| OITO LIVROS PARA ENTENDER O NOVO
JORNALISMO
Conheça as obras que remodelaram
o jornalismo ao imiscuí-lo de ficção
por Wilson
Arcoverde (wilsonarcoverde@yahoo.com.br)
ovo Jornalismo”, ou “Jornalismo Literário”,
ou ainda “Romance de Não-Ficção”,
podem parecer coisas distintas, mas consistem numa modalidade de
narrativa que funde elementos de ficção com a objetividade
jornalística. A história mais conhecida é a
de que esse estilo surgiu nos Estados Unidos, por volta dos anos
50, com o norte-americano Truman Capote, mas há controvérsias.
A verdade é que literatura e jornalismo nunca deixaram de
se relacionar, mesmo que indiretamente.
O Novo Jornalismo extrapola os limites do jornal impresso. É
quando surge o livro-reportagem, que se tornará o veículo
mais comum para esse novo gênero. Algumas revistas também
vão servir de laboratório para esse novo tipo de experiência,
como a The New Yorker, a Esquire,
e a Rolling Stone. No Brasil, a revista Realidade
e o Jornal da Tarde também publicaram
relatos dessa espécie.
A proposta deste artigo, mais do que discutir as fundamentações
teóricas do rótulo em questão, é de
servir de introdução ao tema, para que o leitor se
situe com mais clareza e tire suas próprias conclusões.
PRIMEIRA PARTE: PRECURSORES
1.
Os 10 Dias Que Abalaram O Mundo, de John Reed
John Reed com certeza não tinha convicção
de que estava fazendo “novo jornalismo”, mas se tornou
um dos fundadores do estilo. Sua reportagem é, até
hoje, o mais famoso e vibrante relato sobre a Revolução
Russa de 1917. Não se trata, entretanto, de uma reportagem
como as outras. Os 10 Dias que Abalaram o Mundo
inaugura o formato livro-reportagem, que viria a ser, mais tarde,
o principal suporte do jornalismo literário.
2. Os Sertões, de Euclides da
Cunha
Se John Reed não sabia que estava fazendo novo jornalismo,
Euclides da Cunha nem viveu para saber do que se tratava. É
inquestionável, contudo, que Os Sertões
faz uso tanto da narrativa literária quanto da objetividade
jornalística. Independente de ser ou não “novo
jornalismo”, a influência do autor, especialmente no
Brasil, mas não exclusivamente (o livro foi traduzido para
mais de 10 idiomas), é incontestável. Há quem
diga que a Guerra de Canudos não teria um peso histórico
tão importante não fosse tão brilhante a obra
de Euclides da Cunha.
3.
A Sangue-Frio, de Truman Capote
A Sangue-Frio inaugura o gênero como nós
o conhecemos hoje. Capote cria um estilo que ele prefere chamar
de “Romance de Não-Ficção”, baseado
em fatos reais, mas que explora certos temas que não teriam
espaço no jornalismo convencional, tais como a psicologia
dos personagens. A Sangue-Frio é a história
de um brutal assassinato ocorrido no fim dos anos 50 em Holcomb,
uma cidade minúscula no estado do Kansas. O livro encontra-se
atualmente esgotado no Brasil.
SEGUNDA PARTE: EXPOENTES
4. Aos Olhos da Multidão, de
Gay Talese
Aos Olhos da Multidão é uma coletânea
de artigos pouco ortodoxos de Gay Talese para revistas como a Esquire.
Talvez não tenha a consistência de outras obras de
Talese, como O Reino e o Poder ou A
Mulher do Próximo mas é um exemplo clássico
de Novo Jornalismo. Por ser uma coletânea, não se trata
de um livro-reportagem propriamente dito, mas isso não quer
dizer que seja menos significativo. Encontra-se esgotado no Brasil.
5.
A Luta, de Norman Mailer
Norman Mailer já ganhou dois prêmios Pulitzer, um
em 1968 e outro em 1980. A Luta é um relato
sobre o confronto entre os lutadores George Foreman e Muhammad Ali
no Zaire, em 1974, uma das grandes lutas de boxe da história.
Mais do que um simples combate, aquele confronto estava repleto
de questões políticas, envolvendo a recusa de Ali
de se alistar ao exército durante a guerra do Vietnã.
Talvez não seja a obra mais relevantes de Norman Mailer,
mas é um dos seus melhores relatos de não-ficção.
6. Os Eleitos, de Tom Wolfe
Os Eleitos é a obra mais conhecida de
Tom Wolfe, tendo sido inclusive adaptada para o cinema. Relata a
conquista espacial norte-americana, e demorou muitos anos para ser
concluída. Wolfe foi, junto com Gay Talese, um dos repórteres
da revista Esquire nos anos 60, ajudando a dar
ao Novo Jonalismo sua face atual.
7. Hiroshima, de John Hersey
Hiroshima é por muitos considerada
a melhor reportagem já escrita. Ela ocupou toda a edição
da revista New Yorker de 31 de agosto de 1946, descrevendo
os horrores da bomba atômica lançada na cidade japonesa.
O repórter entrevista 6 vítimas do ataque, e penetra
no sofrimento de cada uma delas. Trata-se
de um dos mais significativos momentos do Novo Jornalismo, que para
a nossa sorte encontra-se em catálogo no mercado brasileiro,
editado pela Companhia das Letras. Obrigatório.
8. Chatô, de Fernando Morais
No Brasil, o grande nome do jornalismo literário
é Fernando Morais. Olga já era um relato impressionante
sobre a ditadura de Vargas e a Segunda Guerra Mundial, mas é
em Chatô que o escritor atinge o ápice de sua
carreira, detalhando toda a trajetória de Assis Chateaubriand,
e, dessa forma, fazendo um verdadeiro histórico da imprensa
brasileira. É um livro essencial para qualquer estudante
de jornalismo que se preze, e é a produção
brasileira mais significativa em termos de jornalismo literário.

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