| O AMOR ESTÁ
NA TELA
Simplesmente Amor
traz ótimo elenco em histórias interligadas cujo principal
tema, claro, é o amor
por Fábio
Freire (fabio_fcosta@hotmail.com)

e você gostou de Quatro Casamentos e Um Funeral, Um
Lugar Chamado Notting Hill e O Diário de Bridget Jones,
não deixe de assistir a Simplesmente Amor (Love
Actually), mais novo exemplar de comédia romântica
com humor tipicamente inglês. Outra coisa em comum entre os
filmes, além da presença estabanada e charmosa do
ator Hugh Grant, é o roteiro enxuto e cheio de diálogos
inteligentes de Richard Curtis (que aqui estréia como diretor).
Simplesmente Amor segue a mesma fórmula de produções
como Short Cuts, de Robert Altman, e Magnólia,
de Paul Thomas Anderson, trazendo várias subtramas e personagens
que se cruzam em determinado momento da história. A grande
diferença é que, ao contrário dos filmes anteriores,
Curtis utiliza esse artifício em prol de uma história
leve e descompromissada. Esse, aliás, é o grande mérito
do diretor, que consegue amarrar todas as personagens e criar um
ritmo fluido e compreensível ao filme.
Claro que Simplesmente Amor ganharia pontos
se algumas das subtramas fossem descartadas, já que não
são desenvolvidas devidamente e acabam parecendo superficiais
Exemplos não faltam: a do inglês feioso que quer viajar
para os Estados Unidos porque acha que as americanas são
loucas por ingleses; ou a do casal de dublês de corpo que
se conhecem e se apaixonam durante uma filmagem; e mesmo a da paixão
platônica entre a americana Laura Linney e o brasileiro Rodrigo
Santoro, que é deixada de lado na segunda metade do filme.
Mas estes são apenas pequenos defeitos de uma produção
alto astral, com uma bela trilha sonora e um elenco impecável
e cheio de figurinhas tarimbadas.
Além
de Hugh Grant, aqui interpretando o Primeiro Ministro inglês
que se apaixona por uma secretária, Simplesmente Amor
também conta com a participação de vários
atores ingleses renomados. A desaparecida Emma Thompson (Razão
e Sensibilidade) interpreta a esposa mal amada de Alan Rickman
(da série Harry Potter), este em dúvida se
a trai ou não com sua secretária fogosa. Liam Neeson
(A Lista de Schindler) é o padrasto que toma conta
do enteado (perdidamente apaixonado por uma garota da escola) depois
da recente morte da esposa. Já Colin Firth (O Diário
de Bridget Jones) é o eterno traído que se apaixona
por uma empregada portuguesa que não fala inglês. O
filme ainda conta com a nova musa inglesa, a magricela Keira Knightley
(Driblando o Destino e Piratas do Caribe), que desperta
a paixão do melhor amigo de seu marido. Fazendo uma ligação
entre todas as histórias, temos Bill Nighy, um roqueiro cinqüentão
e desbocado que tenta recuperar sua carreira com uma versão
duvidosa de “Love is All Around”, do Wet Wet Wet (trilha
de Quatro Casamentos). Como pano de fundo de todas as tramas,
o Natal.
Além
do elenco, Simplesmente Amor também conquista pela
simplicidade do roteiro, cheio de situações absurdas
típicas das produções roteirizadas por Richard
Curtis e cenas encantadoras capazes de derreter o mais gelado dos
corações. Como a do cara que revela à mulher
do melhor amigo que está apaixonado por ela. Ou quando a
personagem de Emma Thompson não disfarça a desilusão
ao saber que o marido pode ter uma amante. Ou as belas cenas em
que Colin Firth e sua empregada portuguesa conversam sem entenderem
o que o outro está dizendo. Ou quando este, acompanhado de
meia cidade, a pede em casamento. E o que dizer do garotinho Sam
(Thomas Sangster) correndo em pleno aeroporto somente para dizer
para uma garota que ela é a paixão de sua vida. Simplesmente
Amor é o filme perfeito para quem está ou quer
ficar apaixonado, recheado de momentos alegres e pontuado por outros
bem melancólicos. Para completar, a produção
ainda começa e termina com cenas de pessoas se reencontrando
em aeroportos. E quer lugar mais feliz (e porque não? –
triste) do que aeroportos? 
|