| IGUAIS NO PAREDÃO
Novo Big Brother traz casa
e regras novas, mas elenco continua homogêneo e sem brilho
por Marcel
Nadale (marcel@rabisco.com.br)

au. Um novo Big Brother começou e a mudança
mais radical foi a (chocante, confesso) troca de palhas de aço
como anunciante. A marca líder do mercado (aquela de mil
e uma utilidades) caiu fora. Mau sinal. No seu lugar, surgiu uma
outra, que supostamente “é um fenômeno que cresce
a cada dia” - e nada poderia contradizer com mais ironia o
que se espera desta terceira edição do reality show
global.
Não se engane. Regidas pelo darwinismo televisivo,
todas as outras mudanças operadas por Boninho na estrutura
do Big Brother apenas servem para mantê-lo exatamente
igual. Ou com um apelo exatamente igual. Do exterior, a Globo não
apenas importou o formato do programa, mas também extraiu
lições importantíssimas acerca de sua manutenção.
Nos EUA, a CBS tem se virado como pode para mudar, a cada temporada,
as regras de seu líder de audiência Survivor.
O resultado não tem sido muito satisfatório: uma parcela
dos participantes ainda consegue antever as estratégias e
reviravoltas preparadas; e a parcela restante é simplesmente...
sem brilho, na falta de termo melhor.
É principalmente deste último pecado
capital que sofre o terceiro Big Brother brazuca. O grupo
retornou à heterogeneidade reinante da primeira edição,
agravada pela desnecessária elevação do número
de competidores para 14. Entre as sete mulheres, cinco são
siliconadas (e perdoem-me a visão machista, mas já
me é um indício de que apenas duas possuem alguma
essência que vale ser notada - e, mesmo que a identidade da
dupla permaneça em sigilo, já tenho cá meus
palpites). A mais velha tem (audazes) 38 anos, mas aparenta 35.
Todas são lindas, malhadas, bronzeadas, seguras de si. Em
suma: vacas num rebanho (e não me refiro aqui à conotação
sexual do termo “vaca”; ao menos, não ainda).
Um
dos homens, o motoqueiro Dilson, já fez questão de
marcar a ferro sua mimosa, no melhor estilo Thyrso de ser. Como
ele, o restante dos homens também aparenta certa variedade
capciosa. Há ainda um fotógrafo com panca de Caetano
Zonaro, um DJ bonitão à la Fernando e (milagre) um
gordinho zen. No rebuliço das primeiras semanas, onde a descoberta
da câmera chega a ser um momento digno de anos de estudo antropológico,
a massa parece ainda mais uniforme e pouco especial. É necessária
paciência estóica para não desligar a TV antes
de subir os letreiros. Por outro lado, nenhum ali apresenta perspicácia
ou carisma o suficiente para não deixar-se controlar pelo
jogo (como anda ocorrendo em Survivor), o que deve garantir
algumas boas semanas de diversão para nós, espectadores
sádicos. Deixemos o seletor de canal do controle remoto em
paz, por enquanto.
Agora, a cada semana, serão eleitos o líder
da casa (que permanece imune pelos próximos dias e indica
alguém para o paredão) e o "anjo da guarda",
uma novidade. O anjo poderá conceder imunidade a mais alguém.
Ou seja, vai se tornar uma espécie de lobbysta interno. Fomentar
intrigas é o objetivo máximo desta nova temporada,
e devo dizer que houve algumas iniciativas inteligentes neste sentido.
A primeira prova para definir o líder e garantir a comida
da semana foi o mesmo teste de resistência noite adentro,
visto em BBB 1 e 2. Desta vez, porém, a dupla
de vencedores (o jogador de basquete Alan e a professora de ginástica
Samantha) ganhará mil reais a cada semana que permanecerem
juntos no programa. Ou seja, os dois terão de se proteger
mutuamente se quiserem um prêmio mais rechonchudo. Isolar
o quarto do líder e criar diferentes níveis de conforto
para cada aposento também foram boas sacadas da produção,
e deve garantir um saldo extra de brigas, fofocas e confabulações.
As
mudanças, porém, continuam parecendo imediatistas
demais, prosaicas até; e pensar a curto prazo, na TV, pode
ser fatal. A longevidade do programa continua incerta. Big Brother
Brasil 3 estreou com audiência inferior à da primeira
versão e share inferior ao da segunda. Em tempos de
Esperança, porém, as perspectivas globais são
diferentes. O BBB 3 já é considerado um sucesso.
E a teoria simplista da baixaria televisiva mostra-se indefectível
mais uma vez: em tempos de vacas magras, a salvação
é mostrar vacas curvilíneas. De preferência,
de sunga ou biquíni. 
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