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2 a 23 de outubro de 2004

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TESÃO NA TELA
“Equalize”, último videoclipe da cantora Pitty, personifica sensações femininas
por Nara Jardim ( nara_baiana@hotmail.com )

O que uma garota apaixonada faz quando está sozinha no aconchego do seu lar? O videoclipe de “Equalize” poderia ser definido assim, mas é muito mais que isso. Casando ângulos e fotografia simples com alguns efeitos, possui uma narrativa extremamente intimista e principalmente, feminina. Tanto quanto a música o é.

No blog presente em Pitty conta como foi a gravação, ou melhor, gestação do videoclipe. Relutou em aceitar o papel principal por ser uma música reveladora, quase uma confissão. A escolha da música em si para ser trabalhada foi uma decisão difícil. Contudo, “Equalize” é uma declaração de amor não só a uma pessoa, mas ao relacionamento e às sensações provocadas por ele. E essa temática é ilustrada em cada frame.

Aliás, “Equalize” é uma prova viva de que videoclipes simples e pessoais podem funcionar: além de estar sempre entre as paradas, está indicado a quatro categorias do VMB deste ano, entre elas Melhor Direção de Arte e Videoclipe do Ano.

Ambientado em um apartamento, com cenas lentas que se alternam com acelerações da música, mostra a Pitty mulher, menina, humana. Uma imagem completamente distante da que a cantora tem passado até agora. “Equalize”, tanto música quanto clipe, revelam a Priscila (nome verdadeiro da cantora); por trás da atitude de “roqueira feminista”, a garota que também pode se render à paixão. Que se permite brincar, voltar no tempo, relembrar, fantasiar. A decoração do apartamento, as flores que enfeitam seu cabelo, a luz que se insinua pela janela anunciando o final da tarde, a menina que brinca (filha de seu guitarrista, Peu, co-autor da música), a maçã que ela come (fazendo uma alusão à Eva), o ursinho que se banha com a espuma da banheira, o xixi displicente, a estante de livros, um cinzeiro que consome o cigarro: todos os elementos presentes no clipe combinam com a letra, uma viagem ao sentimento de Pitty.

Em outros trechos, a temática se inverte: ao acelerar as cenas, a música torna-se mais lenta, suave. A intenção do diretor era criar um choque quase alucinógeno das imagens com a poesia. Uma jornada na câmara que a própria Pitty desnuda em determinado momento. A fotografia difusa, que apenas alude sem mostrar de fato o que ela sente, é retrato das próprias manifestações de seus pensamentos: são borrados, confusos, porém intensos. É mais que masturbação, é um ato de amor-próprio. Em determinado momento, quando a cantora é tomada de tesão, a letra cita seu “manual de instruções”; numa revelação sutil de como as mulheres são complexas em seus sentimentos. Mesmo na intimidade do seu apartamento num final de tarde vazio.