| AO VIVO E À CORES
Jota Quest inova na divulgação de música ao vivo no último videoclipe "Mais uma vez"
por
Nara Jardim (
nara_baiana@hotmail.com )

habitual de todo videoclipe de um CD ao vivo são os trechos do próprio show que o originou. O lançamento de “Mais Uma Vez”, do grupo Jota Quest, provou que criatividade aliada ao bom gosto pode promover uma nova música de trabalho ao vivo com a linguagem de videoclipe tradicional.
O clipe em si de “Mais Uma Vez” não é lá muito inovador: a tela é dividida ao meio por quase toda a narrativa, contando em cada quadro um pouco do cotidiano de um casal que vive separado pela geografia, mas não pelo sentimento. A técnica de segmentação faz referência ao título da música. Não podia ser diferente: a letra fala de espera e saudade.
O mocinho vive no Rio de Janeiro, a mocinha (e sua filha, para que o drama da saudade seja maior) vive em Londres. O clipe retrata um dia comum, com sua rotina particular, entrecortado com as várias lembranças que eles têm de quando estavam juntos e como elas alimentam a esperança do reencontro. Também visitamos pontos turísticos de ambas as cidades, num casamento perfeito com a narrativa, acentuando ainda mais a distância que os aparta. As cenas da despedida do casal, em um carro estacionado na praia, por exemplo, revelam o Cristo Redentor ao fundo. Mostram a ótica de cada um deles diante do inevitável, enquanto a letra ressalta o quanto dividiram e construíram aquele relacionamento.
Os flashbacks são usados não só para contar os acontecimentos mas para acentuar o quanto aquelas memórias são importantes para os dois. A cena sensual coincide com o ápice do refrão da música. Porém, mesmo sendo de um ritmo mais intenso, marcado pelo efeito de corte das imagens como se fossem fotos, a luz mais baixa e o ângulo fixo da câmera mostram a concepção da filha do casal de uma forma muito delicada. Principalmente na cena final, onde a família se reúne novamente para assistir ao pôr-do-sol na mesma praia onde se despediram.
O clipe usa ainda de outro recurso antiquado, porém sutil: a presença da banda como figuração. Rogério Flausino e seus companheiros aparecem nas cenas de Londres. Cruzam com a mocinha na rua, freqüentam o mesmo café e pegam o mesmo ônibus. É uma singela demonstração de que histórias como aquela são mais comuns do que se imagina, e podem também estar presentes até na vida dos próprios músicos. Comuns, sim. Mas inesquecíveis. |