| PARA USAR SAIA JUSTA
TEM QUE TER JOGO DE CINTURA
O programa Saia Justa, do
GNT, completa um ano cheio de frases de efeito, um pouco de jornalismo
moralista, intelectualismos e bom humor, é claro
por Steffania
Paola (ste_paola@hotmail.com)

agando e andando para velho feliz” foi mais uma das frases
de Fernanda Young. Talvez ela tenha se esquecido que o programa
estava também ficando velho, afinal, na quarta-feira que
antecedeu a semana santa o Saia Justa completou um ano, e, diga-se
de passagem, um ano feliz. Embaladas pelo entusiasmo do aniversário,
as quatro mulheres – Fernanda Young, Marisa Orth, Rita Lee
e Mônica Waldvogel – deitaram e rolaram. A comemoração
rendeu boas risadas, desta vez com platéia e com duas horas
de duração.
O programa, de fato, é uma mistura na qual nenhum canal
aberto apostaria: Young, uma escritora um tanto radical que cagou
para a mesopotâmia em pleno aniversário de um ano e
que disse que quer ver o programa afundar. E não poderíamos
deixar de fora o vestido preto com a peculiaridade das costas -
e mais alguma coisa - de fora. Tem também Marisa Orth, a
atriz imortalizada na figura cômica de Magda, em Sai
de Baixo, e que agora é a ex-Miss Vanvan –
não menos cômica – da novela Agora É
que São Elas. Marisa surpreende pelo intelectualismo
que ninguém entende se é barato ou não. Há
a generosidade que cansa de Rita Lee, a cantora dos cabelos vermelhos
imortais. É a vovó do programa e, para encarnar de
vez a figura, leva suas linhas para tricotar – isso quando
não escreve o tempo inteiro e tem uns insights
de vez em quando. Tem ainda a postura um tanto moralista da jornalista
Mônica Waldvogel, que é também editora do programa.
É a mulher que não deixa a peteca cair.
Saia Justa é bem parecido com uma conversa
informal entre mulheres que falam de sexo, homens, mulheres, vida,
guerra, xixi, menstruação e filhos, sempre com um
pouquinho de sarcasmo e um tom fofoqueiro. A audiência é
radical: tem os que amam e tem os que acham que o programa não
diz nada.
Nas comemorações de um ano, alguns assuntos que pareciam
estar fora da pauta deram um charme à data, como por exemplo,
as discussões sobre a guerra EUA x Iraque. As frases de efeito
imperaram, Fernanda Young soltou milhares de ”caguei”
para Saddam, “caguei” para Bush, e incentivou o saque,
“tem que saquear mesmo, saquear tudo”; enquanto Marisa
Orth falou de democracia, “democracia chata”, referindo-se
ao trabalho que dá ser democrático e disse ainda que
estamos vivendo uma espécie de ditadura mundial. Mônica
Waldvogel discordou e como sempre, para não deixar a peteca
cair, mudou de assunto.
Como era dia de festa, as discussões e opiniões ficaram
no campo da felicidade. Para Rita Lee, a felicidade acontece em
segundos, várias vezes ao dia, quando está com os
filhos, com a irmã e com o marido. Fernanda Young disse que
se sente plena quando está com a família e a irmã
vendo A Bela e Fera e ainda arriscou cantar um
trecho da trilha do filme. Mônica Waldvogel afirmou que experimenta
esta sensação quando conversa por horas com o filho,
quando abraça e beija. Já Marisa Orth se sente feliz
quando vê criança rindo e velho feliz. Daqui veio a
pérola de Fernanda Young, que deu início a este texto:
“Tô cagando e andando pra velho feliz”.
O
filósofo, professor e autor do livro Felicidade, Eduardo
Giannetti, deu um depoimento de alguns minutos sobre o que é
felicidade e repetiu a pergunta que as quatro mulheres já
haviam respondido. Fez a mesma pergunta usando palavras diferentes,
e, elas, para não decepcionar, também responderam
a mesma coisa reformulando o vocabulário. Mostraram que para
usar saia justa tem que ter jogo de cintura.
PERGUNTA SAIA JUSTA
- É um quadro do programa em que, como o nome indica, as
apresentadoras respondem a uma questão difícil. A
pergunta da vez foi: “que momento você levaria para
a eternidade?”.
A maioria das respostas veio cheia de sentimentalismo maternal:
“o meu filho mamando” (Mônica Waldvogel e Marisa
Orth) ou “uma viajem com a família para o Caribe”
(Rita Lee). Não poderia ser diferente, já que estamos
falando de quatro mulheres e mães. É claro que Fernanda
Young deu uma resposta diferente: ela levaria para a eternidade
o momento em que o então namorado Alexandre Machado a pediu
em casamento em uma boate em Nova Iorque com um par de pés
de urso nas mãos.
ABRA O SEU CORAÇÃO
- O programa ia bem até este quadro, em que os telespectadores
mandam uma carta procurando uma “solução”
para um problema. Nesta edição, o dilema do remetente
era que a amiga estava prestes a se casar com um gay, sem saber
da orientação sexual do noivo. A questão era:
contar ou não? O problema estava muito mais para Márcia
Goldschmidt do que para o Saia Justa. As respostas foram
as piores, de acordo com a pergunta, que estava no dia errado, no
lugar errado e na hora errada. A saia apertou e deixou as moças
sem ar. Foi o pedaço amargo da comemoração.
HAPPY END - Tudo
acabou como nos bons dramalhões: com um final feliz. As apresentadoras
fizeram suas rezas, com um altar que estava à frente do palco
e a cômica Marisa Orth, após ler a carta de uma telespectadora
que se queixava do marido calado, fechou com a frase: “Marido
caladérrimo é quase um pleonasmo”, seguido de
uma coreografia do Padre Marcelo iniciado por Rita Lee. 
|