| DEZ ANOS DE TEATRO DA VERTIGEM
O grupo paulistano de teatro comemorou
seus dez anos no final de 2002 e remontou suas três peças
por Luiz
Pattoli (luiz@rabisco.com.br)
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| Paraíso Perdido |
oi a inquietação de ver que o homem contemporâneo
“está perdido, desligado de sua dimensão sagrada”,
que fez Antônio Araújo fundar a companhia Teatro da
Vertigem. O resultado foram peças polêmicas, que tocam
na ferida humana criada pela separação de Deus: Paraíso
Perdido, O Livro de Jó e Apocalipse 1.11.
Paraíso Perdido estreou em 1992, na
Igreja de Santa Ifigênia, com manifestações
contrárias de bispos católicos fiéis. Sérgio
Carvalho (diretor da Cia. do Latão) elaborou o roteiro, inspirado
no poema homônimo de John Milton (1608-1674), já comparado
a Shakespeare. O diretor chegou a cogitar a montagem de um Paraíso
2, mas viu que não seria necessário.
Lúcifer, o anjo caído, é quem
guia o público pela encenação de Paraíso
Perdido, que ocupa desde o altar até janelas da catedral.
A peça pode ser dividida em três partes. Na primeira,
a dor pela perda da inocência e pela expulsão do Éden.
Depois, a revolta que gera a negação de Deus. E, por
último, o homem percebe que não há volta e
sua condição será sempre terrena. Portanto,
não se trata de uma peça religiosa, mas sim de um
espetáculo que toma como ponto de partida um tema bíblico
para falar da condição humana.
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| O Livro de Jó |
Na seqüência, em 1995, veio O Livro
de Jó, que conta a história de um homem cuja fé
é testada por Deus. O grupo ocupou três andares do
Hospital Umberto Primo para representar o texto. A partir de um
desafio do diabo, Deus testa Jô, que, neste espetáculo,
não é passivo, mas questiona os atos do Senhor. E
oscila entre a fé cega dos amigos judeus e a descrença
absoluta de sua mulher. Mas só Jó, com sua fé
questionadora, chega ao terceiro andar, à transcendência.
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| Apocalipse 1:11 |
Três anos depois de Jó, Antônio
Araújo montou Apocalipse 1.11. Depois de se debaterem
entre a submissão e rebeldia a Deus, os personagens são
os responsáveis pelo seu destino em Apocalipse. A
peça começa com um pastor televisivo pregando a vinda
do Apocalipse. E o personagem João trilha seu caminho entre
a prometida Nova Jerusalém ou a degradada Babilônia,
um cabaré onde a estrela é o diabo, um travesti. Como
disse Beth Néspoli do Estadão: “Vista
em conjunto, a trilogia mostra homens que carregam em si mesmos
Deus e o diabo, a miséria e a grandeza. E têm o poder
da transformação”. A verdade é vertiginosa.

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