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25 de abril a 7 de maio de 2003


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PARA USAR SAIA JUSTA TEM QUE TER JOGO DE CINTURA
O programa Saia Justa, do GNT, completa um ano cheio de frases de efeito, um pouco de jornalismo moralista, intelectualismos e bom humor, é claro

por Steffania Paola (ste_paola@hotmail.com)

agando e andando para velho feliz” foi mais uma das frases de Fernanda Young. Talvez ela tenha se esquecido que o programa estava também ficando velho, afinal, na quarta-feira que antecedeu a semana santa o Saia Justa completou um ano, e, diga-se de passagem, um ano feliz. Embaladas pelo entusiasmo do aniversário, as quatro mulheres – Fernanda Young, Marisa Orth, Rita Lee e Mônica Waldvogel – deitaram e rolaram. A comemoração rendeu boas risadas, desta vez com platéia e com duas horas de duração.

O programa, de fato, é uma mistura na qual nenhum canal aberto apostaria: Young, uma escritora um tanto radical que cagou para a mesopotâmia em pleno aniversário de um ano e que disse que quer ver o programa afundar. E não poderíamos deixar de fora o vestido preto com a peculiaridade das costas - e mais alguma coisa - de fora. Tem também Marisa Orth, a atriz imortalizada na figura cômica de Magda, em Sai de Baixo, e que agora é a ex-Miss Vanvan – não menos cômica – da novela Agora É que São Elas. Marisa surpreende pelo intelectualismo que ninguém entende se é barato ou não. Há a generosidade que cansa de Rita Lee, a cantora dos cabelos vermelhos imortais. É a vovó do programa e, para encarnar de vez a figura, leva suas linhas para tricotar – isso quando não escreve o tempo inteiro e tem uns insights de vez em quando. Tem ainda a postura um tanto moralista da jornalista Mônica Waldvogel, que é também editora do programa. É a mulher que não deixa a peteca cair.

Saia Justa é bem parecido com uma conversa informal entre mulheres que falam de sexo, homens, mulheres, vida, guerra, xixi, menstruação e filhos, sempre com um pouquinho de sarcasmo e um tom fofoqueiro. A audiência é radical: tem os que amam e tem os que acham que o programa não diz nada.

Nas comemorações de um ano, alguns assuntos que pareciam estar fora da pauta deram um charme à data, como por exemplo, as discussões sobre a guerra EUA x Iraque. As frases de efeito imperaram, Fernanda Young soltou milhares de ”caguei” para Saddam, “caguei” para Bush, e incentivou o saque, “tem que saquear mesmo, saquear tudo”; enquanto Marisa Orth falou de democracia, “democracia chata”, referindo-se ao trabalho que dá ser democrático e disse ainda que estamos vivendo uma espécie de ditadura mundial. Mônica Waldvogel discordou e como sempre, para não deixar a peteca cair, mudou de assunto.

Como era dia de festa, as discussões e opiniões ficaram no campo da felicidade. Para Rita Lee, a felicidade acontece em segundos, várias vezes ao dia, quando está com os filhos, com a irmã e com o marido. Fernanda Young disse que se sente plena quando está com a família e a irmã vendo A Bela e Fera e ainda arriscou cantar um trecho da trilha do filme. Mônica Waldvogel afirmou que experimenta esta sensação quando conversa por horas com o filho, quando abraça e beija. Já Marisa Orth se sente feliz quando vê criança rindo e velho feliz. Daqui veio a pérola de Fernanda Young, que deu início a este texto: “Tô cagando e andando pra velho feliz”.

O filósofo, professor e autor do livro Felicidade, Eduardo Giannetti, deu um depoimento de alguns minutos sobre o que é felicidade e repetiu a pergunta que as quatro mulheres já haviam respondido. Fez a mesma pergunta usando palavras diferentes, e, elas, para não decepcionar, também responderam a mesma coisa reformulando o vocabulário. Mostraram que para usar saia justa tem que ter jogo de cintura.

PERGUNTA SAIA JUSTA - É um quadro do programa em que, como o nome indica, as apresentadoras respondem a uma questão difícil. A pergunta da vez foi: “que momento você levaria para a eternidade?”.

A maioria das respostas veio cheia de sentimentalismo maternal: “o meu filho mamando” (Mônica Waldvogel e Marisa Orth) ou “uma viajem com a família para o Caribe” (Rita Lee). Não poderia ser diferente, já que estamos falando de quatro mulheres e mães. É claro que Fernanda Young deu uma resposta diferente: ela levaria para a eternidade o momento em que o então namorado Alexandre Machado a pediu em casamento em uma boate em Nova Iorque com um par de pés de urso nas mãos.

ABRA O SEU CORAÇÃO - O programa ia bem até este quadro, em que os telespectadores mandam uma carta procurando uma “solução” para um problema. Nesta edição, o dilema do remetente era que a amiga estava prestes a se casar com um gay, sem saber da orientação sexual do noivo. A questão era: contar ou não? O problema estava muito mais para Márcia Goldschmidt do que para o Saia Justa. As respostas foram as piores, de acordo com a pergunta, que estava no dia errado, no lugar errado e na hora errada. A saia apertou e deixou as moças sem ar. Foi o pedaço amargo da comemoração.

HAPPY END - Tudo acabou como nos bons dramalhões: com um final feliz. As apresentadoras fizeram suas rezas, com um altar que estava à frente do palco e a cômica Marisa Orth, após ler a carta de uma telespectadora que se queixava do marido calado, fechou com a frase: “Marido caladérrimo é quase um pleonasmo”, seguido de uma coreografia do Padre Marcelo iniciado por Rita Lee.