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22 de maio a 4 de junho de 2003


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LINDO E INSOSSO
Matrix Reloaded é um banquete para os olhos, mas seu “valor nutritivo” beira ao zero

por Marcio Caparica (marcio@rabisco.com.br)

enas fortes de ação e um pouco de filosofia, só o suficiente para qualquer mané dos Estados Unidos compreender. Estes eram os dois pontos de apoio de Matrix, o original. Com um mix não tão desigual desses dois ingredientes, Neo e seus terroristas virtuais fizeram sucesso no mundo todo e amealharam centenas de milhares de fãs, que esperavam ansiosamente pelas já anunciadas duas continuações. Pois bem: se o primeiro filme já era meio manco, o segundo é praticamente perneta.

Matrix Reloaded vem, em teoria, desenvolver o cenário do mundo em que todos os humanos não passam de pilhas para supercomputadores. E ele realmente mostra aos espectadores a cidade subterrânea de Zion, dezenas de outros humanos coadjuvantes, programas rebeldes e, veja só, até uma orgia disfarçada, entrecortada com cenas quentes entre Neo e Trinity. Mas não se engane: isso tudo é apenas uma desculpa para exibir lutas, lutas e mais lutas.

A regra fundamental do filme é: não podem se passar quinze minutos de faladeira sem pelo menos cinco de pancadaria. A cena em que Neo encontra o japonês guardião do Oráculo é o maior exemplo disso; a luta entre os dois é uma das cenas mais desnecessárias que eu já vi. Mas, visto que dez minutos de diálogo tinham acabado de acontecer, e mais dez viriam pela frente, ela se fazia “necessária”.

Continuamente a história pára e, por minutos a fio, assiste-se aos heróis e vilões se estapearem, raramente conseguindo acertar um soco no outro. Com armas, sem armas, em geral com cinco ou seis oponentes para o mocinho. E, mais importante: sem jamais, jamais mesmo, perderem o ar cool e plácido. É tanta pancadaria que chega a ser tedioso; me peguei várias vezes torcendo para a Matrix quebrar suas regras, fazendo o prédio desabar de uma vez e acabar com aquilo logo, para a história poder andar.

Depois de uma hora e tanto de filme em que o cérebro não saiu do ponto morto, aquele cotoco de perna que sobrou da história consegue finalmente dar um passo, e toda a informação é despejada de uma vez. Tudo, metralhado em poucos minutos, deixando quem piscou sem entender nada e, portanto, com a sensação de que aquele deve ser um filme muito inteligente. OK.

Sim, os novos efeitos especiais são fenomenais mesmo; a cena com as centenas de agentes Smith é muito divertida (se bem que acaba de forma totalmente anticlimática), e várias vezes as cenas de perseguição deixam o espectador na ponta da cadeira (quantas vezes, no entanto, Morpheus pode quase cair de um caminhão?). Quem apenas procura cenas de ação vai se esbaldar e sair do filme com pique para ainda jogar o videogame para descobrir o que aconteceu com Niobe em sua investida à usina de energia. Quem procura uma história um pouquinho menos rala, no entanto, vai se decepcionar bastante.

O terceiro filme, é claro, pode fechar a série com chave de ouro. Pelo que se capta do segundo, no entanto, não deve haver muito mais explicações a serem dadas ou reviravoltas na história; o que vem, certamente, é ainda mais porrada, com efeitos ainda mais mirabolantes. Bem, por mais que o nível da história decaia, não chegará jamais aos níveis abissais de Star Wars. Espero.