| STROKES VERSÃO PÓS-MODERNA
O sucesso do álbum de estréia de Franz Ferdinand prova que a moda agora é fazer pastiche do pastiche
por
Fábio Freire (fabio_fcosta@hotmail.com)

moda agora é ser pós-moderno. Seja no cinema, como atesta Quentin Tarantino e seu quarto filme Kill Bill , ou na televisão (um seriado como Os Normais da vida, por exemplo), a onda do momento é fazer pastiche, reinventar o que já foi inventado, ou então fazer uma mistura de várias referências e colocar tudo no liqüidificador. Na música, a história não é muito diferente, com um número cada vez maior de bandas que se “inspiram” em modismos passados para fazer sucesso. O negócio é dar uma roupagem diferente ao que estava no auge na década de 70 e 80 e pronto, bingo, temos um “novo” estilo em voga. De White Stripes a Strokes, passando por Interpol, The Raptures e The Darkness, todos lembram, de alguma forma, nomes do passado: Led Zepellin, Joy Division, The Cure e Queen, só para citar alguns.
Seguindo a mesma fórmula, mas dando um passo à frente, os novos queridinhos do momento são os escoceses do Franz Ferdinand, que, ao invés de buscarem inspiração no passado, preferiram “homenagear” referências mais atuais, como Strokes e Raptures. O som dos escoceses lembra um pouco o do Elefant, banda nova-iorquina liderada pelo argentino Diego Garcia, que, em 2003, lançou seu primeiro trabalho colocando no mesmo balaio os também nova-iorquinos Strokes e Interpol. A diferença é que, enquanto o Elefant tenta disfarçar um pouco suas influências, acrescentando um tom mais pessoal a suas músicas, os integrantes do Franz Ferdinand não são nem um pouco discretos e fazem uma cópia na maior cara dura de seus “ídolos”. Basta escutar a terceira faixa do CD de estréia do quarteto para comprovar isso. “Take me Out” parece ter sido chupada de algum trabalho qualquer do Strokes. Desde a voz de Alex Kapranos passando pela sonoridade e riffs de guitarra, tudo remete àquela banda, considerada a salvação do rock quando lançou seu álbum de estréia, em 2001.
O mais engraçado é que a coisa toda funciona e o primeiro trabalho do quarteto demonstra que os caras realmente têm talento para a imitação. Se a originalidade passou foi longe, os integrantes da banda são inteligentes o suficiente para entregarem um álbum bem produzido, coeso e agradável de se ouvir. Pode não ser a revolução que pintam por aí, mas os rapazes se garantem em suas funções e apostam na diversão. Franz Ferdinand é dançante e cheio de potenciais hits para animar uma bela noitada regada a cervejas e música boa. São doze faixas que fazem pular, cantar e até esquecer que a banda não passa de uma colagem de outras tantas que também apostaram nessa mesma tática da “imitação”. Por um momento, o som do Franz Ferdinand parece ser até criativo.
Os destaque do CD homônimo são as faixas “The Dark of The Matineé”, a citada “Take me Out”, que, depois de um começo strokiano, aposta na sonoridade mais rasgada do Raptures, e “Auf Acshe”, a melhor faixa do álbum e com uma letra que mais parece cola Superbonder de tão grudenta (“You see her, you can't touch her/ You hear her, you can't hold her/ You want her, you can't have her/ You want, she won't let you”). Outras músicas que dão conta do recado são “This Fire” e “Cheating on You”. O resto é mais do mesmo, mas ainda assim feito com competência.
No final das contas, e da rápida audição do CD, com pouco mais de 40 minutos (como manda a regra do hype), chega-se a conclusão de que, hoje em dia, realmente nada se cria, tudo se copia. É cada vez mais raro ouvir algo que não remeta a um som do passado. A bola da vez é fazer pastiche do pastiche. Mas tudo bem, em plenos anos 2000, ser original não tá com nada. Pelo menos é o que diz a cartilha do "novo rock".
|