| ESSE PATINHO FEIO VAI SACUDIR
SEU CORPO
Dona de um estilo único de
se vestir e de cantar, Macy Gray retorna com The Trouble With
Being Myself
por Marcio
Caparica (marcio@rabisco.com.br)

ma das cantoras mais estilosas da black music americana está
de volta. The Trouble With Being Myself é o novo disco
de Macy Gray, que retorna fazendo o que havia de melhor em seus
dois discos anteriores, On How Life Is (1999) e The Id
(2001): músicas agitadas e bem-humoradas, capazes de atear
fogo em qualquer pista de dança.
Macy Gray tem um estilo que torna seu sucesso tão improvável
quanto delicioso. Dentuça, rechonchuda e negra, pode-se dizer
tudo, menos que é mais um rostinho bonito. Além disso,
sua voz é rouca e às vezes esganiçada. Ao invés
de se tornarem empecilhos, no entanto, essas tornaram-se características
marcantes de seu estilo, que, junto com a alta qualidade de seus
arranjos, tornam suas canções imediatamente reconhecíveis
por seus admiradores. Também marcante é seu estilo
de se vestir e movimentar-se, que transformam o patinho feio em
alguém peculiar e sensual, cujo estilo já é
copiado por vários artistas.
Não
surpreendentemente, suas músicas mais conhecidas são
os hits românticos “I Try” e “Sweet Baby”,
fantásticas declarações de amor capazes de
amolecer qualquer coração de granito. O estilo sincero
e autêntico de Gray para falar de relacionamentos amorosos
continua presente neste novo álbum, em canções
como “She Ain’t Righ For You” e “Speechless”,
apesar de essas melodias não conseguem repetir as explosões
de sentimento de suas precursoras.
Mas o melhor mesmo são as misturas de rock,
hip-hop e jazz que preenchem o resto dos disco. Macy Gray não
economiza instrumentos e sons para produzir canções
cheias de swing. A primeira faixa, “When I See You”,
já abre o disco com um estouro, numa batida que faz quadris
e braços sacudirem como se tivessem vida própria.
“Come Together” tem uma animação crescente
que torna impossível não se dançar da forma
que for possível quando os metais soam em seus segundos finais.
E
o humor da cantora com relação à vida e ao
sexo, que já marcava presença em canções
como “Gimme All Your Lovin’ Or I Will Kill You”,
de seu segundo disco, continua afiadíssimo nesse último,
principalmente na canção “My Fondest Childhood
Memories”, em que relata como, depois de encontrar o pai transando
com a babá e sua mãe recebendo um trato do encanador,
matou os amantes. No final, completa: “Como era criança,
meus pais me perdoaram, e continuam casados e felizes até
hoje. Estas são minhas recordações de infância
mais queridas...”
Gray é a responsável por alguns dos
videoclipes mais legais dos últimos anos (os de “I
Try” e “Sweet Baby” são lindos, e o de
“Sexual Revolution” é bacanérrimo), e
parece que vai continuar com a boa safra: “When I See You”
inova na maneira de contar a mesma história do primeiro encontro
de sempre. Vale a pena dedicar algum tempo internético para
assisti-lo. Dificilmente você não entrará para
a legião dos que, quando querem animar sua noite, pensam
imediatamente em Macy Gray . 
|