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9 a 22 de janeiro de 2003


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SOEM O ALARME!
Christina Aguilera se despe do pop adolescente e embarca em uma viagem cheia de confissões, temperada com muito r&b, em Stripped

por Julio Cesar Ibelli Mello (jcim13@ig.com.br)

la bateu, apanhou e rebolou até o chão com uma micro-saia indecente no videoclipe de “Dirrty”. Posou para uma sessão de fotos de fazer inveja à mais baixa revista pornográfica, deixando no chinelo a capa da Rolling Stone, em que apareceu nua junto à uma guitarra. Um furacão chamado Christina Aguilera voltou ao showbizz no final de 2002. Criou polêmica, surpreendeu muita gente, mas o fato é que ela já vinha ensaiando há tempos um retorno sem máscaras, ou com uma outra maior dessa vez. O disco Stripped, recém-lançado com 20 faixas, um presente para os fãs, em nada lembra seu debute fonográfico de 99: uma porção de músicas pré-fabricadas prontas para receberem sua voz por cima. Christina também é agora co-autora da maioria de suas músicas, pelo menos é o que diz o encarte do CD.

Stripped começa com uma faixa homônima introdutória, uma vinheta. Ouvem-se as vozes da própria Christina em entrevistas e de outros dois conhecidos desafetos da cantora, o vocalista do Limp Bizkit, Fred Durst e do rapper Eminem, devidamente censurados pelos palavrões que falam. Ainda há Kurt Loder, o famoso VJ da MTV americana, anunciando Christina e a sua versão das tretas em que esteve envolvida. Segue-se então uma lista de pedidos de desculpas por parte dela: por ter falado o que der na telha, ter mostrado quem realmente era... O que é isso, Christina, de nada!

É um álbum confessional sim. Em “I’m Ok”, Christina canta as encanações com o pai, e se decepciona com o tédio da convivência em um relacionamento em “Underappreciated”. Ainda há a deliciosa “Infatuation”, primeira música apresentada e confirmada do novo trabalho, a história do romance platônico, e já encerrado, com seu antigo dançarino.

Eminem continua a ser alfinetado indiretamente em “Can’t Hold Us Down”, onde Christina se questiona porque os homens sempre falam o que querem, saem por cima, e as mulheres ficam com a fama de vagabundas. A música ainda tem a participação da garota sangue-bom do rap americano Lil’ Kim, a mesma de “Lady Marmalade”.

Aliás, influências de rap e participações especiais são o que não faltam. Se depender desses dois fatores, mais a continuidade da pirotecnia na voz de Christina, então as comparações estavam certas e ela segue no caminho para se tornar a nova Mariah Carey. Além do rapper Redman na frenética “Dirrty”, Alicia Keys deixa sua marca inconfundível ao escrever, compor e fazer os arranjos apenas para que Christina solte a voz em “Impossible”. Ainda há o guitarrista Dave Navarro (ex-Red Hot Chili Peppers e Jane’s Adiction, hoje em carreira solo) em “Fighter”. Stripped com certeza não deve ter saído uma bagatela aos cofres da gravadora de Aguilera, a RCA/BMG.

As baladas brotam. Em “Walk Away” é preciso abaixar o volume para que Christina não estoure a caixa de som com um de seus costumeiros gritos. “Loving Me 4 Me”, “Soar” e “Beautiful”, essa última o “hino-loser”, disputam ser a música mais bonita e calminha do álbum. Mas ainda tem bastante piração: “Make Over” é uma das melhores e a mais alucinante faixa do disco.

Os bullshit’s e bitch’s se espalham. Na contagiante “Get Mine, Get Yours”, tudo o que ela quer é uma noite de amor, mas adverte: “não vá se apaixonar!”. Christina voltou suja, ela é assim, meio insana mesmo, fazer o quê? Mas voltou com um trabalho pop de altíssima qualidade. Ela e Justin Timberlake já podem fazer jus à rei e rainha do R&B contra qualquer Usher e Jennifer Lopez da vida.

Não faltou quase nada. Só um pouquinho de vergonha na cara e aquele selinho na capa do disco, advertindo os pais para o conteúdo explícito das letras...