equipe discussao anteriores
5 a 21 de junho de 2003


Picosearch

ESSE PATINHO FEIO VAI SACUDIR SEU CORPO
Dona de um estilo único de se vestir e de cantar, Macy Gray retorna com The Trouble With Being Myself

por Marcio Caparica (marcio@rabisco.com.br)

ma das cantoras mais estilosas da black music americana está de volta. The Trouble With Being Myself é o novo disco de Macy Gray, que retorna fazendo o que havia de melhor em seus dois discos anteriores, On How Life Is (1999) e The Id (2001): músicas agitadas e bem-humoradas, capazes de atear fogo em qualquer pista de dança.

Macy Gray tem um estilo que torna seu sucesso tão improvável quanto delicioso. Dentuça, rechonchuda e negra, pode-se dizer tudo, menos que é mais um rostinho bonito. Além disso, sua voz é rouca e às vezes esganiçada. Ao invés de se tornarem empecilhos, no entanto, essas tornaram-se características marcantes de seu estilo, que, junto com a alta qualidade de seus arranjos, tornam suas canções imediatamente reconhecíveis por seus admiradores. Também marcante é seu estilo de se vestir e movimentar-se, que transformam o patinho feio em alguém peculiar e sensual, cujo estilo já é copiado por vários artistas.

Não surpreendentemente, suas músicas mais conhecidas são os hits românticos “I Try” e “Sweet Baby”, fantásticas declarações de amor capazes de amolecer qualquer coração de granito. O estilo sincero e autêntico de Gray para falar de relacionamentos amorosos continua presente neste novo álbum, em canções como “She Ain’t Righ For You” e “Speechless”, apesar de essas melodias não conseguem repetir as explosões de sentimento de suas precursoras.

Mas o melhor mesmo são as misturas de rock, hip-hop e jazz que preenchem o resto dos disco. Macy Gray não economiza instrumentos e sons para produzir canções cheias de swing. A primeira faixa, “When I See You”, já abre o disco com um estouro, numa batida que faz quadris e braços sacudirem como se tivessem vida própria. “Come Together” tem uma animação crescente que torna impossível não se dançar da forma que for possível quando os metais soam em seus segundos finais.

E o humor da cantora com relação à vida e ao sexo, que já marcava presença em canções como “Gimme All Your Lovin’ Or I Will Kill You”, de seu segundo disco, continua afiadíssimo nesse último, principalmente na canção “My Fondest Childhood Memories”, em que relata como, depois de encontrar o pai transando com a babá e sua mãe recebendo um trato do encanador, matou os amantes. No final, completa: “Como era criança, meus pais me perdoaram, e continuam casados e felizes até hoje. Estas são minhas recordações de infância mais queridas...”

Gray é a responsável por alguns dos videoclipes mais legais dos últimos anos (os de “I Try” e “Sweet Baby” são lindos, e o de “Sexual Revolution” é bacanérrimo), e parece que vai continuar com a boa safra: “When I See You” inova na maneira de contar a mesma história do primeiro encontro de sempre. Vale a pena dedicar algum tempo internético para assisti-lo. Dificilmente você não entrará para a legião dos que, quando querem animar sua noite, pensam imediatamente em Macy Gray .