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1 a 14 de dezembro de 2003


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CADÊ A REVOLUÇÃO QUE TAVA AQUI?!
Matrix Revolutions encerra a trilogia sem grandes arroubos de criatividade, mas também não é tão ruim como andam dizendo por aí

por Fábio Freire (fabio_fcosta@hotmail.com)

 lá vou eu, depois de ler trocentas resenhas detonando Matrix Revolutions, conferir o capítulo final da trilogia que misturou filosofia com lutas de kung fu, efeitos especiais de cair o queixo com uma estética de animê e virou uma verdadeira febre mundial. A caminho do cinema, eu rezava para a sessão não estar entupida de adolescente barulhentos que veneram Matrix, mas não sabem nem o que diabos é a alegoria da caverna, e para que o filme não fosse tão ruim assim. Dei sorte? Mais ou menos. A exceção de uns malas que comentavam qualquer bobagem, a sessão rolou tranqüila. Quanto ao filme, confesso que até gostei (entrei no cinema pronto para odiá-lo com todas as minhas forças).

Tirando a tal da revolução, que eu procurei em cada fotograma da produção mas não encontrei em lugar nenhum; a primeiro parte chatíssima que se perde num lenga-lenga sem fim; e os diálogos dignos dos longas do Stallone que são lançados diretamente em vídeo, Matrix Revolutions é um bom filme. Se, no começo ele é meio confuso, lento e parece completamente despropositado, a partir da invasão dos sentinelas à cidade de Zion o filme ganha força, ritmo, efeitos especiais e faz a alegria da galera que, mesmo sem respostas para todas as perguntas, se diverte. E Matrix é isso mesmo, diversão, entretenimento, não discussões filosóficas e masturbatórias sem sentido e que não levam a nada. Isso eu deixo para o Oráculo.

A história é aquela de sempre, humanos contra as máquinas, Neo contra a Matrix e, por tabela, milhões de Smiths, a batalha final, “não há triunfo sem perdas”, “não há vitória sem sofrimento”, “não há liberdade sem sacrifícios” (ops, trilogia errada!), “todo começo tem um fim” (agora sim), blá-blá-blá. Entre batalhas e lutas de tirar o fôlego, não faltam aqueles generais com cara de prisão de ventre, mensagens do tipo “a união faz a força” e aquelas cenas dispensáveis onde a multidão grita e se abraça depois da vitória. Enfim, mais do mesmo. Nada que já não tenhamos visto em filmes como Coração Valente e mesmo O Senhor dos Anéis.

Portanto, o negócio é ir ver o filme sem muita pretensão, como o fim (será???) de uma saga interessante, mas cheia de falhas, e não como a última Coca-Cola do deserto. E, sabe do que mais, mesmo com todas as pontas soltas, os irmãos Wachs-alguma-coisa até que encerram sua trilogia de forma inusitada, mesmo fugindo um pouco da premissa da mitologia Matrix (seja lá o que for isso!). Revolutions não chega aos pés do primeiro episódio (esse sim uma revolução, pelo menos em termos de estética e efeitos especiais), mas também não é tão cabeça oca quanto Reloaded, sendo plasticamente tão bonito quanto este (a “visão de raio-x” de Neo e a cena da luta contra o agente Smith são bem bacanas visualmente).

Keanu Reeves continua atuando como uma porta, mas ele até dá um certo ar blasé ao Neo. No intervalo de uma luta e outra, bem que Trinity (Carrie Anne-Moss) podia procurar uma fonoaudióloga: o ovo que ela tem na boca chega a irritar. Morpheus (Laurence Fishburne) continua com cara de bunda, mas pelo menos vira coadjuvante e nos poupa de seus discursos de auto-ajuda. Já a “orácula” muda de cara, mas ainda é adepta de um baseado.

Entre os acertos, temos uma participação maior de Niobe (Jada Pinkett Smith) e as já citadas cenas de batalhas, além do clima bacana da estação do trem (por mais que o maquinista me lembrasse a alma penada que morava também numa estação em Ghost – Do Outro Lado da Vida). Destaque também para a ironia de Smith (Hugh Weaving, o único que parece não levar tudo tão a sério). Já entre os (muitos) erros, a participação idiota dos personagens Merovingian (Lambert Wilson) e Persephone (Monica Bellucci) que, com todo aquele peito, só tem uma fala; a péssima atriz infantil que “interpreta” Sati (até a paranormal Salete é melhor que essa pivete aqui); e a cena trash da boate, onde o figurino ridículo tira qualquer um do sério, só perdendo pro estilo Rapa Nui dos conselheiros de Zion. Mas, mesmo com vários pontos pesando contra, Revolutions ainda vale o ingresso. Só nos resta agora esperar que Peter Jackson encerre sua trilogia com mais dignidade. Quem sabe a revolução não foi parar lá!