| LIVRO PROPÕE OS DESAFIOS
DE UMA SOCIEDADE ELETRÔNICA
Título dá início
à discussão da explosão virtual e seu impacto
no cotidiano dos grandes centros urbanos
por Renato
Jakitas (renatojakitas@hotmail.com)

ais que uma transformação, a realidade virtual nos
faz experimentar um mundo em revolução. Esse é
o sabor de E-Topia – A Vida Urbana Mas Não Como
a Conhecemos, nova obra de William J. Mitchell, recentemente
traduzida pela Editora Senac São Paulo, que trata dos rumos
de uma nova sociedade, fundamentada entre a informação
e a tecnologia. Repleto de exemplos históricos e reflexões
sobre os caminhos dessa nova sociedade que se anuncia, o autor propõe
a reflexão sobre as conseqüências da realidade
virtual no cotidiano dos grandes centros urbanos e defende “ser
preciso construir e-topias – cidades eletronicamente servidas,
globalmente ligadas, para o alvorecer de um novo mundo”.
E-topia surgiu de observações
empíricas e discussões promovidas com alunos, colegas,
críticos, correspondentes, entrevistadores e pesquisadores
após a publicação do seu primeiro livro, City
of Bytes and the Infobahn, em 1994, que resgata diversas
questões sobre as relações entre o mundo virtual
e o urbanismo. Além de induzir a um universo digital no qual
a sociedade do século XXI está inserida, Mitchell
relembra o clássico de Thomas Morus, Utopia,
que imaginou um país distanciado das imperfeições
cotidianas e, portanto, impossível de ser alcançado.
O autor de E-topia, no entanto, considera essa
uma tarefa plenamente realizável, acreditando ser possível
criar uma “urbanidade civilizada apoiada ao menos na acumulação
de coisas no fluxo de informações”.
 |
| William J. Mitchell |
Viver com a matéria num espaço físico
e o intelecto num mundo virtual, com informações de
todos os tipos reunidos em bytes impalpáveis, necessita de
uma nova disposição urbana, com estruturas domiciliares
e, até mesmo, roupas inteligentes funcionando como interfaces
para esse mundo onipresente. Eis o desafio proposto por William
Mitchell: a revolução digital, nascida das lutas comerciais
e das corridas tecnológicas, criou vida própria e
caminha à margem desses interesses. Para o autor, “os
potenciais benefícios dessa transformação são
tão intensos e o impulso para isso cresce tão rapidamente
que nada poderá interpor-se no seu caminho”.
William J. Mitchell é arquiteto e atua na Massachusets Institute
of Technology (MIT), uma das mais respeitadas instituições
de ensino e pesquisa dos Estados Unidos. Em 1994, publicou City
of Bytes and the Infobahn, que gerou grande discussão
e serviu de base para a elaboração desta nova obra.

|