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25 de julho a 8 de agosto de 2004

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ESTRANHOS DE TERNO NO NINHO MALACO
Os Insertos surgem para provar que rock santista não é feito só de bermuda e atitude ofensiva.

por Julio Ibelli (julio@rabisco.com.br)

hardcore foi o remédio encontrado para demarcar o território da cidade de Santos em meio à produção atual de música jovem no país. A tal “ceninha” santista é famosa e respeitada (mais pelas caras feias de seu elenco), apesar de insossa, com um número de bandas boas que podem ser contadas nos dedos das mãos. Como toda droga usada em demasia, essa situação acaba trazendo efeitos colaterais, ainda que positivos, e dos quais a banda Os Insertos admite fazer parte.

Antes habituados ao terceiro mundo da música pop, onde pilantras perambulam livremente como empresários da noite, Os Insertos acabaram de fechar uma participação mensal no Café Teatro Rolidei , que figura entre o crescente, porém tímido movimento que se abateu sobre Santos e que tenta livrar a noite da cidade - e também o dia - da falta de opção (ainda fazem parte desse circuito a festa Popscene e o Cine Arte Posto 4 ). Mais do que aliar música ao vivo à encenações teatrais em um local divertido e aconchegante, o Rolidei vem revelando ser o único local de Santos a dar espaço aos bons artistas que não se fortalecem na falha de ninguém (paródia ao estilo de vida de um dos mais ilustres nativos da cidade).

Investindo em seu ingresso para o segundo mundo da música pop (o mercado independente, que só fica atrás das bandas de grande exposição na mídia - o 1º mundo), Os Insertos contam com o dinheiro das apresentações no Rolidei para bancar seu primeiro disco, que promete ser uma releitura calcada em cima de influência assumida em muito rock sessentista, com pitadas de britpop e psicodelia. Um caldeirão que vai de Doors a Jet, de Yardbirds a Travis.

Adoradores de Beatles ("Os Insertos" foi adotado quando a banda precisava de um nome para participar de um festival de covers do quarteto de Liverpool) e ainda das maiores bandas da década de 60, os integrantes do grupo tem suas mentes inconscientemente ou não afinadas com a produção musical indie de Goiânia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul (centros históricos de articulação sonora independente e que, por causa disso mesmo, fabricam hoje a música mais consistente do país - São Paulo vem logo atrás).

Quase tudo na história d'Os Insertos denuncia um certo carma espaço-temporal. São jovens dando novos ares à música que é considerada de velho. Foi fora de seu gueto, na casa paulistana Dinossauros, dedicada ao saudosismo musical, que a banda encontrou uma resposta positiva de seu som junto ao público. Já em “casa”, enquanto esperavam para tocar em um programa de TV da cidade vizinha, São Vicente, a banda foi caçoada por aqueles que também estavam na fila para entrar no ar: "Acabaram de voltar do trabalho?".

"Eu acho ridículo tocar de bermuda" é o que diz Ricardo Alarcon, 22, que deixa o baixo tão presente nas canções da banda para atuar como porta voz principal d'Os Insertos, ao lado do vocalista André Dias (23), do baterista Bruno Aires (22) e do guitarra Gian Catelli (19). Eles são adeptos do mod , estilo roqueiro de se vestir que encontra representantes máximos nos internacionais Hives e nos gaúchos do Cachorro Grande, mas que Os Insertos levam mais para um lado Los Hermanos (outra banda que dizem respeitar bastante) em início de carreira.

Apesar de a cabeça estar mais pra lá do que pra cá, no sentido geográfico da coisa toda, nunca houve preferência por cantar em inglês. Não se importam em mesclar uma música própria ou outra com repertório de covers, desde que seja dos anos 60, insistem. A semente para a criação d'Os Insertos foi lançada em 98, passou pela saída de alguns integrantes, outros que se agregaram, mudanças de nomes, até chegar à atual formação, que data do ano passado.

Sobre o nome da banda há outra curiosidade. Não é uma recomendação dos integrantes, que até podem se divertir com o outro sentido que a palavra pode tomar na cabeça do público, mas na maioria dos seus shows as pessoas que os apresentam fazem questão de explicar que eles são Os Insertos porque estão 'inseridos', e não porque são indecisos.

A segunda música d'Os Insertos gravada em estúdio representa, segundo eles, um salto de qualidade em relação ao primeiro registro. "Nada ao meu redor" é uma daquelas ótimas músicas às quais o jornalismo musical costuma impregnar de adjetivos duvidosos, porém verdadeiros: urgente, vai salvar e dar uma reviravolta no cenário pop-roqueiro nacional, valiosos os momentos destinados à sua audição e por aí vai.

Com pretensões muito menores do que as da maioria - o que é bom, visto que quanto mais alto se está maior é a queda - Os Insertos querem prosseguir na gravação da sua primeira bolacha digital e, quem sabe, chamar a atenção de algum selo para lançá-la. Estigma negativo de banda que sai de Santos eles preferem deixar com aquele que deveria estar cabeceando na seleção brasileira, o nocauteador oficial do circuito de festivais das consagradas e vencedoras (será mesmo?) bandas nacionais.