2 5


Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

10 a 25 de agosto de 2004

Equipe Edições Anteriores

POEIRA DE INFLUÊNCIAS
Abaixo de Zero fala com exclusividade sobre seu som que mistura bossa nova, britpop e anos 80

por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)

uitas bandas recebem rótulos que preocupam seus integrantes. Gera o medo de ficarem reconhecidos por um movimento musical que não reflete na totalidade aquilo que tocam. O jeito é sacudir a poeira das guitarras e seguir em frente. É o caso do Abaixo de Zero, de Niterói (RJ), que, segundo os próprios, foi formada por influências oitentistas, mas que sofre com uma certa falta de identidade perante o público que não conhece a fundo seu som. Ao longo dos anos, o Abaixo de Zero agregou influências do rock dos anos 90, principalmente o conhecidíssimo e badalado britpop, e passou a bebericar raízes brasileiras, demarcadas prontamente pela bossa nova.

É o que fica claro ao ouvir o EP Poeira Estelar , lançado no fim do ano passado. São apenas cinco músicas que passam como vendaval pop pelos ouvidos, despejando guitarras e arranjos virulentos, com a harmonia poética que só as letras de amor podem fornecer. A única influência clara que se nota é na canção “Casa de Praia”, totalmente calcada na bossa nova, com direito a pandeiro com batidinha característica ao estilo.

“O Céu Mais Perto do Mar” possui certa semelhança com o gênero, porém, mais por conta de seu clima tranqüilo e despreocupado. O peso fica para a faixa inicial, “Onde Está Meu Coração”, que abre com os seguintes versos, a rasgar as almas vulneráveis: “Com que cor você vai começar/ A pintar a minha destruição?/ Pois tente guardar para mim/ Um pedaço do nosso fim”. “Poeira Estelar” faz jus ao nome com psicodelia e efeitos, aliados a guitarras pesadas e bateria trabalhada.

Para falar um pouco melhor sobre como funciona essa salada de influências que compõe o caldeirão pop do Abaixo de Zero, o Rabisco conversou com o baixista Guilherme Mattoso e o baterista Leonardo Spinardi. Os dois falam, também, da surpreendente produção quase profissional do Poeira Estelar e da recente experiência do primeiro show longe de casa, em São Paulo, em junho.

Falem um pouco sobre como surgiu a banda.

Mattoso: Nos conhecemos desde o tempo de colégio. Estudei com Spinardi, que morava no mesmo prédio do D'angelo [Cossil, guitarra] e fazia inglês com o André [Marino, vocal e guitarra]. Nos juntamos em 99 e neste mesmo ano lançamos nosso primeiro EP, o Passaporte .

Spinardi: Só começamos a fazer shows em 2000. Aos poucos em Niterói e fomos, naturalmente, migrando para o Rio de Janeiro. Em Niterói não existem grandes espaços, a não ser os eventos periódicos como o Sound Around e o Niterói Rock. Então, apesar de sermos de lá, não é muito comum nos apresentarmos na cidade. Uma pena!


Da onde veio a idéia de batizar a banda como Abaixo de Zero? Tem algum significado especial?

Mattoso: A idéia do nome vem do livro Abaixo de Zero , do escritor americano Bret Easton Ellis. É um romance sobre a decadência dos anos 80, de drogas, da era do videoclipe, enfim, achamos legal a referência.

Spinardi: Há pouco tempo fui saber que este foi o primeiro livro que ele escreveu, ainda na universidade, e foi lançado em 1985. Tem tudo a ver com a nossa idéia inicial da banda: influência dos anos 80, decadência e romantismo, pós-punk...

Como o Abaixo de Zero encontrou esse modo de fazer as canções, mesclando um peso nas guitarras, na bateria, com letras leves, românticas, trazendo um elemento bastante pop?

Mattoso: Acho que isso se deve ao nosso crescimento como banda e à busca por um direcionamento que satisfaça nosso ideal de sonoridade. Ouvindo os três EPs de forma cronológica pode-se perceber como evoluímos nessa fórmula que funde peso e melodia. A pitada pop vem naturalmente, afinal, não negamos essa verve. Muito pelo contrário, achamos ótima essa característica. O problema é que muita gente acha que pop só é Britney Spears e se esquece de coisas fantásticas como Cardigans e, por que não, Beatles?

Li em algumas revistas que a maior influência de vocês é o britpop. Vocês concordam? Como é para vocês lidar com isso, já que, às vezes, quando se referem ao rock inglês dos anos 90, vem uma carga de críticas gigantescas às principais bandas desse movimento, como o Oasis e Blur?

Mattoso: Quando começamos a banda, nossa principal influência era o rock dos anos 80, de Smiths até Duran Duran. Logo depois, mergulhamos no britpop, mas nunca quisemos soar como tal. Seria muita pretensão, assim como um grupo japonês querer montar uma banda de pagode. Não funciona muito. O que fizemos, então, foi diluir o britpop com outras coisas que já ouvíamos, mas não aproveitávamos no nosso som: basicamente a bossa nova e o rock americano. Não ficamos incomodados quando nos rotulam, o problema é que isso limita a idéia das pessoas sobre nós. Quem não nos conhece já vai imaginar que somos um pseudo-Oasis.

Além do britpop, há alguma outra influência que às vezes fica perdida na confusão dos instrumentos, mas que se mostra evidente na hora de compor?

Spinardi: Isso pode variar de acordo com cada integrante. Eu acho que o rock nacional é uma coisa que está no inconsciente e que talvez não percebamos, mas está sempre dando as caras de alguma maneira nas músicas.

Mattoso: A bossa nova na hora de compor fica um pouco evidente tanto na letra como na música. Depois, quando passamos a ensaiar com os instrumentos, essa sonoridade se perde um pouco e a canção ganha a dimensão que procurarmos colocar. Ela fica pesada, mas ao mesmo tempo é bastante melódica e lírica.

A qualidade sonora é ótima. Falem da produção do EP.

Spinardi: A produção deste EP foi bastante espontânea. A qualidade, de primeira, surpreendeu a nós mesmos. Não esperávamos fazer um EP independente e alcançar esta sonoridade semiprofissional. Chegamos com as músicas de uma maneira no estúdio e lá, entre horas de gravações, entre testes e experimentações, fomos mudando uma guitarra aqui, outra bateria ali. Até as letras sofreram alterações e foram se formando na hora. É uma coisa bastante legal de se observar, de vivenciar, no entanto, não é a maneira que pretendemos trabalhar no nosso próximo lançamento. Queremos chegar com tudo definido no estúdio, na agulha, e mandar bala.

Como vocês avaliam a capa do Poeira Estelar , feita por Cynthia Cavalcanti?

Spinardi: Eu acho muito bacana essa coisa da união dos independentes, da produção natural, sem rédeas, por conta própria e sem compromisso comercial. Por isso, quando vi a pintura da Cynthia Cavalcanti num zine eletrônico, entrei em contato com ela e fiz a proposta. Não tínhamos dinheiro para pagar pela sua obra ou alguma quantia referente aos seus direitos autorais, mas garanti que o nome dela estaria no encarte e que enviaríamos uma cópia do EP para ela. Ela gentilmente cedeu e a gente ficou satisfeitíssimo. Achamos que aquele “climão” branco, o “esparramado” do azul, remetia, de alguma maneira, ao nome do EP. Gosto muito de ver uma banda independente gravar seu CD, com arte feita por um designer independente, com fotos tiradas por um fotógrafo independente, com site construído por um webdesigner independente, etc. Gosto de ver essas coisas andando juntas. Elas se fortalecem.

O Poeira Estelar é o terceiro EP que vocês lançam desde 1999. Como é para a banda se manter no cenário independente?

Spinardi: De início, podemos dizer que é ótimo, pois continuamos no mesmo patamar em que começamos. Talvez hoje um número maior de pessoas nos conheça em relação ao final de 1999, mas continuamos sem ganhar dinheiro, sem viver de música e seguindo em frente por amor, buscando cada vez mais o profissionalismo às nossas próprias custas. É claro que gostaríamos de ter uma estrutura melhor para gravarmos, divulgarmos e tocarmos em lugares melhores e diferentes. Mas já não temos certeza se o futuro da música está nas gravadoras. Então, fazemos o melhor, temos cuidado com tudo que lançamos e trabalhamos pra que possamos nos manter ativos e presentes na música. A gente segue em frente para ver o que a vida pode nos oferecer.

Como que foi a apresentação em São Paulo no início do mês? Foi a primeira fora do Rio de Janeiro, né? Deu um “frio na barriga” por tocar longe de casa, dos amigos, num lugar até certo ponto desconhecido de vocês?

Mattoso: Nosso show na Delicious foi fantástico! Claro, rolou um pouco de nervosismo, afinal, foi nossa primeira apresentação em São Paulo, uma cidade gigantesca e com um público diferente. O legal é que tocamos na Funhouse, que é um lugar superbacana, e nossa sonoridade têm bastante aceitação por lá. Sabe essa coisa de indie-pop, indie-rock!!! (risos). Queremos muito fazer mais shows por lá. Em setembro estamos com uma data na Outs, mas ainda é pouco! Queremos mais shows em São Paulo!

Vocês estão preparando um novo EP? Como está a produção? Novidades por aí?

Spinardi: No meio do ano que vem pretendemos lançar nosso primeiro disco completo, com 10 músicas inéditas. Já temos 5 que estamos tocando em shows. Vamos gravá-las ao vivo e trabalhar em uma pré-produção entre setembro e novembro. Em dezembro a gente pretende chegar tinindo no estúdio pra gravar o definitivo. Faremos o mesmo no ano que vem com as outras 5. Acreditamos que no segundo semestre do ano que vem o disco esteja pronto, mixado, masterizado e prensado. Prontinho para as prateleiras!

Mattoso: Quando começamos a banda, nossa principal influência era o rock dos anos 80, de Smiths até Duran Duran. Logo depois, mergulhamos no britpop, mas nunca quisemos soar como tal. Seria muita pretensão, assim como um grupo japonês querer montar uma banda de pagode. Não funciona muito. O que fizemos, então, foi diluir o britpop com outras coisas que já ouvíamos, mas não aproveitávamos no nosso som: basicamente a bossa nova e o rock americano. Não ficamos incomodados quando nos rotulam, o problema é que isso limita a idéia das pessoas sobre nós. Quem não nos conhece já vai imaginar que somos um pseudo-Oasis.

Além do britpop, há alguma outra influência que às vezes fica perdida na confusão dos instrumentos, mas que se mostra evidente na hora de compor?

Spinardi: Isso pode variar de acordo com cada integrante. Eu acho que o rock nacional é uma coisa que está no inconsciente e que talvez não percebamos, mas está sempre dando as caras de alguma maneira nas músicas.

Mattoso: A bossa nova na hora de compor fica um pouco evidente tanto na letra como na música. Depois, quando passamos a ensaiar com os instrumentos, essa sonoridade se perde um pouco e a canção ganha a dimensão que procurarmos colocar. Ela fica pesada, mas ao mesmo tempo é bastante melódica e lírica.

A qualidade sonora é ótima. Falem da produção do EP.

Spinardi: A produção deste EP foi bastante espontânea. A qualidade, de primeira, surpreendeu a nós mesmos. Não esperávamos fazer um EP independente e alcançar esta sonoridade semiprofissional. Chegamos com as músicas de uma maneira no estúdio e lá, entre horas de gravações, entre testes e experimentações, fomos mudando uma guitarra aqui, outra bateria ali. Até as letras sofreram alterações e foram se formando na hora. É uma coisa bastante legal de se observar, de vivenciar, no entanto, não é a maneira que pretendemos trabalhar no nosso próximo lançamento. Queremos chegar com tudo definido no estúdio, na agulha, e mandar bala.

Como vocês avaliam a capa do Poeira Estelar , feita por Cynthia Cavalcanti?

Spinardi: Eu acho muito bacana essa coisa da união dos independentes, da produção natural, sem rédeas, por conta própria e sem compromisso comercial. Por isso, quando vi a pintura da Cynthia Cavalcanti num zine eletrônico, entrei em contato com ela e fiz a proposta. Não tínhamos dinheiro para pagar pela sua obra ou alguma quantia referente aos seus direitos autorais, mas garanti que o nome dela estaria no encarte e que enviaríamos uma cópia do EP para ela. Ela gentilmente cedeu e a gente ficou satisfeitíssimo. Achamos que aquele “climão” branco, o “esparramado” do azul, remetia, de alguma maneira, ao nome do EP. Gosto muito de ver uma banda independente gravar seu CD, com arte feita por um designer independente, com fotos tiradas por um fotógrafo independente, com site construído por um webdesigner independente, etc. Gosto de ver essas coisas andando juntas. Elas se fortalecem.

O Poeira Estelar é o terceiro EP que vocês lançam desde 1999. Como é para a banda se manter no cenário independente?

Spinardi: De início, podemos dizer que é ótimo, pois continuamos no mesmo patamar em que começamos. Talvez hoje um número maior de pessoas nos conheça em relação ao final de 1999, mas continuamos sem ganhar dinheiro, sem viver de música e seguindo em frente por amor, buscando cada vez mais o profissionalismo às nossas próprias custas. É claro que gostaríamos de ter uma estrutura melhor para gravarmos, divulgarmos e tocarmos em lugares melhores e diferentes. Mas já não temos certeza se o futuro da música está nas gravadoras. Então, fazemos o melhor, temos cuidado com tudo que lançamos e trabalhamos pra que possamos nos manter ativos e presentes na música. A gente segue em frente para ver o que a vida pode nos oferecer.

Como que foi a apresentação em São Paulo no início do mês? Foi a primeira fora do Rio de Janeiro, né? Deu um “frio na barriga” por tocar longe de casa, dos amigos, num lugar até certo ponto desconhecido de vocês?

Mattoso: Nosso show na Delicious foi fantástico! Claro, rolou um pouco de nervosismo, afinal, foi nossa primeira apresentação em São Paulo, uma cidade gigantesca e com um público diferente. O legal é que tocamos na Funhouse, que é um lugar superbacana, e nossa sonoridade têm bastante aceitação por lá. Sabe essa coisa de indie-pop, indie-rock!!! (risos). Queremos muito fazer mais shows por lá. Em setembro estamos com uma data na Outs, mas ainda é pouco! Queremos mais shows em São Paulo!

Vocês estão preparando um novo EP? Como está a produção? Novidades por aí?

Spinardi: No meio do ano que vem pretendemos lançar nosso primeiro disco completo, com 10 músicas inéditas. Já temos 5 que estamos tocando em shows. Vamos gravá-las ao vivo e trabalhar em uma pré-produção entre setembro e novembro. Em dezembro a gente pretende chegar tinindo no estúdio pra gravar o definitivo. Faremos o mesmo no ano que vem com as outras 5. Acreditamos que no segundo semestre do ano que vem o disco esteja pronto, mixado, masterizado e prensado. Prontinho para as prateleiras!.