| CAFÉ LITERÁRIO
RADIOFÔNICO
Café Colombo
se consolida trazendo literatura e idéias para as ondas do
rádio
por Ana Lira
(analira@rabisco.com.br)

primeira vez que ouvi falar do Café Colombo,
idealizei um novo espaço construído para servir como
ponto de encontro dos amantes da literatura, no Centro de Recife.
Imaginem a surpresa quando descobri que se tratava de um programa
de rádio sobre livros e idéias que ia ao ar todo domingo
na Rádio Universitária FM. Pois bem, o projeto começou
a ser esboçado há cerca de quatro anos, mas foi concretizado
em agosto de 2002 por um grupo de estudantes da Universidade Federal
de Pernambuco.
Renato Lima dirige o programa e divide a apresentação
com Marcelo Sandes. Já Marcelo Correia, Ketinaldo José
e Eduardo Maia são responsáveis pela produção.
Em pouco mais de um ano de existência, o Café Colombo
conseguiu conquistar a credibilidade necessária para manter-se
no ar e receber a cada domingo personalidades respeitadas nos mais
diversos campos de atuação do país. Passaram
pelo programa os jornalistas Ricardo Noblat e Marcelo Abreu, os
escritores Carlos Heitor Cony, Millôr Fernandes, o cantor
Lobão, entre outros. Nesse bate papo com o Rabisco, Renato
Lima comenta mais sobre a evolução do projeto.
Se a gente fizer uma análise do contexto atual dos meios
de comunicação, perceberemos que o rádio tem
perdido um pouco de espaço para a televisão e para
a internet. Por que vocês decidiram criar um programa de literatura
e idéias neste veículo?
A nossa opinião é que literatura casa muito bem com
rádio. É um meio fácil de fazer, dinâmico,
bom para ouvir leituras, poesias, e valoriza a palavra. Aqui o essencial
é o conteúdo, não tem que se perder com gráficos,
imagens...
Existe algo semelhante em outros estados do Brasil?
Na TV eu sei de programas de literatura, mas em rádio não.
Já houve um na CBN local, mas não durou, salvo engano,
mais de três meses. Já o nosso programa é inspirado
no Certas Palavras, um programa que apareceu na primeira
vez que Recife recebeu a CBN, há alguns anos. Era também
sobre livros.
O programa tem meia hora de duração. Como é
que esse espaço foi organizado para contemplar todas as idéias
de vocês?
O programa evoluiu bastante, principalmente na dinâmica. Ele
é dividido em ‘’Livros da Semana’’
(selecionamos os principais lançamentos e damos destaque)
e a seção ‘’Minha Leitura’’
(uma personalidade recomenda uma obra) ou ‘’Nossa Leitura’’
(a equipe do Café resenha um livro e ao final dá
uma nota de 0 a 5 "expressos"). Há também
reportagens sobre o mundo editorial (ocasional), agenda da semana,
intervalo e depois a entrevista.

Vocês encontraram muita dificuldade para manter um programa
neste estilo?
Sim e não. Ao mesmo tempo em que temos dificuldades de tempo,
outros projetos, etc, é uma coisa inovadora, sem semelhantes
e muito prazerosa de fazer. Também temos vários apoios
e o estímulo de pessoas amigas.
O nome Café Colombo foi escolhido aleatoriamente ou
existe algum conceito ligado ao formato do programa?
É baseado na Confeitaria Colombo, do Rio de Janeiro, tradicional
ponto de reunião de intelectuais, artistas, políticos
e escritores. O nosso objetivo foi trazer o clima de discussões
intelectuais e literárias, sem o academicismo. Ou seja: trazer
um clima de um café para a rádio. Daí, Café
(a nossa inclusão) e o Colombo (homenagem e ideal).
Existe algum critério de seleção do material
que é divulgado no quadro dedicado aos lançamentos
ou vocês abrem espaço para todos os tipos de autores
e temas?
O critério é subjetivo e é do gosto dos integrantes.
Como vocês dosam as preferências literárias da
equipe com o fluxo de informações da área na
construção dos espaços do programa?
Não é um problema. Gostamos da diversidade e há
espaço para tudo - que tenha qualidade.
O programa já recebeu diversos escritores, jornalistas e
autoridades de renome. Há espaço para os iniciantes,
também? Existe alguém responsável pela procura
de novos autores e projetos interessantes ou o material chega até
vocês sem maiores dificuldades?
Sim, já entrevistamos autores que haviam acabado de lançar
o primeiro livro. O material pode chegar para nós tanto enviando
para a rádio quanto por indicações. Já
entrevistamos poetas iniciantes assim como marinheiros de primeiro
livro - ainda que o foco não seja esse. O foco do programa
é ter boas discussões literárias, seja de iniciante
ou consagrado. Deixa eu lembrar de pessoas que lançaram o
livro no Café: o economista Sérgio Ferreira, que assina
Princípios Cristãos no Capitalismo; a poeta
Marilda de Oliveira; Luiz Otávio Cavalcanti falou do primeiro
romance; Xico Sá com Modos de Macho e Modinhas de Fêmea;
o editor de esportes do Jornal do Commercio (PE) Lenivaldo
Aragão; o professor do curso de Comunicação
da UFPE Alfredo Vizeu, entre outros. Estamos chegando perto de 70
programas!
O Café Colombo está no ar há cerca de
um ano e meio, em uma rádio FM, e tem boa audiência.
Qual o diferencial do programa, na opinião de vocês?
O diferencial é logo de cara: único programa sobre
literatura. Um ano e meio é tempo bastante para formar público.
É o programa de rádio com maior destaque na mídia
impressa. Foi o único veículo da mídia pernambucana
a cobrir a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, mandando três
pessoas para lá, gravando entrevistas, boletins diários,
etc.
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| Xico Sá durante sua passagem no Café
Colombo |
Daria para destacar alguma experiência em especial ao longo
desse tempo do programa?
Temos excelentes entrevistas e momentos marcantes. Uma bem divertida
foi com o jornalista Xico Sá. Mas o que mais nos orgulhou
foi a cobertura da Bienal do Livro do RJ. Primeiro porque nós
éramos os únicos pernambucanos cobrindo o evento,
exceto, acredito, Marco Pólo, da Continente Multicultural.
Depois porque fizemos um programa especial, com outra dinâmica,
captando o clima e descontração da bienal - além
de chamadas ao vivo e boletins.
Seria possível fazer uma análise da contribuição
dessa iniciativa para a fomentação de espaços
de debate sobre literatura na cidade?
Sem dúvida representa uma ajuda, assim como uma enorme ajuda
foi a criação da Continente Multicultural. Estamos
fazendo a nossa parte.
Existe algum plano de expansão do projeto – seja no
aumento do tempo destinado ao programa ou na utilização
de outros veículos, como a internet?
Não pensamos em aumentar o tempo, passar de 30 minutos para
1 hora, por exemplo. Mas que o programa seja repetido em um outro
horário é um pleito antigo nosso, em constantes negociações
com a rádio. Também devemos aprontar o nosso site.

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