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5 a 21 de junho de 2003


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ELEFANTE SUPERSÔNICO
Americanos do White stripes surpreendem e soltam um dos melhores discos do ano

por Guilherme Sorgine (sorgine@bol.com.br)

ntes de começar essa matéria, tenho que confessar uma coisa. Nunca fui fã de White Stripes. Acho o som deles esquálido. A voz anasalada de Jack White me dá nos nervos, e a baterista, coitada, além de ser gorda, só aprendeu a tocar um compasso. Não consegui passar da décima faixa de White Blood Cells. E é por essas e por outras que eu digo: Elephant é do cacete.

“Mas como?”, pergunta o leitor. “O Jack White não continua com o nariz entupido? A baterista não continua gorda? O que mudou?”. Após me fazer essas perguntas por dezenas e dezenas de vezes, eu respondo: não sei. Mas ficou bom.

Pois sim, os stripes estão de casa nova (saíram da indie Sympathy for the Record para a poderosa V2 Records) e podemos dizer que este é um dos raros momentos na história da música em que esta troca se faz proveitosa. A diferença é que agora eles parecem uma banda de verdade, e não o esboço anterior. Um grupo como o White Stripes, por suas próprias limitações técnicas e físicas (são apenas dois integrantes), não pode se dar ao luxo de dispensar uma boa produção. Era o que acontecia nos álbuns passados, que tinham uma cara enfadonha de demo tape. E definitivamente não é o que vemos aqui. Guitarras sobrepostas, vocais dobrados, corinhos deliciosos. E muita, muita distorção. Méritos para Jack White, que, além de tocar piano, guitarra e cantar, ainda produziu e mixou o trabalho. Ufa!

“I’m gonna fight’ em off / A seven nation army couldn’t hold me back”. Jack chama pra briga e abre os trabalhos com “Seven Nation Army”, fazendo na guitarra as vezes do baixo. E que baixo! A faixa tem um balanço irresistível, sem abrir mão do peso no refrão, sendo por si só uma grata surpresa.

“Black Math” é como toda velha faixa dos Stripes. Blues atômico, emulando Led Zeppelin, com a mesma batida de sempre. Mas alguma coisa mudou... As guitarras estão mais cheias e pesadas (com direito a um solinho delicioso no final), e... Tudo bem, tudo bem, Jack White está cantando melhor! Pronto, admiti! “There´s no Home for You Here” tem um quê de psicodelia Beatles, e remete muito a “Dead Leaves on the Dirty Ground”, sucesso do álbum anterior, sendo, apesar disso, uma boa faixa. Por outro lado, “I Just Don´t Know What to Do With Myself” recai nos velhos cacoetes, soando monótona e repetitiva.

Na climática “In the Cold Cold Night”, uma surpresa: Meg White, a irmã gorda, larga a bateria e assume os vocais. E, ao contrario de sua atuação com o instrumento de origem, o faz com absurda competência, roubando para si os méritos da faixa, deliciosa como há muito o Belle and Sebastian não o faz.

Em seguida, duas baladas. “I Want to Be the Boy” conta a historia de um garoto que vive às turras com a sogra e é uma das melhores músicas do CD. Balada como poucas atualmente, é daquelas pra cantar junto palavra por palavra. Mais uma vez, a mudança de instrumento se mostra proveitosa para os Stripes, com Jack fazendo no piano uma melodia que, nos seus melhores dias, não conseguiu fazer na guitarra. “You Got Her in Your Pocket” é folk no melhor estilo americano, singela como deve ser e, mesmo não sendo tão boa quanto a anterior, segura bem a onda.

Para uma banda cujas músicas raramente ultrapassam os três minutos, é surpreendente ouvir “Ball and Bicscuit”. Surpreendente e chato. Nada contra inovações, mas a faixa, com seus mais de 7 minutos de duração, extrapola nas influencias de Led Zepellin, soando cansativa já na sua metade. Em seguida, vem a excelente “The Hardest Button to Button”, com Jack mais uma vez sobrepondo guitarras base/solo, e que poderia facilmente figurar em algum disco do Foo Fighters, de tão pegajosa que é.

Um riff sabbathiano irrompe, após uma hilária narração, iniciando assim “Little Acorns”, talvez uma das mais pesadas musicas da carreira da banda. E não é que os rapazes se saem bem mais uma vez? Com batidas cadenciadas e quebras de ritmo, se aproximam do stoner rock do Queens of the Stone Age, mas sem dever nada a eles. “Hyptonize”, mal comparando, é a “Fell in Love with a Girl” de Elephant, porém com uma levada mais suingada que a difere da anterior, reta. Candidata natural a hit.

“The Air Near My Fingers” abre com uma levada à la Nirvana, e tem tudo para agradar a ouvidos menos treinados, enquanto “Girl You Have No Faith in Medicine´ é garage rock da melhor qualidade, tosco na medida certa. Fechando o álbum, “It´s True that We Love One Another”, uma declaração mútua de amor, nos faz pensar nos rumores de um suposto romance entre Jack e Meg. Calma, rapazes. Na verdade, Jack divide os vocais com a cantora americana Holly Golightly, e a faixa não passa de uma grande brincadeira acerca de tais boatos.

Elephant é o melhor disco do White Stripes, e desde já um dos melhores do ano, nos deixando sedentos por uma vinda da banda ao país. Há boatos sobre uma possível visita no final do ano, mas nada está confirmado até o momento. Que mais dizer? Cruze os dedos e garanta já o seu CD.