| “PUNK NOT DEAD”
Para Shakespeare, punk significava
prostituta. Mais tarde, no inglês culto, virou sinônimo
de miserável. E hoje, o que é punk?
por Thiago
Vieira

história do movimento punk é tão
contraditória quanto seus ideais e pontos de vista dentro
do próprio movimento.
A versão mais aceita e conhecida é de que o movimento
nasceu na Inglaterra em meados dos anos 60, no auge de uma das maiores
crises econômicas que a Europa e principalmente a Inglaterra
(acostumada a ser o pólo comercial da Europa) já havia
enfrentado. Com as demissões em massa, a revolução
industrial começava a mostrar seu lado frio e impiedoso.
A selvageria do capitalismo era finalmente conhecida.
Os funcionários demitidos, sem nenhuma perspectiva de arrumar
outro emprego, acharam uma forma de protesto “silenciosa”
contra a industrialização (silenciosa, claro, até
começar o movimento musical punk). Eles
não concordavam com o ideal hippie; sua
“luta” era contra a selvageria do sistema em que estavam.
Suas roupas eram rasgadas pelo constante uso e seu visual tinha
a intenção de chocar a conservadora sociedade inglesa
da época. O protesto silencioso e sues adeptos foram apelidados,
pelos jornalistas britânicos, de punk.
Eram “os miseráveis contra a industrialização
burguesa”.
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| Ramones |
Quase simultaneamente, do outro lado do Atlântico,
o movimento punk chegava ao continente americano, no início
dos anos 70. Nos Estados Unidos, nas cidades mais caóticas
(Nova York, Chicago, Detroit...), o movimento punk nascia,
mas não sob o mesmo contexto de sua contraparte inglesa.
A sociedade americana era, e ainda é, tão conservadora
quanto à inglesa, da qual descende, mas seus motivos eram
outros. Os punks americanos lutavam pela liberdade de expressão
(que nunca existiu realmente no país), pela paz e pelo fim
do racismo, dentre outras bandeiras próprias.
Graças ao regime militar, o movimento punk
no Brasil é tardio. Só aparece por volta dos anos
80, já no fim da ditadura. Aqui, o fenômeno teve um
outro rumo; se tornou mais uma das vozes contra o governo, há
24 anos no poder. Algumas coisas se mantinham do punk estadunidense,
como a luta pela paz e pela liberdade de expressão.
Todos os três movimentos que, apesar de receberem mesmo nome,
tinham “ideais” diferentes, partiam do mesmo princípio:
o Anarquismo. Apesar do que se conhece como anarquia, o anarquismo
prega uma estrutura social sem representantes, ou seja, sem governo
ou autoridade. Promove a paz e a responsabilidade mútua.
Todos os cidadãos são responsáveis pelos seus
atos e o crescimento do “estado”, país. O anarquismo
ganhou os sentidos de desordem, confusão, desmoralização,
quando se tentou imaginar esta estrutura social em vigor, levando
em consideração a sociedade já viciada em sua
ambição e egoísmo. Estes conceitos ganharam
ainda mais força quando os punks começaram
a fazer uma espécie de distribuição de renda
forçada. Era comum punks assaltarem pessoas
e lojas para se manterem.
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| Sex Pistols |
Hoje, o movimento tem outra atuação
na sociedade. Um pouco mais aceito pela sociedade, o punk
banalizou-se. Perdeu força, não é mais aquela
voz estúpida e chocante com alguma influência. Hoje,
poucos dos que se dizem punks sabem o que é anarquismo
ou como interpretar a teoria anarquista. A música punk
não tem mais a crítica social e as que têm,
acabam caindo na banalidade, na mesmice, na falta de originalidade.
"Punk Not Dead". Isto é um fato,
o movimento punk nunca vai morrer. É o auge da rebeldia
adolescente. O movimento punk, romantizado por seus ideais
igualitários, atende a todos os anseios da juventude até
mesmo nas contradições, comuns tanto nos jovens quanto
nos ideais punks. Mas onde este movimento vai parar? Pelo
que vai lutar? Cairá na banalidade? Seria cômico se
não fosse trágico, mas eu vejo o movimento punk
como uma grande ONG, uma organização que faz muito
estardalhaço, mas cuja ação não chega
a metade do que anuncia. 
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