| CADÊ A REVOLUÇÃO
QUE TAVA AQUI?!
Matrix Revolutions encerra
a trilogia sem grandes arroubos de criatividade, mas também
não é tão ruim como andam dizendo por aí
por Fábio
Freire (fabio_fcosta@hotmail.com)

lá vou eu, depois de ler trocentas resenhas detonando
Matrix Revolutions, conferir o capítulo final da trilogia
que misturou filosofia com lutas de kung fu, efeitos especiais
de cair o queixo com uma estética de animê e virou
uma verdadeira febre mundial. A caminho do cinema, eu rezava para
a sessão não estar entupida de adolescente barulhentos
que veneram Matrix, mas não sabem nem o que diabos
é a alegoria da caverna, e para que o filme não fosse
tão ruim assim. Dei sorte? Mais ou menos. A exceção
de uns malas que comentavam qualquer bobagem, a sessão rolou
tranqüila. Quanto ao filme, confesso que até gostei
(entrei no cinema pronto para odiá-lo com todas as minhas
forças).
Tirando a tal da revolução, que eu
procurei em cada fotograma da produção mas não
encontrei em lugar nenhum; a primeiro parte chatíssima que
se perde num lenga-lenga sem fim; e os diálogos dignos dos
longas do Stallone que são lançados diretamente em
vídeo, Matrix Revolutions é um bom filme. Se,
no começo ele é meio confuso, lento e parece completamente
despropositado, a partir da invasão dos sentinelas à
cidade de Zion o filme ganha força, ritmo, efeitos especiais
e faz a alegria da galera que, mesmo sem respostas para todas as
perguntas, se diverte. E Matrix é isso mesmo, diversão,
entretenimento, não discussões filosóficas
e masturbatórias sem sentido e que não levam a nada.
Isso eu deixo para o Oráculo.
A
história é aquela de sempre, humanos contra as máquinas,
Neo contra a Matrix e, por tabela, milhões de Smiths,
a batalha final, “não há triunfo sem perdas”,
“não há vitória sem sofrimento”,
“não há liberdade sem sacrifícios”
(ops, trilogia errada!), “todo começo tem um fim”
(agora sim), blá-blá-blá. Entre batalhas e
lutas de tirar o fôlego, não faltam aqueles generais
com cara de prisão de ventre, mensagens do tipo “a
união faz a força” e aquelas cenas dispensáveis
onde a multidão grita e se abraça depois da vitória.
Enfim, mais do mesmo. Nada que já não tenhamos visto
em filmes como Coração Valente e mesmo O
Senhor dos Anéis.
Portanto, o negócio é ir ver o filme
sem muita pretensão, como o fim (será???) de uma saga
interessante, mas cheia de falhas, e não como a última
Coca-Cola do deserto. E, sabe do que mais, mesmo com todas as pontas
soltas, os irmãos Wachs-alguma-coisa até que encerram
sua trilogia de forma inusitada, mesmo fugindo um pouco da premissa
da mitologia Matrix (seja lá o que for isso!). Revolutions
não chega aos pés do primeiro episódio (esse
sim uma revolução, pelo menos em termos de estética
e efeitos especiais), mas também não é tão
cabeça oca quanto Reloaded,
sendo plasticamente tão bonito quanto este (a “visão
de raio-x” de Neo e a cena da luta contra o agente Smith são
bem bacanas visualmente).
Keanu Reeves continua atuando como uma porta, mas ele até
dá um certo ar blasé ao Neo. No
intervalo de uma luta e outra, bem que Trinity (Carrie Anne-Moss)
podia procurar uma fonoaudióloga: o ovo que ela tem na boca
chega a irritar. Morpheus (Laurence Fishburne) continua com cara
de bunda, mas pelo menos vira coadjuvante e nos poupa de seus discursos
de auto-ajuda. Já a “orácula” muda de
cara, mas ainda é adepta de um baseado.
Entre
os acertos, temos uma participação maior de Niobe
(Jada Pinkett Smith) e as já citadas cenas de batalhas, além
do clima bacana da estação do trem (por mais que o
maquinista me lembrasse a alma penada que morava também numa
estação em Ghost – Do Outro Lado da Vida).
Destaque também para a ironia de Smith (Hugh Weaving, o único
que parece não levar tudo tão a sério). Já
entre os (muitos) erros, a participação idiota dos
personagens Merovingian (Lambert Wilson) e Persephone (Monica Bellucci)
que, com todo aquele peito, só tem uma fala; a péssima
atriz infantil que “interpreta” Sati (até a paranormal
Salete é melhor que essa pivete aqui); e a cena trash da
boate, onde o figurino ridículo tira qualquer um do sério,
só perdendo pro estilo Rapa Nui dos conselheiros de
Zion. Mas, mesmo com vários pontos pesando contra, Revolutions
ainda vale o ingresso. Só nos resta agora esperar que Peter
Jackson encerre sua trilogia com mais dignidade. Quem sabe a revolução
não foi parar lá! 
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