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5 a 21 de junho de 2003


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O PRÓXIMO HIT PODE ESTAR MAIS PRÓXIMO DO QUE SE POSSA IMAGINAR
As bandas estão em todos lugares e o próximo sucesso pode vir de uma delas; o Rabisco entrevista seis grupos com grande potencial

por Luiz Pattoli (luiz@rabisco.com.br)

esde a década de 60, qualquer jovem que tenha sido contaminado pela cultura pop teve o sonho de montar uma banda. Ao ouvir Beatles, Black Sabbath, Sex Pistols, The Cure ou Nirvana, a mente juvenil, ao mesmo tempo em que admira seus ídolos, tem vontade de se tornar igual a eles. Ou então, há apenas a vontade de tocar e não necessariamente ser um megastar. É aquele desejo de se expressar de alguma maneira, no caso a música, e, se alguém gostar, já está de bom tamanho.

Montar uma banda hoje em dia é relativamente simples e são diversos motivos que fazem um grupo de pessoas se reunir para tocar. Com certeza, a cada ano cresce o número de bandas pelo mundo e no Brasil também. Há alguns razões que são fáceis de detectar. Primeiramente, os instrumentos musicais podem ser achados mais facilmente e há uma maior variedade, inclusive de preços. Não há, também, a necessidade de um quarto ou garagem na casa de um dos integrantes para fazer os ensaios. Nas grandes cidades há diversos estúdios que alugam espaço para tal finalidade. E, com a internet, ficou um pouco mais fácil fazer com que outras pessoas conheçam o grupo. A fitas-demo foram substituídas pelo CD-Demo e pelo MP3, formas baratas e rápidas de fazer-se ouvir.

Analisando desta maneira, parece fácil montar uma banda e sair por aí tocando e fazendo um relativo sucesso. Não é bem assim. Para isso, conversei com alguns grupos que estão aí na luta, juntamente com outros inúmeros, buscando seus objetivos. Cada um à sua maneira, todos ambicionam um dia poder viver daquilo que mais gostam: música.

Veja abaixo as entrevistas realizadas por email com alguns desses grupos.

TATÚRULA – SÃO PAULO / DESDE 2002

O que significa esse nome?

Tatúrula é o nome de um monstro invisível criado por um amigo meu (Paulo Arós), companheiro de composição. Nós adotamos este nome por ser original e, também pelo seu significado: o medo é retratado de forma subjetiva em nosso trabalho. O medo real, do dia a dia. Da violência, das drogas, o medo do futuro ,etc.

Como vocês definem o som que vocês tocam?

Bom, nosso trabalho aborda temas sociais, cotidianos e até antropológicos, no sentido de informar e divertir nosso público. Sem querer rotular ou delimitar, podemos dizer que fazemos um rock denso e moderno.

Como surgiu a banda?

A banda Tatúrula surgiu quando eu (vocal) conheci o Daniel (baixo) num projeto musical chamado Slide, em 2000. Conhecemos o Leandro (teclados) em 2002, que veio se juntar ao time. Com esse encontro começamos a gravar o CD com músicas idealizadas em estúdio. No período de gravação encontramos René (bateria) e Marcelo (guitarra). Estava completo o time.

O que cada integrante faz além da banda?

Ultimamente venho me dedicando ao vídeo independente, dirigindo e atuando em alguns curtas-metragens. Já ganhei vários prêmios como melhor intérprete em festivais.Sou ator e, atualmente, desenvolvo dois projetos: O Cântico dos Cânticos, uma peça teatral, e O Asema, um longa-metragem. O Daniel, produtor musical de naturalidade chilena, veio para o Brasil ainda criança. Sempre atuou em bandas de rock pesado, além de fazer parte da Legião Cover e de ter tocado com Kelly Rhoads, o irmão do lendário guitarrista do Ozzy Osbourne, Randy Rhoads. Marcelo é analista de sistemas, e tocou com a banda Saigon, que chegou a fazer vários programas de TV e se apresentar em casas como o Palace. Detalhe, ele também é piloto de helicóptero. Nosso baterista, o René, administrador formado, não agüentou o clima de escritórios e decidiu partir para a música. Participou de bandas de heavy metal e pop rock, que tocavam em bares e casas da zona Sul de São Paulo. Chegou a receber um convite para tocar no extinto grupo Polegar. Recusou!

O que acham da troca de MP3 pela internet? Isso afeta vocês de alguma maneira?

De modo algum. Ao contrário. É um meio excelente de divulgação. Somos um grupo novo e precisamos de alta exposição. A radiodifusão de nossa musica é livre! Toquem e ouçam Tatúrula!

MONJOLO – SÃO PAULO / DESDE 2002

Quem são e o que fazem os integrantes do Monjolo?

Atualmente, o grupo é formado por mim, na bateria, Alfaia, baixo e vocal, Sasquat, guitarra, e Márcio Monjolo, na percussão. Ricardo Prado agora não é um membro fixo, ele toca quando pode. Além do Monjolo, trabalho na comunicação do projeto Raízes da Tradição (que trouxe, entre outras coisas, o Carnaval do Recife aqui pra São Paulo) e faço uns freelas aqui e ali com jornalismo e produção. Alfaia e Sasquat também fazem uns bicos de produção. Ricardo Prado toca no Peixelétrico e trabalha com outros artistas por aí. Márcio também é percussionista do Songo e dá aulas de percussão.

Como surgiu a banda?

O grupo começou a partir de umas jam sessions que fazíamos no Bar do Hotel Cambridge, no centro de São Paulo, em 2002. Lá também tocávamos algumas músicas do (pernambucano) Querosene Jacaré. Como o entrosamento estava rolando legal, resolvemos trabalhar na composição de novas músicas e na formação de uma identidade própria. Isso pode ser observado nos shows que estamos fazendo atualmente.

Dá pra definir o som que vocês tocam?

Particularmente, não sei definir ainda. O som é uma combinação do que cada um gosta de ouvir e que está ouvindo no momento, principalmente este último ponto. Temos escutado muita música eletrônica, o velho funk dos anos 60 e 70 (Meters, Mandril, War), Afrobeat (Femme Kuti, Antibalas), samba, música afrobrasileira etc. As coisas de Pernambuco não têm nem como não entrar, pois quase todos do grupo cresceram pelas bandas de lá. Mesmo sem querer, o negócio sai naturalmente. A pegada rock´n´roll também está presente.

Quais as perspectivas do grupo para o futuro?

Estamos compondo e preparando material para um futuro CD. Queremos
ter umas 25 músicas para termos uma maior variedade de escolha para a produção do disco. Também queremos fazer muitos shows. Felizmente, a resposta do público tem sido muito boa; o boca-a-boca positivo tem crescido e vários produtores (inclusive do exterior) têm demonstrado interesse pela banda.

Vocês desejam fazer parte do elenco de uma grande gravadora? Por quê?

Acho que para o som que fazemos, estar numa grande gravadora não é bom negócio. Como nossa música tem se mostrado bem particular (pelo menos é o que as pessoas falam), dificilmente uma "major" teria paciência para trabalhar detidamente conosco. O pessoal das grandes gravadoras só sabe (e só querem) trabalhar tratando os artistas como alguma marca de sabonete ou refrigerante. Nada contra, afinal estamos no capitalismo e o capital "tem que fluir", mas nosso caminho e de muitos outros artistas é outro.

O que vocês acham das rádios na sua cidade?

Falando das nossas duas cidades... Afinal, viemos do Recife, mas moramos em São Paulo. No Recife, o espaço maior vai para o brega, sertanejo e o que as gravadoras pagam para as rádios tocarem. Lá a situação é muito pior do que em Sampa. Aqui você ainda tem um leque maior de opções (apesar de não ser o ideal ainda). O ideal é que houvesse maior variedade e realmente mais espaço para todo mundo: do brega ao maracatu, do sertanejo ao eletrônico, do pop ao death metal; mas, infelizmente, isso não acontece.

O que acham da troca de MP3 pela internet?

Acabamos de disponibilizar três músicas demo na rede. O internauta pode baixá-las no link www.mp3.com/monjolo. A internet é uma coisa sensacional. Ela está dando uma chacoalhada na indústria fonográfica e têm ajudado artistas menos conhecidos a divulgar seu som. É um caminho sem volta.

DIÁFANES – SÃO PAULO / DESDE 2002

O que significa Diáfanes?

Diáfanes, em grego, significa transparente. Ou seja, algo que você vê através. A idéia do nome da banda veio de uma de nossas músicas, que chama "See-thru" (que significa transparente também, mas em inglês), em uma conversa minha pela internet, com o Ciro, atual guitarrista da banda. O nome representa bem a banda, pois nosso objetivo é, além de fazer rock com muito envolvimento artístico, tentar tornar as coisas mais claras, mais transparentes para que todos possam olhar mais a fundo, ou até mesmo ver através.

Como se conheceram?

Conheci o Ciro e o Rafael no conservatório musical em que estudo. E o Pietro conheci através do Ciro, eles tocam juntos há muito tempo.

E o que cada um faz além da banda?

Todos nós temos como principal atividade profissional a música. O Ciro, o Pietro e o Rafael fazem faculdade de música e tocam em outras bandas. O Ciro e o Pietro também são professores de música. Eu, além de musicista, sou também artista plástica. Até o final de junho, estou expondo na Pinacoteca de São Caetano.

Como vocês definem o som que vocês tocam?

É sempre difícil definir o som que você mesmo faz, mas basicamente o Diáfanes é o resultado de uma mistura de guitarras e baterias pesadas, com linhas de baixo melódicas com o meu vocal, que é mais agudo, associado a uma forte dose de experimentalismo.

Vocês desejam fazer parte do elenco de uma grande gravadora? Por quê?

Não faço questão de assinar contrato com uma grande gravadora. Mas claro que, se tivermos a oportunidade, ela será levada em consideração. É óbvio que um contrato desses daria nova dimensão à banda. Ela chegaria mais facilmente aos ouvidos do grande público, o que já é mais difícil quando se trata de uma banda independente. Mas nosso objetivo não é esse, se tivermos que continuar correndo atrás de shows, fazer divulgação, investir no álbum da banda, não tem problema, teremos a mesma dedicação que sempre tivemos e o som não sofrerá mudança alguma por causa da perspectiva de assinar contrato.

Contem um pouco de como se arranjam para fazer shows.

Todos nós já temos experiência com outras bandas e assim temos contatos em diversos lugares diferentes.

E o que ajuda muito é que quando você toca em algum lugar e causa uma boa impressão, isso acaba gerando convites para tocar em outros lugares.

O que acham da troca de MP3 pela internet?

Como uma forma de divulgação, a troca de mp3s é muito útil. Acho importante qualquer banda ter pelo menos dois MP3s na internet, porque afinal ninguém vai comprar seu CD ou assistir aos seus shows sem conhecer algumas músicas.

Isso é uma revolução incrível porque o público pode ter contato direto com o artista sem nenhum intermediário.

SENHOR X – RIBEIRÃO PRETO / DESDE 1997

Como vocês definem o som que vocês tocam?

É bem difícil você definir o tipo de som que se toca estando dentro da banda. Mas buscamos hoje uma sonoridade mais moderna, porém sempre aliada ao rock and roll, que é de onde viemos. Eu acho que a melhor definição do nosso som é identidade e atitude. Pois queremos que, ao ouvir nossa música, as pessoas nos reconheçam pela nossa própria sonoridade e que não nos vejam como pessoas apáticas que estão ali tentando o sucesso. Acreditamos no nosso trabalho.

Como surgiu a banda?

A banda surgiu no final de 1997 com o intuito de ser uma banda cover do Led Zeppelin, mas eram tantas bandas boas que decidimos expandir o repertório. Hoje nossa proposta é diferente, pois como disse anteriormente buscamos uma sonoridade nossa.

A formação atual se conheceu da seguinte forma: o Beto tocou comigo na primeira banda que tive e, como precisávamos trocar o guitarrista, ninguém melhor que um amigo. A Carla eu conheci através de uma "canja" que ela deu com a gente e vi algo muito especial no jeito dela se portar no palco, então logo a chamamos. O último a entrar na banda foi o Zar, baixista, que conhecemos através de um amigo em comum que nos indicou a ele. E logo montamos esta formação, que na minha opinião tem uma força muito grande.

Quais as perspectivas do grupo para o futuro?

Eu acho que não podemos prever o futuro, então procuramos trabalhar com o presente. Trabalhamos muito, ensaiamos toda semana sempre pesquisando novas sonoridades e músicas interessantes para o repertório. Claro que queremos ter validade nacional e sermos conhecidos e reconhecidos no Brasil. Mas só com muito trabalho iremos conseguir isto. Se ficarmos apenas esperando acontecer, com um pensamento do tipo “agora que o CD está pronto não precisamos mais trabalhar, vai cair alguém do céu para investir na gente”, isso não existe. Portanto, respondendo sua pergunta, a perspectiva da banda é trabalhar cada vez mais e melhor para poder dar às pessoas um grande espetáculo, acho que é o mínimo a que podemos aspirar.

O que vocês acham das rádios na sua cidade?

As rádios daqui de Ribeirão Preto estão muito boas e bem variadas, apenas acho que elas poderiam dar uma força maior para as bandas da cidade para que possamos ter uma cena forte aqui e "exportar" esses talentos para o resto do Brasil.

Contem um pouco de como se arranjam para fazer shows

Não temos muitos rituais para entrar no palco. A gente apenas se junta num canto e ficamos conversando, isso é essencial para o entrosamento da banda e, além disso, sempre sai muita besteira. A gente entra com um bom astral no palco.

O que acham da troca de MP3 pela internet? Isso afeta vocês de alguma maneira?

A troca de MP3 na internet tem vários agravantes. Ao mesmo tempo, é a melhor coisa que podiam ter inventado, pois, hoje, quando a gente precisa tirar uma música nova, não precisamos mais comprar um CD por causa de uma única música ou esperar tocar na rádio para gravar. Porém, o MP3 tira o direito dos músicos de receber por suas composições. Apesar de que no Brasil se ganha muito pouco por isso. Na minha opinião devia se preocupar mais com a pirataria, que isso sim tira bastante dos músicos, do que com a troca de MP3 pela internet. Essa troca só ajuda a divulgar nosso trabalho pelo mundo. Eu acho ótimo e faço bastante uso disto.

Existe algum tipo de integração com outras bandas?

Existe uma integração total da gente com outras bandas, sempre nos ajudamos e temos um carinho muito especial uns pelos outros. Posso citar o PB Messias, o Projeto B, Sunwalk and the Dogbrothers e tantas outras bandas que nos ajudam e montam um ótimo cenário de bandas em Ribeirão Preto. Mais do que um relacionamento profissional, somos muito amigos.

KARAMBAH – RIO DE JANEIRO / DESDE 1997

O que cada integrante faz além da banda?

Eu dou aula de guitarra e, acredite se quiser, daqui a um mês me formo em Direito; o Alexandre (vocal) é ator e artista plástico; o Marcio (teclado) é ator também; o Mauro (baixo) é web designer, foi ele quem fez a nossa home page e que trata da nossa parte virtual; Marcelo (batera) dá aulas de bateria.

Quais as perspectivas do grupo para o futuro?

Nosso primeiro passo foi dado, lançamos o nosso CD e já esgotamos a nossa primeira prensagem. Agora é continuar a tocar, tentar aparecer nos veículos de comunicação e aproveitar espaços como esse para mostrar a nossa cara.

Como vocês definem o som que vocês tocam?

Essa é uma pergunta básica mas que já nos confundiu demais. Porém, já prevendo futuros questionamentos a respeito, nos antecipamos e nos definimos por MPB-rock, simplesmente por não sermos tão suave quanto a MPB tradicional e nem tão agressivos quanto o rock. Eu diria que flutuamos por esse universo, mas algo que não podemos esconder é que somos românticos e nossas músicas deixam isso bem exposto.

Como vocês se conheceram?

Para te falar a verdade, nem me lembro muito bem quem me apresentou ao Alexandre mas a primeira vez que tocamos juntos foi em 1997 e desde então viramos amigos de sair na noite e de trocar CDs. O baixista (Mauro) já era conhecido do Alexandre há muitos anos, ele nem fez teste para entrar na banda. Já o tecladista (Marcio) conheceu o Alexandre em um curso de teatro que os dois faziam juntos. Já havíamos testado outro tecladista que tocava muito bem e é bem popular no meio musical atual, mas ele não casou com o nosso tipo de som. O último a entrar na banda foi o batera (Marcelo), que veio a substituir um baterista que tocava com a gente e era do sul do país. No fim das contas, essa substituição foi muito boa para a gente, pois o Marcelo é muito gente fina.

O que acham da troca de MP3 pela internet?

Para a banda, afeta positivamente pois não temos gravadoras e nem visamos lucro. Em verdade, a troca de arquivo MP3 ajuda a nos divulgar para longe do Rio de Janeiro.

Vocês desejam fazer parte do elenco de uma grande gravadora? Por que?

Claro. Num país de 170 milhões de pessoas é impossível querer se lançar a nível nacional sem um apoio maior. A gravadora faz essa parte e deixa o músico relaxado para cumprir o seu papel essencial, que é tocar e compor. Tentar fazer tudo ao mesmo tempo é estressante, mas no momento é isso que a gente tem feito, correndo atrás por conta própria.

WINSTON – PORTO ALEGRE / DESDE 1998

De onde veio o nome winston? É minúsculas mesmo?

Várias coisas determinaram o nome winston para a banda. Winston Smith, personagem do livro 1984, de George Orwell; John Winston Lennon, Winston Macintosh (Peter Tosh) e uma idéia envolvendo “coadjuvância”, que é representada na figura do Winston, personagem do filme e desenho Os Caça-Fantasmas. Quando a banda começou, era o retrato da despretensão, do desleixo, da total falta de ambição, o próprio desejo de coadjuvância. Mantenho-me fascinado pelos heróis invisíveis, muito mais interessantes do que os protagonistas. Na música e na vida.

Como vocês definem o som que vocês tocam?

Eu chamaria de guitarreira. Mas cada pessoa tem suas próprias definições.
É difícil tratar com rótulos. Eu prefiro chamar simplesmente de rock, sem firulas.

Como se conheceram?

Dudu é meu primo. O Fábio entrou na banda quando fizemos testes para baterista no ano passado e o Marcos a gente conhece desde 1999, quando ele entrou em contato com a banda por curtir o som.
Eu conheci o winston vendo o programa Lado B MTV. Em meados de 1999, no intervalo entre os clipes rolava umas resenhas rápidas de fitas demo. Apareceu a do winston e me chamou a atenção, aí busquei contato pelo e-mail que foi divulgado. Encomendei a fita e segui mantendo contato por meio da internet. Fui conhecer pessoalmente o Dudu e o Tiago só no ano seguinte, em um show da banda. Aí, ficamos amigos.

O que cada integrante faz além da banda?

Eu estudo filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Eu estou terminando o curso de jornalismo na PUC-RS e trabalho também em uma assessoria de imprensa em Porto Alegre. O Fábio estuda Geologia na UFRGS e toca bateria o dia inteiro (risos).
Eu trabalho como técnico programador de softwares. Faço faculdade de Engenharia Elétrica. Também produzo shows e eventos independentes e escrevo para o fanzine O Apanhador.

Vocês desejam fazer parte do elenco de uma grande gravadora? Por quê?

Não diretamente. Temos um remoto sonho de viver de música, e no Brasil a única maneira talvez seja entrando em uma grande gravadora, onde há uma boa estrutura de divulgação. E, tendo um disco bem divulgado, as pessoas comparecem aos shows, que são de onde efetivamente vêm o sustento de uma banda. Entretanto, sabemos que isto é difícil acontecer para uma banda como a nossa, que se preocupa em ter um trabalho relevante e bem feito e que agrade prioritariamente a nós mesmos.

Contem um pouco de como se arranjam para fazer shows.

É quase sempre por nossa conta. Marcamos shows com bares e produzimos nós mesmos toda a divulgação. Mandamos fazer panfletos e cartazes e distribuímos por aí. Enviamos release para os meios de comunicação. No dia do show, carregamos nossos próprios equipamentos e fazemos uso deles. O público comparece, e a bilheteria cobre os custos da divulgação e do transporte. É mais ou menos assim. Underground, porém sincero.