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25 de julho a 8 de agosto de 2004

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DA CELULOSE AO CELULÓIDE
Antes do domínio Marvel nos últimos anos, o casamento entre cinema e HQs penou bastante

por Luiz Andreghetto ( luiz_andreghetto@hotmail.com )

arecia ser apenas um modismo passageiro, mas as adaptações de histórias em quadrinho para o cinema tornaram-se um dos maiores fenômenos da atualidade. Contando com alguns casos isolados de sucesso, como Superman (1978) e Batman (1989), responsável por uma das campanhas mais agressivas de marketing da época, o cinema e as HQs pareciam viver um relacionamento que estava fadado ao fracasso. Foi necessário percorrer um longo caminho para que os heróis dos gibis invadissem Hollywood, com filmes de qualidade e extremamente lucrativos.

das Foi a partir dos anos 30 que o cinema e as HQs iniciaram um tímido namoro. Vários heróis – como Flash Gordon, Doc Savage, Buck Rogers, Tarzan, Capitão Marvel , etc – saíam das tiras dos gibis diretos para as matinês dos sábados.

dasCom o passar do tempo, nos anos 50, as HQs começaram a invadir a tela da TV. Um dos primeiros heróis a seguir esse caminho foi Superman, em 1951, seguido, na década de 60, pela série Batman , aquela toda colorida e ridícula, que quase afundou o nome do homem-morcego na lama.

das Ainda nos anos 60, houve apenas duas adaptações de HQs na grande tela, duas heroínas que sinalizavam a revolução sexual, com comportamentos mais liberais e sensuais: Modesty Blaise (1966), interpretada pela italiana Monica Vitti, e a ninfomaníaca Barbarella (1967), interpretada por Jane Fonda.

das Nos anos 70, novamente a telinha viu nascer vários heróis: Mulher Maravilha (de 1976 a 1979), Homem-Aranha (de 1977 a 1979), Capitão América (dois telefilmes), O Incrível Hulk (de 1977 a 1982) e Buck Rogers (de 1979 a 1981).

AGORA VAI?

das Com a estréia e posterior sucesso de Superman – o Filme (1978), que se tornou um ícone cultural e elevou o ator Christopher Reeves à estatura de astro, parecia que cinema e HQs haviam feito as pazes.

das Ledo engano. Com exceção de Superman 2 (1980), que, mesmo sendo inferior ao primeiro ainda é um bom filme, e Conan, o Bárbaro (1982), tudo produzido pós- Superman foi lamentável. A lista de equívocos começa com o próprio Superman e sua terceira parte (1983) e segue com Sheena – A Rainha das Selvas (1984); Supergirl (1984); Guerreiros de Fogo (1985); o execrável e colossal erro de George Lucas, Howard, o Super-Herói (1986); Superman 4 (1987); Brenda Starr (1989); e O Justiceiro (1989).

MAS NEM TUDO ESTAVA PERDIDO

dasE de Gotham City veio um herói que parecia pôr um fim a todas as péssimas adaptações de HQs: Batman . Estreando em 1989, com uma campanha de marketing nunca antes vista (e que se tornaria uma cartilha seguida por todos os blockbusters do verão americano), o diretor Tim Burton trocou o colorido excessivo dos anos 60, por um visual mais dark e digno do homem-morcego. Apesar da polêmica escolha de Michael Keaton para protagonista, Batman faturou alto e mostrou que uma adaptação de HQ poderia ser fiel ao original, bem feita e lucrar muito.

das Mas ainda nem tudo era perfeito. Ao lado de alguns bons filmes – Dick Tracy (1990), O Corvo (1992), O Máskara (1992) – e outros medianos – Batman, o Retorno (1992), Batman Eternamente (1995), Spawn – O Soldado do Inferno (1997) – muitas porcarias foram feitas. Entre elas, Rockteer (1991), Capitão América (1992), O Sombra (1994), Tank Girl (1995), O Juiz (1995), Barbwire (1996), com a siliconada Pamela Anderson, O Fantasma (1996) e Aço (1997), até a total destruição da franquia do homem-morcego com o tenebroso Batman e Robin (1997).

das Com o inesperado sucesso de MIB – Homens de Preto (1997), baseado em uma obscura revista em quadrinhos cujos direitos a Marvel tinha adquirido após a falência da editora original, começava a se ver uma luz no fim do túnel.

das Em 1998, com o sucesso de Blade – O Caçador de Vampiros , herói meio-humano, meio-vampiro interpretado por Wesley Snipes, a Marvel começou a sedimentar o caminho até seu projeto mais ambicioso: transformar os X-Men em carne e osso. Dirigido por Bryan Singer, X-Men (2000) iniciou o novo milênio com um enorme êxito de bilheteria que abriu as portas para um dos mais queridos e conhecidos heróis dos gibis: o Homem-Aranha.

DESSA VEZ É PRA VALER

das É a partir de 2002 que cinema e HQs assumem seu casamento tantas vezes adiado, e fazem seus votos de fidelidade eterna, com o estardalhaço de Homem-Aranha, que se tornou a quinta maior bilheteria de todos os tempos, quebrando vários recordes pelo caminho. Enrolado em uma briga pelos direitos legais do aracnídeo e o projeto do filme passando pelas mãos de vários diretores, o emaranhado levou dez anos para ser desfeito. Ainda bem que demorou tanto, pois só assim poderíamos contar com a excelente direção de Sam Raimi, e dois atores que encarnam à perfeição seus personagens, Tobey Maguire e Kirsten Dunst, respectivamente Peter Parker e Mary Jane.

das Ainda em fase de lua-de-mel, é lançado, também em 2002, Blade 2 ; seguido por X-Men 2 (2003), superior ao original em todos os quesitos; Hulk (2003), que, mesmo com o pouco sucesso que fez, já cogita-se uma continuação; e Demolidor – O Homem sem Medo (2003), responsável por apresentar a heroína Elektra, que já se prepara para partir em um filme solo.

das Mas, para provar definitivamente que essa união é duradoura, estréia em 2004 o filme que eleva as adaptações de HQs a um patamar nunca imaginado. É claro que estamos falando de Homem-Aranha 2 , que desponta como a melhor fusão entre celulose e celulóide já vista até agora. Infinitamente superior ao seu antecessor, desde roteiro, efeitos especiais, até em uma direção mais solta de Sam Raimi, que abusa de movimentos de câmera tão peculiares ao seu estilo, o filme capricha também no desenvolvimento dos personagens, tornando impossível não se identificar ou se envolver com Peter Parker, seus problemas e dúvidas. Como diz tia May, em dada cena, todos nós precisamos de um herói, e esse, com certeza, poderá ser o cabeça-de-teia.

das Alguns filmes mais sérios, mesmo não parecendo, trazem suas origens das HQs. É o caso de Do Inferno (2001), com Johnny Depp perseguindo Jack, o Estripador; Estrada para a Perdição (2002), em que Tom Hanks faz um assassino de aluguel na América dos anos 30; e Anti-Herói Americano (2003), que conta, de forma irônica, a vida de Harry Pekar, roterista da HQ American Splendor .

das E projetos para os próximos anos não faltam: Mulher-Gato ; Constantine , a adaptação de Hellblazer ; Batman Begins , a grande aposta da Warner para ressuscitar o homem-morcego; Hellboy; uma nova tentativa de O Justiceiro ; as continuações Blade 3 , Homem-Aranha 3 e X-Men 3; e a investida múltipla da Marvel com Quarteto Fantástico , Luke Cage , Motoqueiro Fantasma , Homem-de-Ferro e Namor. Sem nos esquecermos de Sin City , um dos projetos mais aguardados do momento, baseado na série de Frank Miller, dirigido por Robert Rodrigues e que conta com um elenco de peso, encabeçado por Bruce Willis, Benicio Del Toro, Michael Douglas e Elijah Wood.

das E esperamos que cinema e HQs sejam felizes até que a morte ou alguma adaptação ridícula os separe.