “I’m Ok”,
Christina canta as encanações com o pai, e se decepciona
com o tédio da convivência em um relacionamento em
“Underappreciated”. Ainda há a deliciosa “Infatuation”,
primeira música apresentada e confirmada do novo trabalho,
a história do romance platônico, e já encerrado,
com seu antigo dançarino.
Eminem continua a ser alfinetado indiretamente em
“Can’t Hold Us Down”, onde Christina se questiona
porque os homens sempre falam o que querem, saem por cima, e as
mulheres ficam com a fama de vagabundas. A música ainda tem
a participação da garota sangue-bom do rap americano
Lil’ Kim, a mesma de “Lady Marmalade”.
Aliás, influências de rap e participações
especiais são o que não faltam. Se depender desses
dois fatores, mais a continuidade da pirotecnia na voz de Christina,
então as comparações estavam certas e ela segue
no caminho para se tornar a nova Mariah Carey. Além do rapper
Redman na frenética “Dirrty”, Alicia Keys deixa
sua marca inconfundível ao escrever, compor e fazer os arranjos
apenas para que Christina solte a voz em “Impossible”.
Ainda há o guitarrista Dave Navarro (ex-Red Hot Chili Peppers
e Jane’s Adiction, hoje em carreira solo) em “Fighter”.
Stripped com certeza não deve ter saído uma bagatela
aos cofres da gravadora de Aguilera, a RCA/BMG.
As
baladas brotam. Em “Walk Away” é preciso abaixar
o volume para que Christina não estoure a caixa de som com
um de seus costumeiros gritos. “Loving Me 4 Me”, “Soar”
e “Beautiful”, essa última o “hino-loser”,
disputam ser a música mais bonita e calminha do álbum.
Mas ainda tem bastante piração: “Make Over”
é uma das melhores e a mais alucinante faixa do disco.
Os bullshit’s e bitch’s
se espalham. Na contagiante “Get Mine, Get Yours”, tudo
o que ela quer é uma noite de amor, mas adverte: “não
vá se apaixonar!”. Christina voltou suja, ela é
assim, meio insana mesmo, fazer o quê? Mas voltou com um trabalho
pop de altíssima qualidade. Ela e Justin Timberlake já
podem fazer jus à rei e rainha do R&B contra qualquer
Usher e Jennifer Lopez da vida.
Não faltou quase nada. Só um pouquinho
de vergonha na cara e aquele selinho na capa do disco, advertindo
os pais para o conteúdo explícito das letras... 
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