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22 de junho a 6 de julho de 2003


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OITO LIVROS PARA ENTENDER O NOVO JORNALISMO
Conheça as obras que remodelaram o jornalismo ao imiscuí-lo de ficção

por Wilson Arcoverde (wilsonarcoverde@yahoo.com.br)

ovo Jornalismo”, ou “Jornalismo Literário”, ou ainda “Romance de Não-Ficção”, podem parecer coisas distintas, mas consistem numa modalidade de narrativa que funde elementos de ficção com a objetividade jornalística. A história mais conhecida é a de que esse estilo surgiu nos Estados Unidos, por volta dos anos 50, com o norte-americano Truman Capote, mas há controvérsias. A verdade é que literatura e jornalismo nunca deixaram de se relacionar, mesmo que indiretamente.

O Novo Jornalismo extrapola os limites do jornal impresso. É quando surge o livro-reportagem, que se tornará o veículo mais comum para esse novo gênero. Algumas revistas também vão servir de laboratório para esse novo tipo de experiência, como a The New Yorker, a Esquire, e a Rolling Stone. No Brasil, a revista Realidade e o Jornal da Tarde também publicaram relatos dessa espécie.

A proposta deste artigo, mais do que discutir as fundamentações teóricas do rótulo em questão, é de servir de introdução ao tema, para que o leitor se situe com mais clareza e tire suas próprias conclusões.

PRIMEIRA PARTE: PRECURSORES

1. Os 10 Dias Que Abalaram O Mundo, de John Reed

John Reed com certeza não tinha convicção de que estava fazendo “novo jornalismo”, mas se tornou um dos fundadores do estilo. Sua reportagem é, até hoje, o mais famoso e vibrante relato sobre a Revolução Russa de 1917. Não se trata, entretanto, de uma reportagem como as outras. Os 10 Dias que Abalaram o Mundo inaugura o formato livro-reportagem, que viria a ser, mais tarde, o principal suporte do jornalismo literário.

2. Os Sertões, de Euclides da Cunha

Se John Reed não sabia que estava fazendo novo jornalismo, Euclides da Cunha nem viveu para saber do que se tratava. É inquestionável, contudo, que Os Sertões faz uso tanto da narrativa literária quanto da objetividade jornalística. Independente de ser ou não “novo jornalismo”, a influência do autor, especialmente no Brasil, mas não exclusivamente (o livro foi traduzido para mais de 10 idiomas), é incontestável. Há quem diga que a Guerra de Canudos não teria um peso histórico tão importante não fosse tão brilhante a obra de Euclides da Cunha.

3. A Sangue-Frio, de Truman Capote

A Sangue-Frio inaugura o gênero como nós o conhecemos hoje. Capote cria um estilo que ele prefere chamar de “Romance de Não-Ficção”, baseado em fatos reais, mas que explora certos temas que não teriam espaço no jornalismo convencional, tais como a psicologia dos personagens. A Sangue-Frio é a história de um brutal assassinato ocorrido no fim dos anos 50 em Holcomb, uma cidade minúscula no estado do Kansas. O livro encontra-se atualmente esgotado no Brasil.

SEGUNDA PARTE: EXPOENTES

4. Aos Olhos da Multidão, de Gay Talese

Aos Olhos da Multidão é uma coletânea de artigos pouco ortodoxos de Gay Talese para revistas como a Esquire. Talvez não tenha a consistência de outras obras de Talese, como O Reino e o Poder ou A Mulher do Próximo mas é um exemplo clássico de Novo Jornalismo. Por ser uma coletânea, não se trata de um livro-reportagem propriamente dito, mas isso não quer dizer que seja menos significativo. Encontra-se esgotado no Brasil.

5. A Luta, de Norman Mailer

Norman Mailer já ganhou dois prêmios Pulitzer, um em 1968 e outro em 1980. A Luta é um relato sobre o confronto entre os lutadores George Foreman e Muhammad Ali no Zaire, em 1974, uma das grandes lutas de boxe da história. Mais do que um simples combate, aquele confronto estava repleto de questões políticas, envolvendo a recusa de Ali de se alistar ao exército durante a guerra do Vietnã. Talvez não seja a obra mais relevantes de Norman Mailer, mas é um dos seus melhores relatos de não-ficção.

6. Os Eleitos, de Tom Wolfe

Os Eleitos é a obra mais conhecida de Tom Wolfe, tendo sido inclusive adaptada para o cinema. Relata a conquista espacial norte-americana, e demorou muitos anos para ser concluída. Wolfe foi, junto com Gay Talese, um dos repórteres da revista Esquire nos anos 60, ajudando a dar ao Novo Jonalismo sua face atual.

7. Hiroshima, de John Hersey

Hiroshima é por muitos considerada a melhor reportagem já escrita. Ela ocupou toda a edição da revista New Yorker de 31 de agosto de 1946, descrevendo os horrores da bomba atômica lançada na cidade japonesa. O repórter entrevista 6 vítimas do ataque, e penetra no sofrimento de cada uma delas. Trata-se de um dos mais significativos momentos do Novo Jornalismo, que para a nossa sorte encontra-se em catálogo no mercado brasileiro, editado pela Companhia das Letras. Obrigatório.

8. Chatô, de Fernando Morais

No Brasil, o grande nome do jornalismo literário é Fernando Morais. Olga já era um relato impressionante sobre a ditadura de Vargas e a Segunda Guerra Mundial, mas é em Chatô que o escritor atinge o ápice de sua carreira, detalhando toda a trajetória de Assis Chateaubriand, e, dessa forma, fazendo um verdadeiro histórico da imprensa brasileira. É um livro essencial para qualquer estudante de jornalismo que se preze, e é a produção brasileira mais significativa em termos de jornalismo literário.