| FUTEBOL NO SBT (?)
Brigas e trapalhadas fazem da experiência
esportiva do SBT algo meramente fugaz
por Rodrigo
Herrero Lopes (laugh.dross@bol.com.br)
 uando
o SBT anunciou que estaria voltando às transmissões
do esporte, mais especificamente do futebol, muitas pessoas –
inclusive do meio jornalístico – simpatizaram com a
idéia, dizendo assim que findaria o monopólio da Rede
Globo, e também abriria o mercado para novos e bons profissionais
se instalarem na TV brasileira. Pois bem, o SBT anunciou que exibiria
inicialmente o Campeonato Sul-americano Sub-20 de Futebol, o Torneio
de Seleções sub-23 no Catar e o Campeonato Paulista.
Entre alguns profissionais, contratou Dirceu “Maravilha”,
conhecidíssimo locutor de rádio, que trabalhava na
Rádio Bandeirantes antes de se aventurar no ramo televisivo,
o sumido e desnecessário apresentador Elia Júnior,
o ex-goleiro Zetti, estreando como comentarista, o músico
Léo Jaime e Mariah Morais, desconhecida comentarista, ao
menos por parte do público.
Veio o primeiro jogo, e a impressão que ficou
é que Silvio Santos investiu nisso apenas para, digamos,
“passar uma temporada”, aventurar-se sem maiores conseqüências
nesse meio. Zetti não funciona na função que
foi designado, pois nem o óbvio ele consegue enxergar (assim
como Raí: como comentarista, um ótimo jogador). Léo
Jaime dando o “tom” do jogo foi de lascar. Ora “charanga
andina”, ora “vai dar samba”, o músico
pouco acrescentou à transmissão. Mariah Morais, com
a “opinião feminina do SBT”, também não
funcionou. Pouco falava e, quando o fazia, era para indicar quem
estava jogando de “salto alto”. Parece que o preconceito
quanto as mulheres no futebol está estampado nas partidas
do SBT. Elia Júnior continua o mesmo: pouco soma à
equipe e nada de importante faz para prender a atenção
de seu telespectador. O único a se salvar foi Dirceu “Maravilha”,
que trouxe a agilidade do rádio para a monotonia da narração
dos jogos da televisão. Claro que ainda precisa acertar algumas
coisas, diminuir os exageros cometidos pelo hábito radialista,
mas nada que uma seqüência de trabalho (que não
se sabe se ele terá) não corrija. Talvez para ajudar,
contrataram Paulo Andrade, um desconhecido e jovem narrador, que
pode ter a sua chance de se firmar em uma TV de grande alcance.
Quem pensa que o “futebol no SBT” foi
desastroso apenas no primeiro jogo, se enganou completamente. As
transmissões se arrastaram por várias partidas, em
comentários pífios, sem nenhuma opinião concisa
e real do jogo. A seleção brasileira vencia facilmente
seus adversários, mais por incompetência dos mesmos
do que por qualidade do futebol canarinho, e empolgava-se com tanto
ardor que parecia que seríamos hexa-campeões do mundo
pela equipe principal, quando o torneio na verdade era fraco em
sua essência. Possui três times de gabarito, no máximo,
tanto que o Brasil vem dominando nas últimas edições
e deverá vencer também essa.
Mas quando se pensa que ao menos as exibições
serão de qualidade, isso fica apenas no figurativo. No segundo
tempo da peleja entre Brasil e Uruguai do dia 09/01, o sinal vindo
de Montevidéu caiu e quem assistia ao jogo foi obrigado a
agüentar Elia Júnior falando asneiras e mostrando gols
de outros confrontos. Quando voltou o sinal, o apresentador ainda
estava falando, e no telão atrás dele o Brasil marcava
o segundo gol. Nisso, o narrador saiu correndo para gritar, em uma
atrapalhada digna de programas como Topa Tudo Por Dinheiro
que Silvio Santos adora fazer. O mesmo fato ocorreu no dia 14/1,
durante exibição da contenda entre Brasil e Noruega
no Catar, válida pelo Torneio Internacional de Seleções
sub-23, quando o sinal só apareceu por volta dos 24 do primeiro
tempo, quando o Brasil já vencia por um tento a zero.
ALÉM
DAS “PATAQUADAS”, AS BRIGAS JURÍDICAS
Já a exibição do Paulistão-2003,
tão alardeada pelo SBT, corre risco. A Globo está
fazendo jus ao contrato que tem com a FPF (Federação
Paulista de Futebol), ganhando na Justiça uma liminar que
lhe devolve os direitos de transmissão do campeonato. A temporada
de caça na famosa “guerra das liminares” do futebol
está aberta.
A história é complicada e não
cheira bem. Tudo começou quando a FPF pediu R$ 12 milhões
por 12 jogos do Estadual. A Globo, por contrato, possuía
a preferência até o dia 29 de dezembro para aceitar
ou não, mas a princípio recusou. Com isso, Eduardo
José Farah – presidente da FPF – procurou outra
emissora que quisesse televisionar o torneio. O SBT se manifestou,
fez uma proposta e fechou contrato com a Federação,
faltando vinte dias ainda para o vencimento do prazo da preferência
da Globo. Acontece que, no dia 27 de dezembro – dois dias
para vencer o prazo, portanto – a Globo enviou carta a FPF
aceitando as condições do contrato. Com isso, nenhuma
outra emissora poderia deter os direitos do Paulistão. Houve
tentativas fracassadas de acordo entre as duas redes de televisão,
o que levou a Globo a ir à Justiça e conseguir no
dia 17/01 – através de liminar que ainda pode ser cassada
– reaver os direitos do campeonato, sob pena de multa para
a Federação, caso não seja cumprida a ordem
judicial.
E o mais interessante é que a todo o momento
o SBT avisa em sua programação que irá televisionar
uma rodada dupla no sábado dia 25/01. E se verificar no site
da emissora, o Paulistão-2003 está em destaque, informando
que haverá rodadas exibidas às quartas-feiras, às
21h00, aos sábados, como já dito, às 16h00
e às 18h00 e aos domingos, às 11h00. Mas enquanto
a briga durar na justiça, o torcedor, mais uma vez, será
o prejudicado por estar na iminência do maior e melhor Estadual
do país e não saber quem transmitirá as pelejas.
É por essas e outras que não dá
para confiar nas aventuras esporádicas as quais o senhor
Abravanel se dispõe de tempos em tempos. Já houve
época em que se passava jogos da Copa do Brasil, e de repente
cessavam, sem mais nem menos. O processo funciona com tanta despreocupação
que a falta de respeito aos profissionais – que lá
trabalham por pouco tempo e logo são mandados embora, sem
nenhuma satisfação – é latente, bem como
com o telespectador, que se sente muitas vezes inseguro, pois Silvio
Santos pode cortar a verba para o esporte a qualquer momento e com
uma naturalidade quase irresponsável. Louve-se as tentativas
das emissoras em embrenhar-se no ramo esportivo, mas que isso seja
com responsabilidade e compromisso. 
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