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17 a 30 de novembro de 2003


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PROGRAMINHA NORMAL
Os Normais estréia com sucesso no cinema, mas sem o mesmo charme do seriado

por Fábio Costa (fabio_fcosta@hotmail.com)

ou um fã confesso de Os Normais. Sempre achei o seriado um dos melhores programas da televisão atual, um sopro de inteligência e inovação diante de um mar de mediocridade e baixaria que domina as emissoras. O seriado fez enorme sucesso durante três anos e conquistou uma legião de fãs (e detratores também), apostando em um humor politicamente incorreto e irônico. Bem diferente da falta de criatividade que assolam programas do gênero (A Praça é Nossa e Zorra Total, por exemplo), atolados em um humor repetitivo, preconceituoso e mais do que datado. Mas, mesmo sendo fã, não me animei muito com a transposição da série da telinha para o cinema.

A primeira razão é óbvia: o diretor José Alvarenga Júnior (o mesmo dos 71 episódios da série televisiva), que nunca mostrou muita competência no cinema (são dele coisas como Zoando na TV, com Angélica, e vários "filmes" dos Trapalhões). Além do mais é difícil hoje em dia acreditar que um diretor de televisão possa realmente fazer "cinema de verdade" e não TV na tela grande (talvez a única exceção seja Luiz Fernando Carvalho, do belo Lavoura Arcaica). Para chegar a essa constatação basta dar uma olhada em filmes recentes de diretores mais acostumados à telinha - Guel Arraes (Lisbela e o Prisioneiro), Daniel Filho (A Partilha) e Moacyr Góes (Dom), produções até interessantes, mas quadradinhas e presas a uma narrativa televisiva. E Os Normais, infelizmente, não consegue fugir à regra. Não que o público se importe, já que a produção estreou com enorme sucesso.

Então, se do ponto de vista cinematográfico, Os Normais - O Filme deixa a desejar, resta analisá-lo como a mais pura diversão (o que ele realmente é, já que ninguém vai assistir ao filme esperando uma aula de sétima arte). O problema é que nem assim ele funciona. Apesar de ser divertida e proporcionar algumas boas gargalhadas, a produção se afasta do sarcasmo da série original, partindo para um humor mais físico e escatológico (os personagens cospem palavrões e mais palavrões sem a menor razão). A duração também não ajuda. Mesmo tendo só 88 minutos, o enredo não se sustenta e em um determinado momento o público começa a se cansar (uma das melhores coisas do programa era sua curtíssima duração. Assim que a "trama" começava a perder o pique, o episódio terminava, mesmo que da maneira mais surreal possível).

A história é baba e todo mundo já deve ter lido a respeito. O filme volta ao passado e conta como Vani e Rui se conheceram, logo depois do casamento de ambos com outras pessoas. Esse detalhe acaba privando os fãs dos melhores momentos do seriado, quando Vani e Rui discutiam por alguma besteira qualquer. Como os dois estão apenas se conhecendo, só os vemos brigar com os respectivos noivos, Sérgio (Evandro Mesquita) e Marta (Marisa Orth). A idéia é até interessante, mas é pouco desenvolvida pelo roteiro rasteiro e esquemático (dos mesmos roteiristas da série - o casal Fernanda Young e Alexandre Machado) e pela direção pouco ousada. Outra peculiaridade da série (o casal conversar diretamente com o público) é esquecida e deixa saudade.

Bem, o que acaba salvando a produção do marasmo é realmente a química entre o casal de protagonistas. Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães parecem estar se divertindo a beça com os papéis. Aliás, Fernanda Torres quase rouba todas as cenas, sua Vani está mais louca e alucinada do que nunca, um contraponto perfeito ao ar blasé de Rui e às participações meio forçadas de Evandro Mesquita e Marisa Orth. Enfim, entre uma gargalhada e outra, salva-se uma perseguição de carros muito bem bolada (mesmo que reforce ainda mais a origem televisiva do material), uma cena hilária onde Vani simula sexo com Rui sem este perceber e a possibilidade dos fãs finalmente saberem como o casal mais amalucado da televisão se conheceu. Mesmo que esse encontro tenha sido bem mais divertido pra eles do que pra nós, do lado de cá da telona.