| PROGRAMINHA NORMAL
Os Normais estréia
com sucesso no cinema, mas sem o mesmo charme do seriado
por Fábio
Costa (fabio_fcosta@hotmail.com)

ou um fã confesso de Os Normais. Sempre achei o seriado
um dos melhores programas da televisão atual, um sopro de
inteligência e inovação diante de um mar de
mediocridade e baixaria que domina as emissoras. O seriado fez enorme
sucesso durante três anos e conquistou uma legião de
fãs (e detratores também), apostando em um humor politicamente
incorreto e irônico. Bem diferente da falta de criatividade
que assolam programas do gênero (A Praça é
Nossa e Zorra Total, por exemplo), atolados em um humor
repetitivo, preconceituoso e mais do que datado. Mas, mesmo sendo
fã, não me animei muito com a transposição
da série da telinha para o cinema.
A primeira razão é óbvia: o diretor José
Alvarenga Júnior (o mesmo dos 71 episódios da série
televisiva), que nunca mostrou muita competência no cinema
(são dele coisas como Zoando na TV, com
Angélica, e vários "filmes" dos Trapalhões).
Além do mais é difícil hoje em dia acreditar
que um diretor de televisão possa realmente fazer "cinema
de verdade" e não TV na tela grande (talvez a única
exceção seja Luiz Fernando Carvalho, do belo Lavoura
Arcaica). Para chegar a essa constatação
basta dar uma olhada em filmes recentes de diretores mais acostumados
à telinha - Guel Arraes (Lisbela e o Prisioneiro),
Daniel Filho (A Partilha) e Moacyr Góes
(Dom), produções até interessantes,
mas quadradinhas e presas a uma narrativa televisiva. E Os
Normais, infelizmente, não consegue fugir à
regra. Não que o público se importe, já que
a produção estreou com enorme sucesso.
Então,
se do ponto de vista cinematográfico, Os Normais - O Filme
deixa a desejar, resta analisá-lo como a mais pura diversão
(o que ele realmente é, já que ninguém vai
assistir ao filme esperando uma aula de sétima arte). O problema
é que nem assim ele funciona. Apesar de ser divertida e proporcionar
algumas boas gargalhadas, a produção se afasta do
sarcasmo da série original, partindo para um humor mais físico
e escatológico (os personagens cospem palavrões e
mais palavrões sem a menor razão). A duração
também não ajuda. Mesmo tendo só 88 minutos,
o enredo não se sustenta e em um determinado momento o público
começa a se cansar (uma das melhores coisas do programa era
sua curtíssima duração. Assim que a "trama"
começava a perder o pique, o episódio terminava, mesmo
que da maneira mais surreal possível).
A história é baba e todo mundo já deve ter
lido a respeito. O filme volta ao passado e conta como Vani e Rui
se conheceram, logo depois do casamento de ambos com outras pessoas.
Esse detalhe acaba privando os fãs dos melhores momentos
do seriado, quando Vani e Rui discutiam por alguma besteira qualquer.
Como os dois estão apenas se conhecendo, só os vemos
brigar com os respectivos noivos, Sérgio (Evandro Mesquita)
e Marta (Marisa Orth). A idéia é até interessante,
mas é pouco desenvolvida pelo roteiro rasteiro e esquemático
(dos mesmos roteiristas da série - o casal Fernanda Young
e Alexandre Machado) e pela direção pouco ousada.
Outra peculiaridade da série (o casal conversar diretamente
com o público) é esquecida e deixa saudade.
Bem,
o que acaba salvando a produção do marasmo é
realmente a química entre o casal de protagonistas. Fernanda
Torres e Luiz Fernando Guimarães parecem estar se divertindo
a beça com os papéis. Aliás, Fernanda Torres
quase rouba todas as cenas, sua Vani está mais louca e alucinada
do que nunca, um contraponto perfeito ao ar blasé de Rui
e às participações meio forçadas de
Evandro Mesquita e Marisa Orth. Enfim, entre uma gargalhada e outra,
salva-se uma perseguição de carros muito bem bolada
(mesmo que reforce ainda mais a origem televisiva do material),
uma cena hilária onde Vani simula sexo com Rui sem este perceber
e a possibilidade dos fãs finalmente saberem como o casal
mais amalucado da televisão se conheceu. Mesmo que esse encontro
tenha sido bem mais divertido pra eles do que pra nós, do
lado de cá da telona. 
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