| AS TRILHAS SONORAS DE ARMAÇÃO
ILIMITADA
A série teve dois discos com
a produção do rock nacional dos anos 80; saiba quem
vingou e quem sumiu
por Luiz
Pattoli (luiz@rabisco.com.br)

omo toda novela e série de TV que se preze, Armação
Ilimitada teve trilha sonora lançada. Aliás, duas.
Ambas com verdadeiros “clássicos” da década
de 80 e bandas que continuaram na obscuridade.
O primeiro LP, lançado em 85, contava com
Kiko Zambianchi (“No Meio da Rua”); o internacionalmente
reconhecido Sérgio Mendes; Sandra Sá, na época
sem o “de”, cantando duas músicas, “Rap
Arrepiado” e “Cai Fora (Mo’Basta)”; “Por
Querer” com Marina; além de Gang 90 e um dos maiores
hits da década: “Nós Vamos Invadir sua Praia”
do Ultraje à Rigor. Havia também outras músicas
pra “encher lingüiça”, mania típica
da Globo em todas as trilhas da emissora, aquelas canções
que ninguém nunca ouviu na novela ou na série, mas
que estão no disco.
Já o segundo LP foi lançado três
anos depois e incluiu grande parte da boa produção
do rock brasileiro. A primeira faixa do lado A era “O Tema
de Armação Ilimitada”, um riff de guitarra que
imortalizou o seriado, composto por Ari Mendes, músico que
trabalhou, entre outros, com Lulu Santos, e hoje tem um estúdio
musical nos EUA. Na seqüência vinha “Que País
é Este?” com a Legião Urbana. A música,
da época do Aborto Elétrico (banda que originou a
Legião e o Capital Inicial), já era um sucesso. Ainda
no lado A, o Ultraje à Rigor foi representado com a não
tão famosa “Terceiro” e o ex-Blitz Evandro Mesquita
tocava o reggae “Andar no Céu”. Os cariocas do
Picassos Falsos contibuíam com “Quadrinhos”,
e “Os Olhos de Zelda Scott”, do desconhecido Joe, completavam
esse lado do disco.
Rompendo
o chiado, no lado B, “Gatinha Manhosa”, de Léo
Jaime, era a primeira música, uma balada melosa que parecia
ter sido gravada diretamente para a namorada do cantor. Juntamente
com “Infinita Highway”, dos amados/odiados Engenheiros
do Hawaii, as duas primeiras eram as únicas músicas
conhecidas do álbum – curiosamente no lado B, onde
normalmente são deixadas as músicas menos trabalhadas.
No mesmo lado havia ainda o grupo underground carioca Hojerizah,
o Zero (que se “imortalizou” com “Agora eu Sei”,
mas que aparecia no disco com “Quimeras”), Capita Inicial
com “Prova” e o desconhecidíssimo Rosa Púrpura,
banda de Fred Nascimento que, na década de 90, formou o Tantra,
fazendo relativo sucesso com a regravação de “Tropicália”.
Os dois discos podem ser considerados importantes
por terem dado espaço para a produção nacional
da época, com grupos que já delineavam um caminho
de sucesso e outros que eram desconhecidos do grande público,
mas que formavam a base da geração perdida. É
fácil reconhecer os nomes que continuam até hoje e
aqueles com quem pouco se sabe o que aconteceu. Assim como qualquer
outra era isso é absolutamente normal; daqui alguns anos
pouco ouviremos falar de algumas bandas atuais.
Recentemente a Som Livre relançou grande parte
das trilhas-sonoras de novelas antigas. Apesar de datadas, as trilhas
de Armação Ilimitada não foram tratadas
com o devido carinho e continuam esquecidas em LPs vendidos em sebos,
sem versão em CD. Seriam um ótimo registro para colecionadores
e saudosistas de “Juba e Lula hooooo!”. 
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