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22/12/2003 a 10/1/2004


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CAFÉ LITERÁRIO RADIOFÔNICO
Café Colombo se consolida trazendo literatura e idéias para as ondas do rádio

por Ana Lira (analira@rabisco.com.br)

 primeira vez que ouvi falar do Café Colombo, idealizei um novo espaço construído para servir como ponto de encontro dos amantes da literatura, no Centro de Recife. Imaginem a surpresa quando descobri que se tratava de um programa de rádio sobre livros e idéias que ia ao ar todo domingo na Rádio Universitária FM. Pois bem, o projeto começou a ser esboçado há cerca de quatro anos, mas foi concretizado em agosto de 2002 por um grupo de estudantes da Universidade Federal de Pernambuco.

Renato Lima dirige o programa e divide a apresentação com Marcelo Sandes. Já Marcelo Correia, Ketinaldo José e Eduardo Maia são responsáveis pela produção. Em pouco mais de um ano de existência, o Café Colombo conseguiu conquistar a credibilidade necessária para manter-se no ar e receber a cada domingo personalidades respeitadas nos mais diversos campos de atuação do país. Passaram pelo programa os jornalistas Ricardo Noblat e Marcelo Abreu, os escritores Carlos Heitor Cony, Millôr Fernandes, o cantor Lobão, entre outros. Nesse bate papo com o Rabisco, Renato Lima comenta mais sobre a evolução do projeto.


Se a gente fizer uma análise do contexto atual dos meios de comunicação, perceberemos que o rádio tem perdido um pouco de espaço para a televisão e para a internet. Por que vocês decidiram criar um programa de literatura e idéias neste veículo?

A nossa opinião é que literatura casa muito bem com rádio. É um meio fácil de fazer, dinâmico, bom para ouvir leituras, poesias, e valoriza a palavra. Aqui o essencial é o conteúdo, não tem que se perder com gráficos, imagens...

Existe algo semelhante em outros estados do Brasil?

Na TV eu sei de programas de literatura, mas em rádio não. Já houve um na CBN local, mas não durou, salvo engano, mais de três meses. Já o nosso programa é inspirado no Certas Palavras, um programa que apareceu na primeira vez que Recife recebeu a CBN, há alguns anos. Era também sobre livros.

O programa tem meia hora de duração. Como é que esse espaço foi organizado para contemplar todas as idéias de vocês?

O programa evoluiu bastante, principalmente na dinâmica. Ele é dividido em ‘’Livros da Semana’’ (selecionamos os principais lançamentos e damos destaque) e a seção ‘’Minha Leitura’’ (uma personalidade recomenda uma obra) ou ‘’Nossa Leitura’’ (a equipe do Café resenha um livro e ao final dá uma nota de 0 a 5 "expressos"). Há também reportagens sobre o mundo editorial (ocasional), agenda da semana, intervalo e depois a entrevista.

Vocês encontraram muita dificuldade para manter um programa neste estilo?

Sim e não. Ao mesmo tempo em que temos dificuldades de tempo, outros projetos, etc, é uma coisa inovadora, sem semelhantes e muito prazerosa de fazer. Também temos vários apoios e o estímulo de pessoas amigas.

O nome Café Colombo foi escolhido aleatoriamente ou existe algum conceito ligado ao formato do programa?

É baseado na Confeitaria Colombo, do Rio de Janeiro, tradicional ponto de reunião de intelectuais, artistas, políticos e escritores. O nosso objetivo foi trazer o clima de discussões intelectuais e literárias, sem o academicismo. Ou seja: trazer um clima de um café para a rádio. Daí, Café (a nossa inclusão) e o Colombo (homenagem e ideal).

Existe algum critério de seleção do material que é divulgado no quadro dedicado aos lançamentos ou vocês abrem espaço para todos os tipos de autores e temas?

O critério é subjetivo e é do gosto dos integrantes.

Como vocês dosam as preferências literárias da equipe com o fluxo de informações da área na construção dos espaços do programa?

Não é um problema. Gostamos da diversidade e há espaço para tudo - que tenha qualidade.

O programa já recebeu diversos escritores, jornalistas e autoridades de renome. Há espaço para os iniciantes, também? Existe alguém responsável pela procura de novos autores e projetos interessantes ou o material chega até vocês sem maiores dificuldades?

Sim, já entrevistamos autores que haviam acabado de lançar o primeiro livro. O material pode chegar para nós tanto enviando para a rádio quanto por indicações. Já entrevistamos poetas iniciantes assim como marinheiros de primeiro livro - ainda que o foco não seja esse. O foco do programa é ter boas discussões literárias, seja de iniciante ou consagrado. Deixa eu lembrar de pessoas que lançaram o livro no Café: o economista Sérgio Ferreira, que assina Princípios Cristãos no Capitalismo; a poeta Marilda de Oliveira; Luiz Otávio Cavalcanti falou do primeiro romance; Xico Sá com Modos de Macho e Modinhas de Fêmea; o editor de esportes do Jornal do Commercio (PE) Lenivaldo Aragão; o professor do curso de Comunicação da UFPE Alfredo Vizeu, entre outros. Estamos chegando perto de 70 programas!

O Café Colombo está no ar há cerca de um ano e meio, em uma rádio FM, e tem boa audiência. Qual o diferencial do programa, na opinião de vocês?

O diferencial é logo de cara: único programa sobre literatura. Um ano e meio é tempo bastante para formar público. É o programa de rádio com maior destaque na mídia impressa. Foi o único veículo da mídia pernambucana a cobrir a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, mandando três pessoas para lá, gravando entrevistas, boletins diários, etc.

 Xico Sá durante sua passagem no Café Colombo

Daria para destacar alguma experiência em especial ao longo desse tempo do programa?

Temos excelentes entrevistas e momentos marcantes. Uma bem divertida foi com o jornalista Xico Sá. Mas o que mais nos orgulhou foi a cobertura da Bienal do Livro do RJ. Primeiro porque nós éramos os únicos pernambucanos cobrindo o evento, exceto, acredito, Marco Pólo, da Continente Multicultural. Depois porque fizemos um programa especial, com outra dinâmica, captando o clima e descontração da bienal - além de chamadas ao vivo e boletins.

Seria possível fazer uma análise da contribuição dessa iniciativa para a fomentação de espaços de debate sobre literatura na cidade?

Sem dúvida representa uma ajuda, assim como uma enorme ajuda foi a criação da Continente Multicultural. Estamos fazendo a nossa parte.

Existe algum plano de expansão do projeto – seja no aumento do tempo destinado ao programa ou na utilização de outros veículos, como a internet?

Não pensamos em aumentar o tempo, passar de 30 minutos para 1 hora, por exemplo. Mas que o programa seja repetido em um outro horário é um pleito antigo nosso, em constantes negociações com a rádio. Também devemos aprontar o nosso site.