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22 de maio a 4 de junho de 2003


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FALTA DE EXPERIÊNCIA
Cometendo deslizes primários, o Corinthians jogou fora a possibilidade de seguir na Libertadores

por Anselmo Caparica (anselmocapa@yahoo.com.br)

nfelizmente ainda não é dessa vez que o Corinthians vai ser campeão da Libertadores. Em um Morumbi lotado, o Timão foi eliminado pelo River Plate. Assim o sonho corintiano fica mais distante novamente.

Claro que houve, sim, méritos do time argentino, que soube aproveitar muito bem as oportunidades que teve e jogou um futebol limpo e sério, sem apelar em momento algum para a violência. No entanto, o Corinthians perdeu para si próprio. Óbvio que o elenco corintiano é melhor, mas perdeu o controle do jogo em momentos cruciais, tanto na primeira quanto na segunda partida, na qual, se o time tivesse tranqüilidade e a cabeça no lugar, estaria nas quartas-de-final da Libertadores com absoluta certeza.

A começar pelo primeiro jogo. Claro que o torcedor não gosta de ver seu time jogando atrás, porém o Corinthians estava levando um ótimo resultado para casa até os 39 minutos do segundo tempo, quando, em um desses momentos cruciais, Kléber entrou na catimba argentina e foi expulso corretamente pelo árbitro. Falta de experiência, falta de bom-senso do jogador, que deu a brecha para que o River se reerguesse e, com uma falta brilhantemente batida por D’Alessandro, encontrasse o caminho para vencer o jogo de ida.

Esse resultado poderia ser revertido no jogo de volta. Porém, na Era Geninho o Corinthians desaprendeu um dos maiores trunfos da Era Parreira: a paciência. O Timão marcou o primeiro gol em um lance de bola parada no início e tomou outro logo em seguida. Ao invés de colocar a bola no chão e chegar ao gol adversário com mais calma, o que se viu foi uma péssima partida da equipe corintiana. Rifava a bola, não conseguia pegar os rebotes, fazia lançamentos péssimos e, naturalmente, o time argentino, que já é “macaco velho” em Libertadores, soube se aproveitar muito bem e fez o seu jogo. A confiança do time brasileiro era tão grande antes do início da partida, que parecia não pensar na possibilidade de tomar um gol do River.

Não se viu uma tabela, uma jogada ensaiada, um lance de perigo do Corinthians. O fraco goleiro argentino apenas tomou o gol no início, e não fez nenhuma defesa em todo o restante! Geninho era o espelho do nervosismo do time, e, ao invés de pedir para trabalhar a bola com tranquilidade, esperava que, em um lance de bola parada isolado, o time marcasse o gol salvador.

Resta agora ao torcedor brasileiro torcer por Grêmio e Santos, os representantes nacionais que ainda lutam pelo título da Libertadores. Deposita-se muita confiança no time da Vila Belmiro, que precisa mostrar um futebol melhor do que o apresentado contra o Nacional, já que o Peixe teve muita sorte com o gol contra que levou a partida para os pênaltis. Já o Grêmio é seríssimo candidato ao título. Isso porque o futebol gaúcho é o que mais se adapta ao estilo de jogo que um campeonato desse porte requer. Um futebol que não é bonito, e sim eficiente e de marcação.

Quanto à nação corintiana, resta agora torcer por umas das três primeiras posições do Campeonato Brasileiro, para tentar novamente conseguir o único título que resta na sala de troféus do clube. Pelo menos o time parece estar recuperado do baque e fez uma ótima partida contra o líder Cruzeiro no Mineirão. Só me pergunto o porquê de não ter mostrado o mesmo futebol contra o River Plate.. .