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25 de abril a 7 de maio de 2003


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AS TRILHAS SONORAS DE ARMAÇÃO ILIMITADA
A série teve dois discos com a produção do rock nacional dos anos 80; saiba quem vingou e quem sumiu

por Luiz Pattoli (luiz@rabisco.com.br)

omo toda novela e série de TV que se preze, Armação Ilimitada teve trilha sonora lançada. Aliás, duas. Ambas com verdadeiros “clássicos” da década de 80 e bandas que continuaram na obscuridade.

O primeiro LP, lançado em 85, contava com Kiko Zambianchi (“No Meio da Rua”); o internacionalmente reconhecido Sérgio Mendes; Sandra Sá, na época sem o “de”, cantando duas músicas, “Rap Arrepiado” e “Cai Fora (Mo’Basta)”; “Por Querer” com Marina; além de Gang 90 e um dos maiores hits da década: “Nós Vamos Invadir sua Praia” do Ultraje à Rigor. Havia também outras músicas pra “encher lingüiça”, mania típica da Globo em todas as trilhas da emissora, aquelas canções que ninguém nunca ouviu na novela ou na série, mas que estão no disco.

Já o segundo LP foi lançado três anos depois e incluiu grande parte da boa produção do rock brasileiro. A primeira faixa do lado A era “O Tema de Armação Ilimitada”, um riff de guitarra que imortalizou o seriado, composto por Ari Mendes, músico que trabalhou, entre outros, com Lulu Santos, e hoje tem um estúdio musical nos EUA. Na seqüência vinha “Que País é Este?” com a Legião Urbana. A música, da época do Aborto Elétrico (banda que originou a Legião e o Capital Inicial), já era um sucesso. Ainda no lado A, o Ultraje à Rigor foi representado com a não tão famosa “Terceiro” e o ex-Blitz Evandro Mesquita tocava o reggae “Andar no Céu”. Os cariocas do Picassos Falsos contibuíam com “Quadrinhos”, e “Os Olhos de Zelda Scott”, do desconhecido Joe, completavam esse lado do disco.

Rompendo o chiado, no lado B, “Gatinha Manhosa”, de Léo Jaime, era a primeira música, uma balada melosa que parecia ter sido gravada diretamente para a namorada do cantor. Juntamente com “Infinita Highway”, dos amados/odiados Engenheiros do Hawaii, as duas primeiras eram as únicas músicas conhecidas do álbum – curiosamente no lado B, onde normalmente são deixadas as músicas menos trabalhadas. No mesmo lado havia ainda o grupo underground carioca Hojerizah, o Zero (que se “imortalizou” com “Agora eu Sei”, mas que aparecia no disco com “Quimeras”), Capita Inicial com “Prova” e o desconhecidíssimo Rosa Púrpura, banda de Fred Nascimento que, na década de 90, formou o Tantra, fazendo relativo sucesso com a regravação de “Tropicália”.

Os dois discos podem ser considerados importantes por terem dado espaço para a produção nacional da época, com grupos que já delineavam um caminho de sucesso e outros que eram desconhecidos do grande público, mas que formavam a base da geração perdida. É fácil reconhecer os nomes que continuam até hoje e aqueles com quem pouco se sabe o que aconteceu. Assim como qualquer outra era isso é absolutamente normal; daqui alguns anos pouco ouviremos falar de algumas bandas atuais.

Recentemente a Som Livre relançou grande parte das trilhas-sonoras de novelas antigas. Apesar de datadas, as trilhas de Armação Ilimitada não foram tratadas com o devido carinho e continuam esquecidas em LPs vendidos em sebos, sem versão em CD. Seriam um ótimo registro para colecionadores e saudosistas de “Juba e Lula hooooo!”.