| O PRÓXIMO HIT PODE ESTAR
MAIS PRÓXIMO DO QUE SE POSSA IMAGINAR
As bandas estão em todos lugares
e o próximo sucesso pode vir de uma delas; o Rabisco
entrevista seis grupos com grande potencial
por Luiz
Pattoli (luiz@rabisco.com.br)
esde a década de 60, qualquer jovem que tenha sido contaminado
pela cultura pop teve o sonho de montar uma banda. Ao ouvir Beatles,
Black Sabbath, Sex Pistols, The Cure ou Nirvana, a mente juvenil,
ao mesmo tempo em que admira seus ídolos, tem vontade de
se tornar igual a eles. Ou então, há apenas a vontade
de tocar e não necessariamente ser um megastar.
É aquele desejo de se expressar de alguma maneira, no caso
a música, e, se alguém gostar, já está
de bom tamanho.
Montar uma banda hoje em dia é relativamente
simples e são diversos motivos que fazem um grupo de pessoas
se reunir para tocar. Com certeza, a cada ano cresce o número
de bandas pelo mundo e no Brasil também. Há alguns
razões que são fáceis de detectar. Primeiramente,
os instrumentos musicais podem ser achados mais facilmente e há
uma maior variedade, inclusive de preços. Não há,
também, a necessidade de um quarto ou garagem na casa de
um dos integrantes para fazer os ensaios. Nas grandes cidades há
diversos estúdios que alugam espaço para tal finalidade.
E, com a internet, ficou um pouco mais fácil fazer com que
outras pessoas conheçam o grupo. A fitas-demo foram substituídas
pelo CD-Demo e pelo MP3, formas baratas e rápidas de fazer-se
ouvir.
Analisando desta maneira, parece fácil montar
uma banda e sair por aí tocando e fazendo um relativo sucesso.
Não é bem assim. Para isso, conversei com alguns grupos
que estão aí na luta, juntamente com outros inúmeros,
buscando seus objetivos. Cada um à sua maneira, todos ambicionam
um dia poder viver daquilo que mais gostam: música.
Veja abaixo as entrevistas realizadas por email com
alguns desses grupos.
TATÚRULA
– SÃO PAULO / DESDE 2002
O que significa esse nome?
Tatúrula é o nome de um monstro invisível criado
por um amigo meu (Paulo Arós), companheiro de composição.
Nós adotamos este nome por ser original e, também
pelo seu significado: o medo é retratado de forma subjetiva
em nosso trabalho. O medo real, do dia a dia. Da violência,
das drogas, o medo do futuro ,etc.
Como vocês definem o som que vocês tocam?
Bom, nosso trabalho aborda temas sociais, cotidianos e até
antropológicos, no sentido de informar e divertir nosso público.
Sem querer rotular ou delimitar, podemos dizer que fazemos um rock
denso e moderno.
Como surgiu a banda?
A banda Tatúrula surgiu quando eu (vocal) conheci o Daniel
(baixo) num projeto musical chamado Slide, em 2000. Conhecemos o
Leandro (teclados) em 2002, que veio se juntar ao time. Com esse
encontro começamos a gravar o CD com músicas idealizadas
em estúdio. No período de gravação encontramos
René (bateria) e Marcelo (guitarra). Estava completo o time.
O que cada integrante faz além da banda?
Ultimamente venho me dedicando ao vídeo independente, dirigindo
e atuando em alguns curtas-metragens. Já ganhei vários
prêmios como melhor intérprete em festivais.Sou ator
e, atualmente, desenvolvo dois projetos: O Cântico dos
Cânticos, uma peça teatral, e O Asema, um
longa-metragem. O Daniel, produtor musical de naturalidade chilena,
veio para o Brasil ainda criança. Sempre atuou em bandas
de rock pesado, além de fazer parte da Legião Cover
e de ter tocado com Kelly Rhoads, o irmão do lendário
guitarrista do Ozzy Osbourne, Randy Rhoads. Marcelo é analista
de sistemas, e tocou com a banda Saigon, que chegou a fazer vários
programas de TV e se apresentar em casas como o Palace. Detalhe,
ele também é piloto de helicóptero. Nosso baterista,
o René, administrador formado, não agüentou o
clima de escritórios e decidiu partir para a música.
Participou de bandas de heavy metal e pop rock, que tocavam em bares
e casas da zona Sul de São Paulo. Chegou a receber um convite
para tocar no extinto grupo Polegar. Recusou!
O que acham da troca de MP3 pela internet? Isso afeta vocês
de alguma maneira?
De modo algum. Ao contrário. É um meio excelente de
divulgação. Somos um grupo novo e precisamos de alta
exposição. A radiodifusão de nossa musica é
livre! Toquem e ouçam Tatúrula!
MONJOLO
– SÃO PAULO / DESDE 2002
Quem são e o que fazem os integrantes do Monjolo?
Atualmente, o grupo é formado por mim, na bateria, Alfaia,
baixo e vocal, Sasquat, guitarra, e Márcio Monjolo, na percussão.
Ricardo Prado agora não é um membro fixo, ele toca
quando pode. Além do Monjolo, trabalho na comunicação
do projeto Raízes da Tradição (que trouxe,
entre outras coisas, o Carnaval do Recife aqui pra São Paulo)
e faço uns freelas aqui e ali com jornalismo e produção.
Alfaia e Sasquat também fazem uns bicos de produção.
Ricardo Prado toca no Peixelétrico e trabalha com outros
artistas por aí. Márcio também é percussionista
do Songo e dá aulas de percussão.
Como surgiu a banda?
O grupo começou a partir de umas jam sessions que fazíamos
no Bar do Hotel Cambridge, no centro de São Paulo, em 2002.
Lá também tocávamos algumas músicas
do (pernambucano) Querosene Jacaré. Como o entrosamento estava
rolando legal, resolvemos trabalhar na composição
de novas músicas e na formação de uma identidade
própria. Isso pode ser observado nos shows que estamos fazendo
atualmente.
Dá pra definir o som que vocês tocam?
Particularmente, não sei definir ainda. O som é uma
combinação do que cada um gosta de ouvir e que está
ouvindo no momento, principalmente este último ponto. Temos
escutado muita música eletrônica, o velho funk dos
anos 60 e 70 (Meters, Mandril, War), Afrobeat (Femme Kuti, Antibalas),
samba, música afrobrasileira etc. As coisas de Pernambuco
não têm nem como não entrar, pois quase todos
do grupo cresceram pelas bandas de lá. Mesmo sem querer,
o negócio sai naturalmente. A pegada rock´n´roll
também está presente.
Quais as perspectivas do grupo para o futuro?
Estamos compondo e preparando material para um futuro CD. Queremos
ter umas 25 músicas para termos uma maior variedade de escolha
para a produção do disco. Também queremos fazer
muitos shows. Felizmente, a resposta do público tem sido
muito boa; o boca-a-boca positivo tem crescido e vários produtores
(inclusive do exterior) têm demonstrado interesse pela banda.
Vocês desejam fazer parte do elenco de uma grande gravadora?
Por quê?
Acho que para o som que fazemos, estar numa grande gravadora não
é bom negócio. Como nossa música tem se mostrado
bem particular (pelo menos é o que as pessoas falam), dificilmente
uma "major" teria paciência para trabalhar detidamente
conosco. O pessoal das grandes gravadoras só sabe (e só
querem) trabalhar tratando os artistas como alguma marca de sabonete
ou refrigerante. Nada contra, afinal estamos no capitalismo e o
capital "tem que fluir", mas nosso caminho e de muitos
outros artistas é outro.
O que vocês acham das rádios na sua cidade?
Falando das nossas duas cidades... Afinal, viemos do Recife, mas
moramos em São Paulo. No Recife, o espaço maior vai
para o brega, sertanejo e o que as gravadoras pagam para as rádios
tocarem. Lá a situação é muito pior
do que em Sampa. Aqui você ainda tem um leque maior de opções
(apesar de não ser o ideal ainda). O ideal é que houvesse
maior variedade e realmente mais espaço para todo mundo:
do brega ao maracatu, do sertanejo ao eletrônico, do pop ao
death metal; mas, infelizmente, isso não acontece.
O que acham da troca de MP3 pela internet?
Acabamos de disponibilizar três músicas demo na rede.
O internauta pode baixá-las no link www.mp3.com/monjolo.
A internet é uma coisa sensacional. Ela está dando
uma chacoalhada na indústria fonográfica e têm
ajudado artistas menos conhecidos a divulgar seu som. É um
caminho sem volta.
DIÁFANES
– SÃO PAULO / DESDE 2002
O que significa Diáfanes?
Diáfanes, em grego, significa transparente. Ou seja, algo
que você vê através. A idéia do nome da
banda veio de uma de nossas músicas, que chama "See-thru"
(que significa transparente também, mas em inglês),
em uma conversa minha pela internet, com o Ciro, atual guitarrista
da banda. O nome representa bem a banda, pois nosso objetivo é,
além de fazer rock com muito envolvimento artístico,
tentar tornar as coisas mais claras, mais transparentes para que
todos possam olhar mais a fundo, ou até mesmo ver através.
Como se conheceram?
Conheci o Ciro e o Rafael no conservatório musical em que
estudo. E o Pietro conheci através do Ciro, eles tocam juntos
há muito tempo.
E o que cada um faz além da banda?
Todos nós temos como principal atividade profissional a música.
O Ciro, o Pietro e o Rafael fazem faculdade de música e tocam
em outras bandas. O Ciro e o Pietro também são professores
de música. Eu, além de musicista, sou também
artista plástica. Até o final de junho, estou expondo
na Pinacoteca de São Caetano.
Como vocês definem o som que vocês tocam?
É sempre difícil definir o som que você mesmo
faz, mas basicamente o Diáfanes é o resultado de uma
mistura de guitarras e baterias pesadas, com linhas de baixo melódicas
com o meu vocal, que é mais agudo, associado a uma forte
dose de experimentalismo.
Vocês desejam fazer parte do elenco de uma grande gravadora?
Por quê?
Não faço questão de assinar contrato com uma
grande gravadora. Mas claro que, se tivermos a oportunidade, ela
será levada em consideração. É óbvio
que um contrato desses daria nova dimensão à banda.
Ela chegaria mais facilmente aos ouvidos do grande público,
o que já é mais difícil quando se trata de
uma banda independente. Mas nosso objetivo não é esse,
se tivermos que continuar correndo atrás de shows, fazer
divulgação, investir no álbum da banda, não
tem problema, teremos a mesma dedicação que sempre
tivemos e o som não sofrerá mudança alguma
por causa da perspectiva de assinar contrato.
Contem um pouco de como se arranjam para fazer shows.
Todos nós já temos experiência com outras bandas
e assim temos contatos em diversos lugares diferentes.
E o que ajuda muito é que quando você toca em algum
lugar e causa uma boa impressão, isso acaba gerando convites
para tocar em outros lugares.
O que acham da troca de MP3 pela internet?
Como uma forma de divulgação, a troca de mp3s é
muito útil. Acho importante qualquer banda ter pelo menos
dois MP3s na internet, porque afinal ninguém vai comprar
seu CD ou assistir aos seus shows sem conhecer algumas músicas.
Isso é uma revolução incrível porque
o público pode ter contato direto com o artista sem nenhum
intermediário.
SENHOR
X – RIBEIRÃO PRETO / DESDE 1997
Como vocês definem o som que vocês tocam?
É bem difícil você definir o tipo de som que
se toca estando dentro da banda. Mas buscamos hoje uma sonoridade
mais moderna, porém sempre aliada ao rock and roll, que é
de onde viemos. Eu acho que a melhor definição do
nosso som é identidade e atitude. Pois queremos que, ao ouvir
nossa música, as pessoas nos reconheçam pela nossa
própria sonoridade e que não nos vejam como pessoas
apáticas que estão ali tentando o sucesso. Acreditamos
no nosso trabalho.
Como surgiu a banda?
A banda surgiu no final de 1997 com o intuito de ser uma banda cover
do Led Zeppelin, mas eram tantas bandas boas que decidimos expandir
o repertório. Hoje nossa proposta é diferente, pois
como disse anteriormente buscamos uma sonoridade nossa.
A formação atual se conheceu da seguinte
forma: o Beto tocou comigo na primeira banda que tive e, como precisávamos
trocar o guitarrista, ninguém melhor que um amigo. A Carla
eu conheci através de uma "canja" que ela deu com
a gente e vi algo muito especial no jeito dela se portar no palco,
então logo a chamamos. O último a entrar na banda
foi o Zar, baixista, que conhecemos através de um amigo em
comum que nos indicou a ele. E logo montamos esta formação,
que na minha opinião tem uma força muito grande.
Quais as perspectivas do grupo para o futuro?
Eu acho que não podemos prever o futuro, então procuramos
trabalhar com o presente. Trabalhamos muito, ensaiamos toda semana
sempre pesquisando novas sonoridades e músicas interessantes
para o repertório. Claro que queremos ter validade nacional
e sermos conhecidos e reconhecidos no Brasil. Mas só com
muito trabalho iremos conseguir isto. Se ficarmos apenas esperando
acontecer, com um pensamento do tipo “agora que o CD está
pronto não precisamos mais trabalhar, vai cair alguém
do céu para investir na gente”, isso não existe.
Portanto, respondendo sua pergunta, a perspectiva da banda é
trabalhar cada vez mais e melhor para poder dar às pessoas
um grande espetáculo, acho que é o mínimo a
que podemos aspirar.
O que vocês acham das rádios na sua cidade?
As rádios daqui de Ribeirão Preto estão muito
boas e bem variadas, apenas acho que elas poderiam dar uma força
maior para as bandas da cidade para que possamos ter uma cena forte
aqui e "exportar" esses talentos para o resto do Brasil.
Contem um pouco de como se arranjam para fazer shows
Não temos muitos rituais para entrar no palco. A gente apenas
se junta num canto e ficamos conversando, isso é essencial
para o entrosamento da banda e, além disso, sempre sai muita
besteira. A gente entra com um bom astral no palco.
O que acham da troca de MP3 pela internet? Isso afeta vocês
de alguma maneira?
A troca de MP3 na internet tem vários agravantes. Ao mesmo
tempo, é a melhor coisa que podiam ter inventado, pois, hoje,
quando a gente precisa tirar uma música nova, não
precisamos mais comprar um CD por causa de uma única música
ou esperar tocar na rádio para gravar. Porém, o MP3
tira o direito dos músicos de receber por suas composições.
Apesar de que no Brasil se ganha muito pouco por isso. Na minha
opinião devia se preocupar mais com a pirataria, que isso
sim tira bastante dos músicos, do que com a troca de MP3
pela internet. Essa troca só ajuda a divulgar nosso trabalho
pelo mundo. Eu acho ótimo e faço bastante uso disto.
Existe algum tipo de integração com outras bandas?
Existe uma integração total da gente com outras bandas,
sempre nos ajudamos e temos um carinho muito especial uns pelos
outros. Posso citar o PB Messias, o Projeto B, Sunwalk and the Dogbrothers
e tantas outras bandas que nos ajudam e montam um ótimo cenário
de bandas em Ribeirão Preto. Mais do que um relacionamento
profissional, somos muito amigos.
KARAMBAH
– RIO DE JANEIRO / DESDE 1997
O que cada integrante faz além da banda?
Eu dou aula de guitarra e, acredite se quiser, daqui a um mês
me formo em Direito; o Alexandre (vocal) é ator e artista
plástico; o Marcio (teclado) é ator também;
o Mauro (baixo) é web designer, foi ele quem fez a nossa
home page e que trata da nossa parte virtual; Marcelo (batera) dá
aulas de bateria.
Quais as perspectivas do grupo para o futuro?
Nosso primeiro passo foi dado, lançamos o nosso CD e já
esgotamos a nossa primeira prensagem. Agora é continuar a
tocar, tentar aparecer nos veículos de comunicação
e aproveitar espaços como esse para mostrar a nossa cara.
Como vocês definem o som que vocês tocam?
Essa é uma pergunta básica mas que já nos confundiu
demais. Porém, já prevendo futuros questionamentos
a respeito, nos antecipamos e nos definimos por MPB-rock, simplesmente
por não sermos tão suave quanto a MPB tradicional
e nem tão agressivos quanto o rock. Eu diria que flutuamos
por esse universo, mas algo que não podemos esconder é
que somos românticos e nossas músicas deixam isso bem
exposto.
Como vocês se conheceram?
Para te falar a verdade, nem me lembro muito bem quem me apresentou
ao Alexandre mas a primeira vez que tocamos juntos foi em 1997 e
desde então viramos amigos de sair na noite e de trocar CDs.
O baixista (Mauro) já era conhecido do Alexandre há
muitos anos, ele nem fez teste para entrar na banda. Já o
tecladista (Marcio) conheceu o Alexandre em um curso de teatro que
os dois faziam juntos. Já havíamos testado outro tecladista
que tocava muito bem e é bem popular no meio musical atual,
mas ele não casou com o nosso tipo de som. O último
a entrar na banda foi o batera (Marcelo), que veio a substituir
um baterista que tocava com a gente e era do sul do país.
No fim das contas, essa substituição foi muito boa
para a gente, pois o Marcelo é muito gente fina.
O que acham da troca de MP3 pela internet?
Para a banda, afeta positivamente pois não temos gravadoras
e nem visamos lucro. Em verdade, a troca de arquivo MP3 ajuda a
nos divulgar para longe do Rio de Janeiro.
Vocês desejam fazer parte do elenco de uma grande gravadora?
Por que?
Claro. Num país de 170 milhões de pessoas é
impossível querer se lançar a nível nacional
sem um apoio maior. A gravadora faz essa parte e deixa o músico
relaxado para cumprir o seu papel essencial, que é tocar
e compor. Tentar fazer tudo ao mesmo tempo é estressante,
mas no momento é isso que a gente tem feito, correndo atrás
por conta própria.
WINSTON
– PORTO ALEGRE / DESDE 1998
De onde veio o nome winston? É minúsculas mesmo?
Várias coisas determinaram o nome winston para a banda. Winston
Smith, personagem do livro 1984, de George Orwell; John Winston
Lennon, Winston Macintosh (Peter Tosh) e uma idéia envolvendo
“coadjuvância”, que é representada na figura
do Winston, personagem do filme e desenho Os Caça-Fantasmas.
Quando a banda começou, era o retrato da despretensão,
do desleixo, da total falta de ambição, o próprio
desejo de coadjuvância. Mantenho-me fascinado pelos heróis
invisíveis, muito mais interessantes do que os protagonistas.
Na música e na vida.
Como vocês definem o som que vocês tocam?
Eu chamaria de guitarreira. Mas cada pessoa tem suas próprias
definições.
É difícil tratar com rótulos. Eu prefiro chamar
simplesmente de rock, sem firulas.
Como se conheceram?
Dudu é meu primo. O Fábio entrou na banda quando fizemos
testes para baterista no ano passado e o Marcos a gente conhece
desde 1999, quando ele entrou em contato com a banda por curtir
o som.
Eu conheci o winston vendo o programa Lado B MTV. Em meados de 1999,
no intervalo entre os clipes rolava umas resenhas rápidas
de fitas demo. Apareceu a do winston e me chamou a atenção,
aí busquei contato pelo e-mail que foi divulgado. Encomendei
a fita e segui mantendo contato por meio da internet. Fui conhecer
pessoalmente o Dudu e o Tiago só no ano seguinte, em um show
da banda. Aí, ficamos amigos.
O que cada integrante faz além da banda?
Eu estudo filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Eu estou terminando o curso de jornalismo na PUC-RS e trabalho também
em uma assessoria de imprensa em Porto Alegre. O Fábio estuda
Geologia na UFRGS e toca bateria o dia inteiro (risos).
Eu trabalho como técnico programador de softwares. Faço
faculdade de Engenharia Elétrica. Também produzo shows
e eventos independentes e escrevo para o fanzine O
Apanhador.
Vocês desejam fazer parte do elenco de uma grande gravadora?
Por quê?
Não diretamente. Temos um remoto sonho de viver de música,
e no Brasil a única maneira talvez seja entrando em uma grande
gravadora, onde há uma boa estrutura de divulgação.
E, tendo um disco bem divulgado, as pessoas comparecem aos shows,
que são de onde efetivamente vêm o sustento de uma
banda. Entretanto, sabemos que isto é difícil acontecer
para uma banda como a nossa, que se preocupa em ter um trabalho
relevante e bem feito e que agrade prioritariamente a nós
mesmos.
Contem um pouco de como se arranjam para fazer shows.
É quase sempre por nossa conta. Marcamos shows com bares
e produzimos nós mesmos toda a divulgação.
Mandamos fazer panfletos e cartazes e distribuímos por aí.
Enviamos release para os meios de comunicação. No
dia do show, carregamos nossos próprios equipamentos e fazemos
uso deles. O público comparece, e a bilheteria cobre os custos
da divulgação e do transporte. É mais ou menos
assim. Underground, porém sincero. 
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