| IGUARIAS CADA VEZ MAIS CARAS
Porque os singles são tão
difíceis de encontrar e tão caros? Gravadoras brasileiras
começam a investir nessa área do mercado tão
valorizada lá fora
por Rodrigo
Herrero Lopes (laugh.dross@bol.com.br)
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| All My Life: sucesso garantido
no Brasil |
er fã de banda de rock estrangeira não é fácil.
Além do preço absurdo dos álbuns lançados
aqui no Brasil, muitas preciosidades vendidas em outros continentes
são bem complicadas de se encontrar por aqui. É o
caso dos singles, que são aqueles CDs que possuem a música
de trabalho com algumas faixas bônus. As chamadas “bonus
tracks” incluem às vezes covers de outros grupos, versões
ao vivo, ou até canções inéditas que
ficaram de fora do disco. Há casos em que é inserida
inclusive uma faixa interativa, contendo o videoclipe da banda e
mais alguma surpresa, que pode ser uma entrevista ou fotos do estúdio
durante as gravações.
O problema para quem decide ir atrás dessas
“maravilhas” consiste no fato de que as gravadoras brasileiras
dificilmente fabricam esses CDs. Não há uma cultura
junto ao público na venda desse material, que é uma
extensão do trabalho da banda e deveria ser apreciada e cultivada.
Até pela condição econômica do brasileiro
atualmente, o mercado para esse tipo de produto encontra-se muito
restrito. Muitas pessoas não desejam pagar R$ 10 (ou mais)
em um CD com três, quatro músicas no máximo.
Não é como na Europa, principalmente na Inglaterra,
em que, além do poder aquisitivo dessa população
ser maior, os singles são bastante valorizados. Eles possuem
um público grande e servem como cartão de visita para
o álbum. No Japão, o culto a essas raridades é
tanto que muitas bandas de rock que lançam seus trabalhos
nesse país põem uma ou duas faixas como bônus.
Outros lançam os chamados EPs, que possuem mais canções
que a edição britânica, por exemplo, e também
com músicas diferentes das que existem nos outros países,
tornando-os de uma raridade e preço incríveis.
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| Don’t Go Away: raridade apenas
para os japoneses |
Um exemplo desse privilégio aos japoneses
é o último trabalho do Foo Fighters. Além das
onze músicas lançadas no CD, a versão oriental
contém a faixa bônus “Danny Says”, que
é uma cover dos Ramones. Esta canção encontra-se
também no segundo single britânico de “All My
Life”, juntamente com “The One”, que está
também na trilha sonora do filme Orange County. Bom,
ao menos quem não pode comprar o CD japonês encontra
a tal faixa em um single. Esse “favorecimento” acontece,
como já dissemos, com a maioria das bandas, que possuem um
mercado fortíssimo no Japão e lançam raridades
apenas para esse público. Outro exemplo, mais antigo, é
dos ingleses do Oasis, que colocaram em 1998 o single de “Don’t
Go Away” apenas naquele país, com canções
ao vivo e outras versões para faixas do álbum Be
Here Now, do mesmo ano.
Para quem mora no Brasil, conseguir essas raridades
é um verdadeiro desafio. Com o dólar nas alturas,
os preços desses produtos encarecem, impossibilitando os
mais fanáticos de conseguí-los. Isso sem falar na
dificuldade que é achar os singles do começo da carreira
dessas bandas, cada vez mais raros e mais caros. Uma alternativa
é visitar sites de leilão, como o Mercado
Livre, onde é possível encontrá-los. O
problema é que alguns às vezes são usados,
condicionando uma boa compra à honestidade do vendedor com
relação a qualidade do produto. O melhor mesmo é
comprar pela web, através das importadoras brasileiras CD
Point e London
Calling, ou nas lojas da galeria do rock em São Paulo,
que também fazem importações. Contudo, o jeito
é preparar o bolso pois o preço dos singles nestes
lugares varia entre R$ 50,00 à R$75,00 reais.
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| Compacto Marisa Monte –
os primeiros passos do Brasil nesse mercado |
Mas surge uma luz no fim do túnel para os
fanáticos que não possuem essa grana toda para gastar.
Algumas gravadoras engatinham em lançar algo parecido de
seus artistas nacionais. É o caso da EMI que colocou nas
lojas um compacto da Marisa Monte, com duas músicas do último
show da cantora (“A Sua” e “Ontem Ao Luar”,
sucesso com Vicente Celestino), mais uma faixa interativa com um
videoclipe. Já a BMG, após o estrondoso sucesso da
versão remixada de “Little Less Conversation”
do Elvis no comercial da Nike, apostou na venda desse single por
aqui e deu certo. Hoje, esse é um dos CDs mais vendidos,
junto com a recente coletânea do “rei do rock”,
Elvis – 30 # 1 Hits. Fato que levou a gravadora a lançar
outro produto de mesmo formato no Brasil. Este se chama “Burning
Love” e possui outras versões dessa mesma música.
No embalo desse sucesso todo em torno do Elvis, a BMG também
apostou em outro grupo internacional: o Foo Fighters. Foi lançado
o single da música “All My Life”, que possui,
além da faixa-título, o cover “Sister Europe”
e “Win Or Lose”, uma nova versão para “Make
A Bet”, que se encontra no single de “Learn To Fly”,
do disco anterior. O single conta também com uma faixa interativa,
contendo o clipe da música de trabalho. Este CD, que é
idêntico ao primeiro single britânico, também
está entre os mais vendidos do site Submarino.
Isto alavancou as vendas do álbum One By One, por
custar muito barato (em torno de R$ 7,00 reais) e promover bem o
disco novo do grupo.
Parece que aos poucos as gravadoras começam
a olhar para esse mercado valioso e de um potencial enorme. O problema
é o precário cuidado com as versões nacionais
dos singles estrangeiros. Tudo porquê em alguns casos somente
o primeiro CD é lançado, e quando as vendas não
são satisfatórias, na visão mercantilista dessas
corporações, não há preocupação
em colocar o “compacto” seguinte no mercado, impossibilitando
qualquer vínculo com o consumidor. É preciso criar
o costume no público brasileiro em adquirir esse material.
Primeiramente, diminuindo os preços nas lojas. Depois, fabricando
cada vez mais, com compromisso e zelo, para que se possa ter um
número vasto de opções para os fãs mais
ardorosos. Tudo sem precisar recorrer a importadoras nacionais ou
do exterior, que cobram fortunas por um produto tão barato
e eficaz comercialmente quanto o single. E que, por isso mesmo,
deveria ser mais valorizado e cultivado pelas gravadoras e público
brasileiros. 
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