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9 a 22 de janeiro de 2003


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IGUARIAS CADA VEZ MAIS CARAS
Porque os singles são tão difíceis de encontrar e tão caros? Gravadoras brasileiras começam a investir nessa área do mercado tão valorizada lá fora

por Rodrigo Herrero Lopes (laugh.dross@bol.com.br)

 

 All My Life: sucesso garantido no Brasil

er fã de banda de rock estrangeira não é fácil. Além do preço absurdo dos álbuns lançados aqui no Brasil, muitas preciosidades vendidas em outros continentes são bem complicadas de se encontrar por aqui. É o caso dos singles, que são aqueles CDs que possuem a música de trabalho com algumas faixas bônus. As chamadas “bonus tracks” incluem às vezes covers de outros grupos, versões ao vivo, ou até canções inéditas que ficaram de fora do disco. Há casos em que é inserida inclusive uma faixa interativa, contendo o videoclipe da banda e mais alguma surpresa, que pode ser uma entrevista ou fotos do estúdio durante as gravações.

O problema para quem decide ir atrás dessas “maravilhas” consiste no fato de que as gravadoras brasileiras dificilmente fabricam esses CDs. Não há uma cultura junto ao público na venda desse material, que é uma extensão do trabalho da banda e deveria ser apreciada e cultivada. Até pela condição econômica do brasileiro atualmente, o mercado para esse tipo de produto encontra-se muito restrito. Muitas pessoas não desejam pagar R$ 10 (ou mais) em um CD com três, quatro músicas no máximo. Não é como na Europa, principalmente na Inglaterra, em que, além do poder aquisitivo dessa população ser maior, os singles são bastante valorizados. Eles possuem um público grande e servem como cartão de visita para o álbum. No Japão, o culto a essas raridades é tanto que muitas bandas de rock que lançam seus trabalhos nesse país põem uma ou duas faixas como bônus. Outros lançam os chamados EPs, que possuem mais canções que a edição britânica, por exemplo, e também com músicas diferentes das que existem nos outros países, tornando-os de uma raridade e preço incríveis.

Don’t Go Away: raridade apenas para os japoneses

Um exemplo desse privilégio aos japoneses é o último trabalho do Foo Fighters. Além das onze músicas lançadas no CD, a versão oriental contém a faixa bônus “Danny Says”, que é uma cover dos Ramones. Esta canção encontra-se também no segundo single britânico de “All My Life”, juntamente com “The One”, que está também na trilha sonora do filme Orange County. Bom, ao menos quem não pode comprar o CD japonês encontra a tal faixa em um single. Esse “favorecimento” acontece, como já dissemos, com a maioria das bandas, que possuem um mercado fortíssimo no Japão e lançam raridades apenas para esse público. Outro exemplo, mais antigo, é dos ingleses do Oasis, que colocaram em 1998 o single de “Don’t Go Away” apenas naquele país, com canções ao vivo e outras versões para faixas do álbum Be Here Now, do mesmo ano.

Para quem mora no Brasil, conseguir essas raridades é um verdadeiro desafio. Com o dólar nas alturas, os preços desses produtos encarecem, impossibilitando os mais fanáticos de conseguí-los. Isso sem falar na dificuldade que é achar os singles do começo da carreira dessas bandas, cada vez mais raros e mais caros. Uma alternativa é visitar sites de leilão, como o Mercado Livre, onde é possível encontrá-los. O problema é que alguns às vezes são usados, condicionando uma boa compra à honestidade do vendedor com relação a qualidade do produto. O melhor mesmo é comprar pela web, através das importadoras brasileiras CD Point e London Calling, ou nas lojas da galeria do rock em São Paulo, que também fazem importações. Contudo, o jeito é preparar o bolso pois o preço dos singles nestes lugares varia entre R$ 50,00 à R$75,00 reais.

 Compacto Marisa Monte – os primeiros passos do Brasil nesse mercado

Mas surge uma luz no fim do túnel para os fanáticos que não possuem essa grana toda para gastar. Algumas gravadoras engatinham em lançar algo parecido de seus artistas nacionais. É o caso da EMI que colocou nas lojas um compacto da Marisa Monte, com duas músicas do último show da cantora (“A Sua” e “Ontem Ao Luar”, sucesso com Vicente Celestino), mais uma faixa interativa com um videoclipe. Já a BMG, após o estrondoso sucesso da versão remixada de “Little Less Conversation” do Elvis no comercial da Nike, apostou na venda desse single por aqui e deu certo. Hoje, esse é um dos CDs mais vendidos, junto com a recente coletânea do “rei do rock”, Elvis – 30 # 1 Hits. Fato que levou a gravadora a lançar outro produto de mesmo formato no Brasil. Este se chama “Burning Love” e possui outras versões dessa mesma música. No embalo desse sucesso todo em torno do Elvis, a BMG também apostou em outro grupo internacional: o Foo Fighters. Foi lançado o single da música “All My Life”, que possui, além da faixa-título, o cover “Sister Europe” e “Win Or Lose”, uma nova versão para “Make A Bet”, que se encontra no single de “Learn To Fly”, do disco anterior. O single conta também com uma faixa interativa, contendo o clipe da música de trabalho. Este CD, que é idêntico ao primeiro single britânico, também está entre os mais vendidos do site Submarino. Isto alavancou as vendas do álbum One By One, por custar muito barato (em torno de R$ 7,00 reais) e promover bem o disco novo do grupo.

Parece que aos poucos as gravadoras começam a olhar para esse mercado valioso e de um potencial enorme. O problema é o precário cuidado com as versões nacionais dos singles estrangeiros. Tudo porquê em alguns casos somente o primeiro CD é lançado, e quando as vendas não são satisfatórias, na visão mercantilista dessas corporações, não há preocupação em colocar o “compacto” seguinte no mercado, impossibilitando qualquer vínculo com o consumidor. É preciso criar o costume no público brasileiro em adquirir esse material. Primeiramente, diminuindo os preços nas lojas. Depois, fabricando cada vez mais, com compromisso e zelo, para que se possa ter um número vasto de opções para os fãs mais ardorosos. Tudo sem precisar recorrer a importadoras nacionais ou do exterior, que cobram fortunas por um produto tão barato e eficaz comercialmente quanto o single. E que, por isso mesmo, deveria ser mais valorizado e cultivado pelas gravadoras e público brasileiros.