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23 de janeiro a 5 de fevereiro de 2003


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FUTEBOL NO SBT (?)
Brigas e trapalhadas fazem da experiência esportiva do SBT algo meramente fugaz

por Rodrigo Herrero Lopes (laugh.dross@bol.com.br)

uando o SBT anunciou que estaria voltando às transmissões do esporte, mais especificamente do futebol, muitas pessoas – inclusive do meio jornalístico – simpatizaram com a idéia, dizendo assim que findaria o monopólio da Rede Globo, e também abriria o mercado para novos e bons profissionais se instalarem na TV brasileira. Pois bem, o SBT anunciou que exibiria inicialmente o Campeonato Sul-americano Sub-20 de Futebol, o Torneio de Seleções sub-23 no Catar e o Campeonato Paulista. Entre alguns profissionais, contratou Dirceu “Maravilha”, conhecidíssimo locutor de rádio, que trabalhava na Rádio Bandeirantes antes de se aventurar no ramo televisivo, o sumido e desnecessário apresentador Elia Júnior, o ex-goleiro Zetti, estreando como comentarista, o músico Léo Jaime e Mariah Morais, desconhecida comentarista, ao menos por parte do público.

Veio o primeiro jogo, e a impressão que ficou é que Silvio Santos investiu nisso apenas para, digamos, “passar uma temporada”, aventurar-se sem maiores conseqüências nesse meio. Zetti não funciona na função que foi designado, pois nem o óbvio ele consegue enxergar (assim como Raí: como comentarista, um ótimo jogador). Léo Jaime dando o “tom” do jogo foi de lascar. Ora “charanga andina”, ora “vai dar samba”, o músico pouco acrescentou à transmissão. Mariah Morais, com a “opinião feminina do SBT”, também não funcionou. Pouco falava e, quando o fazia, era para indicar quem estava jogando de “salto alto”. Parece que o preconceito quanto as mulheres no futebol está estampado nas partidas do SBT. Elia Júnior continua o mesmo: pouco soma à equipe e nada de importante faz para prender a atenção de seu telespectador. O único a se salvar foi Dirceu “Maravilha”, que trouxe a agilidade do rádio para a monotonia da narração dos jogos da televisão. Claro que ainda precisa acertar algumas coisas, diminuir os exageros cometidos pelo hábito radialista, mas nada que uma seqüência de trabalho (que não se sabe se ele terá) não corrija. Talvez para ajudar, contrataram Paulo Andrade, um desconhecido e jovem narrador, que pode ter a sua chance de se firmar em uma TV de grande alcance.

Quem pensa que o “futebol no SBT” foi desastroso apenas no primeiro jogo, se enganou completamente. As transmissões se arrastaram por várias partidas, em comentários pífios, sem nenhuma opinião concisa e real do jogo. A seleção brasileira vencia facilmente seus adversários, mais por incompetência dos mesmos do que por qualidade do futebol canarinho, e empolgava-se com tanto ardor que parecia que seríamos hexa-campeões do mundo pela equipe principal, quando o torneio na verdade era fraco em sua essência. Possui três times de gabarito, no máximo, tanto que o Brasil vem dominando nas últimas edições e deverá vencer também essa.

Mas quando se pensa que ao menos as exibições serão de qualidade, isso fica apenas no figurativo. No segundo tempo da peleja entre Brasil e Uruguai do dia 09/01, o sinal vindo de Montevidéu caiu e quem assistia ao jogo foi obrigado a agüentar Elia Júnior falando asneiras e mostrando gols de outros confrontos. Quando voltou o sinal, o apresentador ainda estava falando, e no telão atrás dele o Brasil marcava o segundo gol. Nisso, o narrador saiu correndo para gritar, em uma atrapalhada digna de programas como Topa Tudo Por Dinheiro que Silvio Santos adora fazer. O mesmo fato ocorreu no dia 14/1, durante exibição da contenda entre Brasil e Noruega no Catar, válida pelo Torneio Internacional de Seleções sub-23, quando o sinal só apareceu por volta dos 24 do primeiro tempo, quando o Brasil já vencia por um tento a zero.

ALÉM DAS “PATAQUADAS”, AS BRIGAS JURÍDICAS

Já a exibição do Paulistão-2003, tão alardeada pelo SBT, corre risco. A Globo está fazendo jus ao contrato que tem com a FPF (Federação Paulista de Futebol), ganhando na Justiça uma liminar que lhe devolve os direitos de transmissão do campeonato. A temporada de caça na famosa “guerra das liminares” do futebol está aberta.

A história é complicada e não cheira bem. Tudo começou quando a FPF pediu R$ 12 milhões por 12 jogos do Estadual. A Globo, por contrato, possuía a preferência até o dia 29 de dezembro para aceitar ou não, mas a princípio recusou. Com isso, Eduardo José Farah – presidente da FPF – procurou outra emissora que quisesse televisionar o torneio. O SBT se manifestou, fez uma proposta e fechou contrato com a Federação, faltando vinte dias ainda para o vencimento do prazo da preferência da Globo. Acontece que, no dia 27 de dezembro – dois dias para vencer o prazo, portanto – a Globo enviou carta a FPF aceitando as condições do contrato. Com isso, nenhuma outra emissora poderia deter os direitos do Paulistão. Houve tentativas fracassadas de acordo entre as duas redes de televisão, o que levou a Globo a ir à Justiça e conseguir no dia 17/01 – através de liminar que ainda pode ser cassada – reaver os direitos do campeonato, sob pena de multa para a Federação, caso não seja cumprida a ordem judicial.

E o mais interessante é que a todo o momento o SBT avisa em sua programação que irá televisionar uma rodada dupla no sábado dia 25/01. E se verificar no site da emissora, o Paulistão-2003 está em destaque, informando que haverá rodadas exibidas às quartas-feiras, às 21h00, aos sábados, como já dito, às 16h00 e às 18h00 e aos domingos, às 11h00. Mas enquanto a briga durar na justiça, o torcedor, mais uma vez, será o prejudicado por estar na iminência do maior e melhor Estadual do país e não saber quem transmitirá as pelejas.

É por essas e outras que não dá para confiar nas aventuras esporádicas as quais o senhor Abravanel se dispõe de tempos em tempos. Já houve época em que se passava jogos da Copa do Brasil, e de repente cessavam, sem mais nem menos. O processo funciona com tanta despreocupação que a falta de respeito aos profissionais – que lá trabalham por pouco tempo e logo são mandados embora, sem nenhuma satisfação – é latente, bem como com o telespectador, que se sente muitas vezes inseguro, pois Silvio Santos pode cortar a verba para o esporte a qualquer momento e com uma naturalidade quase irresponsável. Louve-se as tentativas das emissoras em embrenhar-se no ramo esportivo, mas que isso seja com responsabilidade e compromisso.