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7 a 20 de julho de 2003


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ANARKILÓPOLIS
Raul Seixas, primeiro artista a misturar o baião ao rock’n’roll, completa 58 anos nos levando a um passeio pelo velho oeste

por Evandro Marques (mi_me_ama@uol.com.br)

 o que não faltam são motivos para comemorações. No ultimo dia 28, o aniversário de 58 anos e o lançamento de uma canção inédita do pai do rock nacional trouxe o raulseixismo novamente à tona. Shows covers por todo o país e exposições itinerantes, organizadas pelo fã-clube oficial, o Raul Rock Clube – do amigo íntimo, Sylvio Passos – deram o tom à festa. Além disso, projetos para TV e cinema estão sendo estudados, um deles de Paulo Coelho, que pode escrever um roteiro sobre a vida do artista. As homenagens também se refletem num especial produzido pelo Estadão, com fotos, sons e manuscritos, alguns dos quais inéditos.

O presente não poderia ser melhor: "Anarkilópolis". A música foi composta e gravada por Raul Seixas em 1984. Deveria fazer parte do disco Metro Linha 743, mas acabou sendo deixada de lado por problemas pessoais. Depois de uma briga com sua mulher, Raul chegou bêbado ao estúdio e comprometeu a finalização da canção. Ela é a primeira versão do último sucesso de Raul, "Cowboy Fora da Lei”, do disco Bap-Lu-Bap-Lah-Bein-Bum, da gravadora Copacabana, de 1987.

No melhor estilo Raul Seixas, a canção conta a história da emancipação de uma cidade fictícia no velho oeste dominada pela violência e bandidagem. Da conhecida música, restaram apenas o refrão “Eu não sou besta pra tirar onda de herói / Sou vacinado, eu sou cowboy / Cowboy fora da lei”.

A canção também dá título à coletânea lançada pela Som Livre. Diferente dos costumeiros caça-níqueis, o CD apresenta canções não tão conhecidas para quem não acompanha tão de perto a vida do roqueiro, todas com participações especiais de grandes nomes da música nacional. Entre eles estão Wanderléa, que canta ao lado de Raul em “Quero Mais”; Marcelo Nova, que ainda liderava o Camisa de Vênus, em “Muita Estrela, Pouca Constelação”; e o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, que fez os arranjos e tocou violão em “Que Luz é Essa?”. A profusão de colaboradores que prova a miscigenação do cantor: Sérgio Dias, Pepeu Gomes, Jackson do Pandeiro, Sérgio Sampaio, Roberto Frejat, André Christovan, Liminha, Celso Blues Boy e Rick Ferreira.

Raul já possui mais coletâneas do que discos de carreira, mas isso pode não parar por ai. Gravadoras como Sony e Universal possuem em seus arquivos músicas ainda inéditas. Se os custos para recuperação destas canções não fossem tão elevados, ou se, como o próprio cantor dizia, ele tivesse nascido nos EUA ou na Inglaterra, por certo seria possível o lançamento de uma antologia, como a dos Beatles, editada recentemente.

Leia a letra da música:


"Anarkilópolis (Cowboy Fora da Lei nº 2)"
Raul Seixas/Sylvio Passos – 1984

Eu estava na cidade comprando milho pras galinhas
Quando um garoto chegou correndo para me avisar
Que a diligência do correio tinha deixado uma carta pra mim
Uma carta, de quem seria essa merda ...É, pois é... Mas...
Ah... Que era da prefeitura de Anarkilópolis
Me convidando para uma festa da sua emancipação
Ok boy
Uísque de montão eu vou beber
E fazer tudo que eu quero fazer
Cada um manda no seu nariz
Por isso que o povo lá é feliz
É isso aí!
Meu filho, é isso aí...
Agora
Montei no meu "silver-jegue"
E parti com o firme propósito
de unir o útil ao agradável
Pois Anarkilópolis era também
O berço da minha amada
A bela Josefina Lee
Filha única do meu amigo
Xerife James Adean
Enquanto o jegue seguia rinchando
Eu seguia pela estrada cantando:
Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar pra história é com vocês
Quando eu e meu jegue chegamos em Anarkilópolis
Pensei que tinha me enganado até de cidade
Tinha uns caras mal encarados armados até os dentes
Percebi logo a situação
Os bandidos haviam dominado o lugar
E mantinham todos como reféns
James Adean não era mais o Xerife
E só se via a cara das pessoas com tristeza e medo
Deus me livre, quase que eu dancei
Dedo no gatilho era da lei
Sozinho e desarmado estava ali
Pra o diabo, os que me chamaram aqui
Foi então...
Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar pra história é com vocês
Meu filho, é isso aí...