| PIROTECNIA SONORA
The Strokes provam em Room On
Fire que segundo disco se faz inevitavelmente com qualidade
por Cell
Blanc (cellblanc@yahoo.com.br)

m 2001, a banda “salvação do rock” composta
por cinco jovens de Nova York causou furor na mídia internacional
com o rock agressivo e despojado presente em seu primeiro CD. As
11 faixas de Is This It exibiam solos surpreendentes e rápidos
em músicas dinâmicas e uma maturidade rara em trabalhos
de estréia. Os vocais agudos de Julian Casablancas entravam
em perfeita sintonia com as guitarras de Nick Valensi e Albert Hammond
Jr, que se revezavam soberbamente; o potente baixo de Nikolai Fraiture
– sim, este instrumento ainda aparece em algumas bandas de
rock – mantinha o ritmo veloz das canções juntamente
com a bateria hipnótica do semibrasileiro Fabrizio Moretti.
Tudo isto na época dos ataques ao WTC, na cidade dos garotos.
Na versão norte-americana de Is This It,
a música “New York City Cops” foi substituída
por “When It Started”, já que aquela poderia
não ser bem-vinda no momento: “New York City Cops,
they ain´t too smart / They act like romans, but they dress
like turks” (“Policiais de Nova York, eles não
são muito espertos / Agem como romanos, mas se vestem como
turcos”). A canção havia sido feita antes dos
ataques – portanto não tentem estabelecer relações
– e apareceu tempos depois no single da música “Hard
To Explain” e nas versões dos demais países,
inclusive no Brasil, com uma capa diferente. A incrível “Last
Nite” abria caminho para as demais músicas
do CD.
Dois
anos e uma guerra depois, os Strokes reaparecem com o segundo trabalho,
Room On Fire. A crítica especializada – ou não,
como a da revista Veja – orgulha-se de repetir idéias
pré-fabricadas como “é igual ao primeiro”
ou “a maldição do segundo disco continua”;
a revista semanal ateve-se a tecer comentários inapropriados
sobre o estilo e o modo de se vestir da banda, e não fez
uma reflexão sobre o material que aterissava nas lojas naquele
momento. De uma publicação para outra, a diferença
é notável: a também semanal Época
fez seu registro comparando os dois discos e relatando as intersecções
entre as músicas.
No novo CD – que também conta com 11
músicas – a banda manteve a forte pegada inicial e
as sacadas rítmicas, e fez ainda mais. Em “What Ever
Happened?”, primeira faixa, Julian grita “I wanna be
forgotten, and I don´t wanna be reminded” (“Eu
quero ser esquecido, e não quero ser lembrado”). Difícil.
Os Strokes usam e abusam da mistura de estilos ao rock, como na
balada soul “Under Control” e nos reggaes –
não remeta ao estilo jamaicano de fazer reggae – “Automatic
Stop” e “Between Love and Hate”. A new
wave e primeiro single “12:51”, cujo videoclipe é
inspirado no filme Tron, é executada soberbamente,
e cada instrumento toca em um sentido diferente, que se completam
com genialidade. A profusão de guitarras toma conta da rápida
“Reptilia”, que dispara “I said please don´t
slow me down if I´m going too fast” (Eu disse por favor
não me faça ir devagar se eu estiver indo rápido
demais).
E
assim, com músicas certeiras e rápidas – Is
This It e Room On Fire não chegam a 40 minutos
cada – os Strokes fazem um som de qualidade atrelado à
habilidade de seus integrantes em desenvolver diferentes camadas
que, quando unidas, fazem uma explosão. Eles vêm ao
Brasil em 2004, e sua pegada deu origem a um movimento de grupos
que os copiam, mas os Strokes não pertence a nenhum “movimento”.
Se os monocromáticos White Stripes conseguem ser repetitivos
e desesperados nos berros de velha de Jack White e na bateria orangotanga
de Meg, os Strokes são flexíveis e surpreendentes
a partir de Julian Casablancas, que, junto com seus companheiros,
forma a banda mais pé-no-chão, conhecedora de suas
capacidades e corajosa do rock atual. 
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