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11 a 24 de abril de 2003


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DEZ ANOS DE TEATRO DA VERTIGEM
O grupo paulistano de teatro comemorou seus dez anos no final de 2002 e remontou suas três peças

por Luiz Pattoli (luiz@rabisco.com.br)

 Paraíso Perdido

oi a inquietação de ver que o homem contemporâneo “está perdido, desligado de sua dimensão sagrada”, que fez Antônio Araújo fundar a companhia Teatro da Vertigem. O resultado foram peças polêmicas, que tocam na ferida humana criada pela separação de Deus: Paraíso Perdido, O Livro de Jó e Apocalipse 1.11.

Paraíso Perdido estreou em 1992, na Igreja de Santa Ifigênia, com manifestações contrárias de bispos católicos fiéis. Sérgio Carvalho (diretor da Cia. do Latão) elaborou o roteiro, inspirado no poema homônimo de John Milton (1608-1674), já comparado a Shakespeare. O diretor chegou a cogitar a montagem de um Paraíso 2, mas viu que não seria necessário.

Lúcifer, o anjo caído, é quem guia o público pela encenação de Paraíso Perdido, que ocupa desde o altar até janelas da catedral. A peça pode ser dividida em três partes. Na primeira, a dor pela perda da inocência e pela expulsão do Éden. Depois, a revolta que gera a negação de Deus. E, por último, o homem percebe que não há volta e sua condição será sempre terrena. Portanto, não se trata de uma peça religiosa, mas sim de um espetáculo que toma como ponto de partida um tema bíblico para falar da condição humana.

 O Livro de Jó

Na seqüência, em 1995, veio O Livro de Jó, que conta a história de um homem cuja fé é testada por Deus. O grupo ocupou três andares do Hospital Umberto Primo para representar o texto. A partir de um desafio do diabo, Deus testa Jô, que, neste espetáculo, não é passivo, mas questiona os atos do Senhor. E oscila entre a fé cega dos amigos judeus e a descrença absoluta de sua mulher. Mas só Jó, com sua fé questionadora, chega ao terceiro andar, à transcendência.

 Apocalipse 1:11

Três anos depois de Jó, Antônio Araújo montou Apocalipse 1.11. Depois de se debaterem entre a submissão e rebeldia a Deus, os personagens são os responsáveis pelo seu destino em Apocalipse. A peça começa com um pastor televisivo pregando a vinda do Apocalipse. E o personagem João trilha seu caminho entre a prometida Nova Jerusalém ou a degradada Babilônia, um cabaré onde a estrela é o diabo, um travesti. Como disse Beth Néspoli do Estadão: “Vista em conjunto, a trilogia mostra homens que carregam em si mesmos Deus e o diabo, a miséria e a grandeza. E têm o poder da transformação”. A verdade é vertiginosa.