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23 de janeiro a 5 de fevereiro de 2003


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IGUAIS NO PAREDÃO
Novo Big Brother traz casa e regras novas, mas elenco continua homogêneo e sem brilho

por Marcel Nadale (marcel@rabisco.com.br)

au. Um novo Big Brother começou e a mudança mais radical foi a (chocante, confesso) troca de palhas de aço como anunciante. A marca líder do mercado (aquela de mil e uma utilidades) caiu fora. Mau sinal. No seu lugar, surgiu uma outra, que supostamente “é um fenômeno que cresce a cada dia” - e nada poderia contradizer com mais ironia o que se espera desta terceira edição do reality show global.

Não se engane. Regidas pelo darwinismo televisivo, todas as outras mudanças operadas por Boninho na estrutura do Big Brother apenas servem para mantê-lo exatamente igual. Ou com um apelo exatamente igual. Do exterior, a Globo não apenas importou o formato do programa, mas também extraiu lições importantíssimas acerca de sua manutenção. Nos EUA, a CBS tem se virado como pode para mudar, a cada temporada, as regras de seu líder de audiência Survivor. O resultado não tem sido muito satisfatório: uma parcela dos participantes ainda consegue antever as estratégias e reviravoltas preparadas; e a parcela restante é simplesmente... sem brilho, na falta de termo melhor.

É principalmente deste último pecado capital que sofre o terceiro Big Brother brazuca. O grupo retornou à heterogeneidade reinante da primeira edição, agravada pela desnecessária elevação do número de competidores para 14. Entre as sete mulheres, cinco são siliconadas (e perdoem-me a visão machista, mas já me é um indício de que apenas duas possuem alguma essência que vale ser notada - e, mesmo que a identidade da dupla permaneça em sigilo, já tenho cá meus palpites). A mais velha tem (audazes) 38 anos, mas aparenta 35. Todas são lindas, malhadas, bronzeadas, seguras de si. Em suma: vacas num rebanho (e não me refiro aqui à conotação sexual do termo “vaca”; ao menos, não ainda).

Um dos homens, o motoqueiro Dilson, já fez questão de marcar a ferro sua mimosa, no melhor estilo Thyrso de ser. Como ele, o restante dos homens também aparenta certa variedade capciosa. Há ainda um fotógrafo com panca de Caetano Zonaro, um DJ bonitão à la Fernando e (milagre) um gordinho zen. No rebuliço das primeiras semanas, onde a descoberta da câmera chega a ser um momento digno de anos de estudo antropológico, a massa parece ainda mais uniforme e pouco especial. É necessária paciência estóica para não desligar a TV antes de subir os letreiros. Por outro lado, nenhum ali apresenta perspicácia ou carisma o suficiente para não deixar-se controlar pelo jogo (como anda ocorrendo em Survivor), o que deve garantir algumas boas semanas de diversão para nós, espectadores sádicos. Deixemos o seletor de canal do controle remoto em paz, por enquanto.

Agora, a cada semana, serão eleitos o líder da casa (que permanece imune pelos próximos dias e indica alguém para o paredão) e o "anjo da guarda", uma novidade. O anjo poderá conceder imunidade a mais alguém. Ou seja, vai se tornar uma espécie de lobbysta interno. Fomentar intrigas é o objetivo máximo desta nova temporada, e devo dizer que houve algumas iniciativas inteligentes neste sentido. A primeira prova para definir o líder e garantir a comida da semana foi o mesmo teste de resistência noite adentro, visto em BBB 1 e 2. Desta vez, porém, a dupla de vencedores (o jogador de basquete Alan e a professora de ginástica Samantha) ganhará mil reais a cada semana que permanecerem juntos no programa. Ou seja, os dois terão de se proteger mutuamente se quiserem um prêmio mais rechonchudo. Isolar o quarto do líder e criar diferentes níveis de conforto para cada aposento também foram boas sacadas da produção, e deve garantir um saldo extra de brigas, fofocas e confabulações.

As mudanças, porém, continuam parecendo imediatistas demais, prosaicas até; e pensar a curto prazo, na TV, pode ser fatal. A longevidade do programa continua incerta. Big Brother Brasil 3 estreou com audiência inferior à da primeira versão e share inferior ao da segunda. Em tempos de Esperança, porém, as perspectivas globais são diferentes. O BBB 3 já é considerado um sucesso. E a teoria simplista da baixaria televisiva mostra-se indefectível mais uma vez: em tempos de vacas magras, a salvação é mostrar vacas curvilíneas. De preferência, de sunga ou biquíni.