Guarde bem esse nome: Amy MacDonald. Ainda não ouviu falar dela? Eu sei que ela não é uma cantora muito popular aqui no Brasil, mas muitas bandas interessantes também não são (e provavelmente não serão nunca, infelizmente). Se não a conhece, leia o restante desta resenha e você ficará sabendo sobre esta que é uma das maiores promessas da música folk internacional.
Amy nasceu na Escócia em 25 de agosto de 1987. Ela tem apenas 22 anos, mas faz um som melhor que vários quarentões que estão por aí. Torna-se cada vez mais comum jovens cantoras dançando e rebolando na MTV, mas enganam-se aqueles que pensam que Amy MacDonald é uma dessas. Podem ter certeza que seu poder artístico vai bem mais longe. Suas influências são diversificadas. A moça é fã de Red Hot Chili Peppers, Travis e Pete Doherty. Sua sonoridade é uma mistura de Rock com Folk e um pouco de Country. Em todas as canções o violão se faz presente. Em alguns momentos lembra sua conterrânea KT Tunstall .
Suas composições estão reunidas no disco “This Is The Life”, lançado em 2007 pela Vertigo, que até o momento vendeu mais de dois milhões e meio de copias ao redor do mundo (600 mil apenas no Reino Unido). Em tempos de crise, esta marca é muito respeitável, principalmente porque Amy não é divulgada nos EUA, onde as vendas, em alguns casos, são maiores que a Europa inteira.
A faixa título do álbum alcançou o primeiro lugar a Áustria, Nova Zelândia, Itália e Bélgica. Na Inglaterra, seu principal mercado, a canção chegou á 28ª posição entre as 50 mais tocadas. Vocais rápidos e o toque da guitarra são as principais características desta música. Dentre as 12 faixas, “This Is The Life” é uma das mais comerciais e fáceis de decorar. “Mr Rock And Roll” abre o disco. É uma das melhores do track list, perfeita para se ouvir no MP3 enquanto andamos na rua. Dançante e folk ao mesmo tempo, tem ótimos solos de violão.
O disco varia entre canções com características do Rock, como é caso de “Poison Prince”, onde a bateria chama a atenção. Em outros momentos o clima fica denso e triste. “Youth Of Today” foi escrita por Amy quando tinha apenas 15 anos. Nessas horas eu me pergunto o que estava fazendo nos meus 15 anos. Esta é uma das melhores letras do álbum. Uma jovem garota, madura e inteligente, falando sobre a juventude sob sua própria perspectiva. O resultado ficou excelente.
“Let’s Start A Band” lembrou-me trilhas sonoras de filme de faroeste. Esta é outra canção triste do disco e uma das mais surpreendentes também. Amy começa cantando baixo, mas ganha força no final, quando sua voz se exalta e fica grossa novamente. Eu não mencionei ainda, mas a voz de Amy é realmente grossa. Mais grossa que a minha e provavelmente mais grossa que a sua. Percebemos isso ouvindo o disco e principalmente em apresentações ao vivo.
Deixando a tristeza de lado chegamos a “Barrowland Ballroom”. Rápida e contagiante, destaco principalmente o toque das cornetas. Música com cara de hit, facilmente nos faz mexer os pézinhos. Se divulgada, seria uma candidata á parada da MTV (não que isso seja bom). Outro destaque do disco fica por conta de “L.A.”. Uma música que fala de solidão, embalada por guitarras e teclado. Entre todas, esta é uma das que ficam melhor ao vivo. A interpretação de Amy, unida aos backs da banda são perfeitos. Por falar na banda, eles são ótimos. Amy é bem acompanhada por três excelentes músicos.
Fechando o disco estão duas faixas acústicas. A primeira é “The Road To Home”, onde Amy demonstra delicadeza ao cantar. O instrumental é lindo e muito bem elaborado. A segunda faixa é “Caledonia”. Para ouvi-la é necessário esperar o fim da primeira, pois é uma música escondida, normalmente chamada de hidden track. Dentre todo o trabalho marcado pelo Folk, é nesta canção que ouvimos a gaita de fole, típico instrumento escocês. São pouco mais de 40 minutos. Tudo soa agradável. Um disco “redondinho”, onde não precisamos pular nenhuma faixa, pois todas são boas, cada uma a sua maneira. Apesar de Amy MacDonald não ser divulgada no Brasil, seu disco pode ser encontrado facilmente nas lojas. Esta é, com certeza, uma boa dica para quem gosta de música com qualidade.