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Sem idéias, o cinema americano recorre a autofagia criativa: prequel, sequências, spin-offs...
por
Renan Alves (
jasonkornblow@hotmail.com )

alvez as musas inspiradoras do mundo cinematográfico, receosas com a política de George Bush e a insegurança nos Estados Unidos, tenham resolvido abandonar o país (buscando refúgio provavelmente na América Latina). Hollywood está sem idéias e a prova disso é a enxurrada de remakes, prequels e seqüências que constituem a maior parte dos lançamentos atuais da indústria.
A estratégia abertamente assumida que está em voga entre as produtoras é revisitar temas com apelo garantido entre o público para evitar o risco de incorrer em mais um fracasso de bilheteria, algo que tem afligido muito os responsáveis do meio. A maioria dos investimentos, portanto, é feita em projetos nos quais o retorno, ao menos em princípio, é garantido.
Com isso, surgem refilmagens dispensáveis de clássicos como A Fantástica Fábrica de Chocolate , Madrugada dos Mortos , O Massacre da Serra Elétrica , A Vingança dos Nerds e A Pantera Cor-de-Rosa , que não apenas consomem volumosa e desnecessária verba, como, em certos casos, agridem a memória de seus originais.
As continuações também não cessam, com Doze Homens e Um Segredo , O Chamado 2 , O Diário de Bridget Jones 2 – A Idade da Razão , A Hora do Rush 3 , dentre muitas outras. Franquias como a do Homem-Aranha, X-Men, Blade e Highlander não tem qualquer previsão para terminar e até filmes como Cidade de Deus e Fahrenheit 9/11 prometem seqüências. Há, inclusive, casos de claro oportunismo como o de Indiana Jones 4 e Instinto Selvagem 2 , além dos spin-offs , como Elektra e Wolverine.
Os prequels, filmes que apresentam fatos anteriores a uma determinada história, ainda que exijam maior criatividade e habilidade para a costura de sua trama, são igualmente saídas estratégicas para se fazer apostas seguras. Nesse grupo estão O Exorcista - O Começo e Batman Begins , com previsão para lançamento no ano que vem.
Não que essas alternativas sejam de todo negativas, mas a rapidez com que se multiplicam e o papel que vêm desempenhando como norteadoras da produção hollywoodiana são questões preocupantes, sobretudo, porque elas abocanham, cada vez mais, o espaço nas salas de exibição dos filmes independentes e originais que ainda são produzidos.
Ao mesmo tempo em que o cinema latino-americano dá fortes sinais de vida (inteligente, o que é melhor), a indústria americana copia e parodia a si mesma, explorando de maneira leviana a sua história para se alimentar. Com sorte, talvez isso não passe de uma efêmera tendência, resultante da falta de rumo diante de um novo século pela frente. |