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12 a 25 de janeiro de 2004


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O AMOR ESTÁ NA TELA
Simplesmente Amor traz ótimo elenco em histórias interligadas cujo principal tema, claro, é o amor

por Fábio Freire (fabio_fcosta@hotmail.com)

e você gostou de Quatro Casamentos e Um Funeral, Um Lugar Chamado Notting Hill e O Diário de Bridget Jones, não deixe de assistir a Simplesmente Amor (Love Actually), mais novo exemplar de comédia romântica com humor tipicamente inglês. Outra coisa em comum entre os filmes, além da presença estabanada e charmosa do ator Hugh Grant, é o roteiro enxuto e cheio de diálogos inteligentes de Richard Curtis (que aqui estréia como diretor). Simplesmente Amor segue a mesma fórmula de produções como Short Cuts, de Robert Altman, e Magnólia, de Paul Thomas Anderson, trazendo várias subtramas e personagens que se cruzam em determinado momento da história. A grande diferença é que, ao contrário dos filmes anteriores, Curtis utiliza esse artifício em prol de uma história leve e descompromissada. Esse, aliás, é o grande mérito do diretor, que consegue amarrar todas as personagens e criar um ritmo fluido e compreensível ao filme.

Claro que Simplesmente Amor ganharia pontos se algumas das subtramas fossem descartadas, já que não são desenvolvidas devidamente e acabam parecendo superficiais Exemplos não faltam: a do inglês feioso que quer viajar para os Estados Unidos porque acha que as americanas são loucas por ingleses; ou a do casal de dublês de corpo que se conhecem e se apaixonam durante uma filmagem; e mesmo a da paixão platônica entre a americana Laura Linney e o brasileiro Rodrigo Santoro, que é deixada de lado na segunda metade do filme. Mas estes são apenas pequenos defeitos de uma produção alto astral, com uma bela trilha sonora e um elenco impecável e cheio de figurinhas tarimbadas.

Além de Hugh Grant, aqui interpretando o Primeiro Ministro inglês que se apaixona por uma secretária, Simplesmente Amor também conta com a participação de vários atores ingleses renomados. A desaparecida Emma Thompson (Razão e Sensibilidade) interpreta a esposa mal amada de Alan Rickman (da série Harry Potter), este em dúvida se a trai ou não com sua secretária fogosa. Liam Neeson (A Lista de Schindler) é o padrasto que toma conta do enteado (perdidamente apaixonado por uma garota da escola) depois da recente morte da esposa. Já Colin Firth (O Diário de Bridget Jones) é o eterno traído que se apaixona por uma empregada portuguesa que não fala inglês. O filme ainda conta com a nova musa inglesa, a magricela Keira Knightley (Driblando o Destino e Piratas do Caribe), que desperta a paixão do melhor amigo de seu marido. Fazendo uma ligação entre todas as histórias, temos Bill Nighy, um roqueiro cinqüentão e desbocado que tenta recuperar sua carreira com uma versão duvidosa de “Love is All Around”, do Wet Wet Wet (trilha de Quatro Casamentos). Como pano de fundo de todas as tramas, o Natal.

Além do elenco, Simplesmente Amor também conquista pela simplicidade do roteiro, cheio de situações absurdas típicas das produções roteirizadas por Richard Curtis e cenas encantadoras capazes de derreter o mais gelado dos corações. Como a do cara que revela à mulher do melhor amigo que está apaixonado por ela. Ou quando a personagem de Emma Thompson não disfarça a desilusão ao saber que o marido pode ter uma amante. Ou as belas cenas em que Colin Firth e sua empregada portuguesa conversam sem entenderem o que o outro está dizendo. Ou quando este, acompanhado de meia cidade, a pede em casamento. E o que dizer do garotinho Sam (Thomas Sangster) correndo em pleno aeroporto somente para dizer para uma garota que ela é a paixão de sua vida. Simplesmente Amor é o filme perfeito para quem está ou quer ficar apaixonado, recheado de momentos alegres e pontuado por outros bem melancólicos. Para completar, a produção ainda começa e termina com cenas de pessoas se reencontrando em aeroportos. E quer lugar mais feliz (e porque não? – triste) do que aeroportos?