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22 de maio a 4 de junho de 2003


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LIVRO PROPÕE OS DESAFIOS DE UMA SOCIEDADE ELETRÔNICA
Título dá início à discussão da explosão virtual e seu impacto no cotidiano dos grandes centros urbanos

por Renato Jakitas (renatojakitas@hotmail.com)

ais que uma transformação, a realidade virtual nos faz experimentar um mundo em revolução. Esse é o sabor de E-Topia – A Vida Urbana Mas Não Como a Conhecemos, nova obra de William J. Mitchell, recentemente traduzida pela Editora Senac São Paulo, que trata dos rumos de uma nova sociedade, fundamentada entre a informação e a tecnologia. Repleto de exemplos históricos e reflexões sobre os caminhos dessa nova sociedade que se anuncia, o autor propõe a reflexão sobre as conseqüências da realidade virtual no cotidiano dos grandes centros urbanos e defende “ser preciso construir e-topias – cidades eletronicamente servidas, globalmente ligadas, para o alvorecer de um novo mundo”.

E-topia surgiu de observações empíricas e discussões promovidas com alunos, colegas, críticos, correspondentes, entrevistadores e pesquisadores após a publicação do seu primeiro livro, City of Bytes and the Infobahn, em 1994, que resgata diversas questões sobre as relações entre o mundo virtual e o urbanismo. Além de induzir a um universo digital no qual a sociedade do século XXI está inserida, Mitchell relembra o clássico de Thomas Morus, Utopia, que imaginou um país distanciado das imperfeições cotidianas e, portanto, impossível de ser alcançado. O autor de E-topia, no entanto, considera essa uma tarefa plenamente realizável, acreditando ser possível criar uma “urbanidade civilizada apoiada ao menos na acumulação de coisas no fluxo de informações”.

 William J. Mitchell

Viver com a matéria num espaço físico e o intelecto num mundo virtual, com informações de todos os tipos reunidos em bytes impalpáveis, necessita de uma nova disposição urbana, com estruturas domiciliares e, até mesmo, roupas inteligentes funcionando como interfaces para esse mundo onipresente. Eis o desafio proposto por William Mitchell: a revolução digital, nascida das lutas comerciais e das corridas tecnológicas, criou vida própria e caminha à margem desses interesses. Para o autor, “os potenciais benefícios dessa transformação são tão intensos e o impulso para isso cresce tão rapidamente que nada poderá interpor-se no seu caminho”.

William J. Mitchell é arquiteto e atua na Massachusets Institute of Technology (MIT), uma das mais respeitadas instituições de ensino e pesquisa dos Estados Unidos. Em 1994, publicou City of Bytes and the Infobahn, que gerou grande discussão e serviu de base para a elaboração desta nova obra.