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22 de maio a 4 de junho de 2003


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A POLÊMICA DA ARTE NA SOCIEDADE
Exposição realizada no Itaú Cultural aborda a relação entre arte e sociedade nas manifestações culturais do século XX

por Rodrigo Herrero (rodrigo100@hotmail.com)

 arte quase sempre esteve ligada à vida das pessoas e aos acontecimentos da época, suas evoluções e transgressões sociais, principalmente durante o século XX. As guerras, revoluções, ditaduras e seus desdobramentos influenciaram decisivamente o modo de fazer arte no último século, em especial no Brasil. E é com a intenção de retratar este embate que a exposição “Arte e Sociedade: Uma Relação Polêmica” do Itaú Cultural reúne telas, gravuras, livros, cartas e uma infinidade de outras obras brasileiras com uma conotação crítica dos fatos do cotidiano. E é uma relação polêmica, pois muitos artistas não consideram a arte engajada como arte propriamente dita, mas é impossível desvincular o lugar que vivemos de tais obras.

O evento é dividido em três períodos: o primeiro vai de 1930 a 1945, o segundo percorre os anos de 1946 até 1970 e o último vai de 1971 a 2003. Na primeira parte, a exposição retrata o início da participação dos artistas nos acontecimentos sociais e políticos. Com o crescimento do comunismo no Brasil, muitos artistas aderiram a este ideal, seja afiliando-se ao Partido Comunista Brasileiro ou mesmo simpatizando com certos dogmas, colocando sua posição nas obras contra as injustiças ocorridas na época. Exemplo disso foi Di Cavalcanti com a série “A Realidade Brasileira” e Tarsila do Amaral, realizando incursões pelas terras russas, tendo inclusive exposto seus trabalhos em Moscou.

Mas quem se colocou mais firmemente nessa posição crítica comunista foi Cândido Portinari. Participante ativo do “partido vermelho”, tendo sido inclusive candidato ao Senado por São Paulo em 1947, este incorporou o conceito muralista mexicano em suas obras. Sempre crítico, recebeu menção honrosa para um de seus quadros mais conhecidos e belos, Café, durante a exposição do Instituto Carnegie, de Pittsburgh. Nesse mesmo período, artistas de origem operária como os da Família Artística Paulista se juntaram com outros pintores de origem modesta e de outras regiões para expor seus trabalhos, retratando em geral sobre seu próprio cotidiano, seu ambiente de trabalho, sua família, etc.

A segunda parte reflete a explosão da gravura pelo país na segunda metade da década de 40 e o início da ditadura no Brasil, com uma maior discussão e engajamento dos artistas contra este governo de exceção. Após o desfecho da 2º Guerra Mundial, sob a égide de Carlos Scliar muitos clubes de gravura foram inaugurados pelo Brasil, surgindo artistas como Vasco Prado a realizar esses trabalhos. A base dessa forma artística era voltada aos cidadãos desconhecidos, que faziam estas gravuras totalmente enraizadas na cultura popular, mas também com um viés de crítica política muito forte.

Este momento coincidiu com a abertura dos principais museus atuais, como o MASP (Museu de Arte de São Paulo) e o MAM (Museu de Arte Moderna) no Rio de Janeiro. Ocorreu em 1951 a 1º Bienal Internacional realizada em São Paulo, trazendo obras de outras nações, causando um intercâmbio valioso para a cultura nacional e seus atores. Mais tarde, a partir de 1964, já com a imposição da ditadura, as críticas foram intensificados contra este regime e suas aberrações: a tortura, a censura e a conseqüente perda de diretos civis que vigorou neste período.

A terceira e última etapa da mostra aborda de 1971 a 2003. A década de setenta foi o período em que as manifestações culturais mais carregavam valores implícitos por trás de suas obras. Este fato se deu em razão da fase mais aguda do regime militar nesta década. Isso refletiu tanto nas obras de Antônio Dias, João Câmara, entre outros pintores, como nas músicas de Chico Buarque e Caetano Veloso, retratando os duros “anos de chumbo” que assolaram o povo brasileiro.

Já pelo anos 80 e 90, a temática recorrente será a violência dos grandes centros urbanos (Carmela Gross, Nuno Ramos), a exclusão social e a questão ecológica, tendo em Frans Krajcberg seu precursor. Na década passada ocorre o Arte Cidade, evento criado por Nelson Brissac Peixoto, que coloca artistas plásticos em prédios abandonados ou deteriorados do centro de São Paulo para conceber obras em espaços estranhos à arte tradicional. O resultado foi bastante chocante, pondo a sociedade em atenção a essas linguagens, com o intuito de refletir sobre nossa condição caótica de vida nas grandes metrópoles.

SERVIÇO

Exposição Arte e Sociedade: Uma Relação Polêmica
De 15 de abril a 29 de junho no Instituto Itaú Cultural
Terça a Sexta das 10h00 às 21h00
Sábados, domingos e Feriados das 10h00 as 19h00
Endereço: Avenida Paulista, 149 – São Paulo – SP
Tel: 11 3268 1700
Entrada franca.