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Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
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5 a 19 de dezembro 2004

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NUVEM PASSAGEIRA
Como explicar o fenômeno dos artistas de um sucesso só?
por Marcelo Xavier ( marcelo@rabisco.com.br )

filme The Wonders — O Sonho não Acabou (That Thing You Do!, 1997) conta trajetória de um grupo musical que, da noite para o dia, começa a fazer sucesso nos Estados Unidos dos anos 60 com a canção que dá nome à película. A banda de rock toca o tempo todo seu único sucesso. No fim, o conjunto termina, e entra para a história no estereótipo do artista de uma música só. Assim como na fita, a indústria fonográfica cuidou de formar uma legião de artistas que se tornaram notórios tanto pela sua capacidade de estourar nas paradas quanto pela de sumir delas, mas permanecerem eternamente na memória musical dos ouvintes nas listas das emissoras de rádio dos chamados “vitrolões”(aquelas que tocam música 24 horas por dia). Os exemplos são muitos e se perdem no tempo. Alguns musicólogos explicam que esse fenômeno se consolidou com o advento do compacto-simples e da massificação da música “estandartizada”, aquela feita para listas nas paradas de sucesso.

O próprio filme The Wonders mostra perfeitamente como esse processo funciona. Um artista é escalado e inserido nas paradas através da compra de espaço nas rádios e pela venda antecipada de discos — uma prática ancestral e que jamais se extinguirá. Contudo, fenômeno do “artista de um sucesso só” não pode ser restrito à era da fonografia. Pietro Mascagni, compositor clássico, morreu com essa maldição. Mesmo tendo composto dezenas de óperas, morreu conhecido como o autor de Cavalleria Rusticana . De tão bela, a sua maior obra o esmagou como compositor, estigmatizando o autor italiano à criação daquela única peça, que até hoje é executada em todas as partes do planeta. Este é outro elemento peculiar: o artista fica à sombra de sua obra. Mesmo que tente, ele não consegue se livrar dela, e a sua carreira pode afundar para sempre. Já a sua criação/interpretação atinge um grau de nortoriedade que transcende a própria lógica da estandartização da indústria, o sobreviver na memória afetiva dos ouvintes. Ou seja, os elementos fundamentais desse tipo de música reside no paradoxo de sua natureza efêmera e, ao mesmo tempo, eterna.

Hoje, este fenômeno dos “efêmeros e eternos” adquiriu formas cada vez mais sutis e sofisticadas de se manifestar. De várias formas, esses artistas são projetados na mídia como “balões de ensaio” e, por diversos motivos, acabam durando semanas, meses, e só. Porém, por fatores inerentes a qualquer explicação, muitas de suas canções acabam entrando fundo na consciência do ouvinte que terminam resistindo ao tempo. As vezes, esse mesmo artista chega a fazer sucesso com três ou quatro temas, mas apenas um se torna involuntariamente um sucesso eterno, tanto nos “vitrolões” da vida quanto no inconsciente coletivo. Tais canções se notabilizam justamente por isso, e transcendem inclusive o gosto particular de cada um. Contudo, se o processo de massificação da chamada “música ligeira” é explicável, o que se pode dizer de canções que atravessam décadas a fio com a unanimidade do público e sob o signo da perenidade?

Um grande exemplo é “Aline”, de Christophe. Ele é um cantor francês egresso do teatro, e estourou nas paradas com esta canção, em 1965. No Brasil, ela se disseminou mais ou menos por conta daquela vertente da Jovem Guarda que se inspirava mais em artistas europeus — principalmente italianos, como Peppino de Capri e Gianni Morandi — do que na chamada explosão das bandas inglesas. Com uma melodia simples e uma interpretação brilhante, ela conquistou mentes e corações em todo o mundo. Mesmo após passados quarenta anos de seu lançamento, ela sobrevive sem nenhum componente promocional: não há ser humano que não conheça pelo menos o seu refrão:

Et j'ai crié, crié,
Aline, pour qu'elle revienne
Et j'ai pleuré, pleuré,
Oh! j'avais trop de peine

Seu tema era tão influente que acabou sendo fonte de inspiração para Raul Seixas declarar que a inspiração dele para “Maluco Beleza” foi, justamente, “Aline”. Mesmo que Christophe pareça mais um “cantor de uma canção só”, sua carreira musical vai mais além. Antes que alguém se pergunte que fim levou ele, Christophe está vivinho da silva e tem inclusive um site oficial: http://christophe-lesite.artistes.universalmusic.fr/.

Eternos Efêmeros

Outro exemplo clássico do pop dos anos 60 foi a bisonha “Dominique”. É aquela que ganhou pelo menos duas versões brasileiras: “Dominique-nique-nique/Sempre alegre/esperando alguém/ Que possa amar”. “Dominique” é uma espécie de toada cantada por um grupo de freirinhas “profanas” que puxam o refrão ao som de violões e contrabaixo. A sua intérprete era a belga Soeur Sourire (também conhecida como Sister Smile ou The Singing Nun). Na verdade, Sourire se chamava Jeanine Decker e o seu nome no convento era irmã Luc-Gabrielle. Em 1966 um filme foi feito baseado na sua vida, com o nome The Singing Nun , com Debbie Reynolds no papel principal. Sourire morreu totalmente esquecida, em 1985, ao contrário de seu único clássico.

Da década de 60 os exemplos são muitos. Do pop internacional, temos exemplos de efêmeros como a bela “Il Mondo” com Jimmy Fontana (1965) ou “House of the Rising Sun”, com The Animals (1964). Banda inglesa que gravou apenas um disco, a experiência dos Animals durou um ano. Após isso, o grupo passou por várias formações — a primeira após a saída do tecladista Alan Price, que deixou o conjunto depois de receber o primeiro salário. Talvez seja o exemplo mais próximo dos The Wonders. Há também “Bus Stop”, com The Hollies, outra banda inglesa, que durou duas décadas mas é conhecida mais por esta canção, que foi gravada na época pelos Golden Boys, com o título de “Pensando Nela”, no auge da Jovem Guarda; “Black is Black”, com Los Bravos (1967); e “Herman's Hermits”, com There's a Kind Of Hush (1967), conjunto inglês que chegou a tocar no Brasil, mas, a despeito de uma regular carreira no disco, no máximo estourou com apenas mais outra pérola (pelo menos, no Brasil), “No Milk Today”, do mesmo ano.

Curiosa também é a trajetória de um grupo inglês chamado The Paramounts, que estourou nas paradas no começo dos 60 com “Little Bitty Pretty One” para cair no esquecimento, se dissolver, e voltar com outro nome: Procol Harum. Com esse outro nome, eles conseguiram a façanha de ser a banda de uma música só duas vezes. Nessa nova formação, eles marcaram época com a bela e triste “A Whiter Shade Of Pale”. É um caso único de banda de rock que muda de nome mas continua sob o estigma de “um sucesso só”.

Da Jovem Guarda, os exemplos dos “eternos e efêmeros” são muitos. Podemos citar a tenebrosa “Garota Papo Firme”, com Valdirene. “Coração de Papel”, com Sérgio Reis, que entrou no movimento para o fim de festa, limitando-se a esta singela balada, que ele canta até hoje, embora tenha se tornado famoso como cantor sertanejo (como ocorreu da mesma maneira com outro eterno e efêmero, Eduardo Araújo, de “O Bom”). Deny e Dino, com “Coruja” e “O Ciúme”, Os Baobás, banda psicodélica paulistana (e indie temporã) que lançou um disco cuja capa era inspirada da capa do Rubber Soul , dos Beatles. Em 1966, eles chegaram às paradas com “Felizes Juntinhos”, versão para “Happy Together”, dos Turtles (que são outra banda inglesa de um sucesso só). Martinha, que até hoje vive de “Eu te Amo Mesmo Assim” e “Eu Daria a Minha Vida”(que ganhou registro magistral na voz de Roberto Carlos).

“Sugar, Sugar”

Daquele tempo de contestação e inocência, é impossível falar em “artista de uma música só” sem lembrar de Scott McKenzie, que fez o tema da geração flower-power “San Francisco (Be Sure to Wear Some Flowers in Your Hair)” para desaparecer para sempre. Ou então “Silence Is Golden”, a pièce de resistance do grupo The Tremeloes, que havia se livrado do histriônico Brian Pole (outro de um sucesso só, com “Do You Love Me”, dos tempos em que era crooner deles). Já na contramão do “fenômeno The Wonders”, é digno de registro o caso dos antológicos The Yardbirds, que viviam felizes juntinhos tocando blues no underground londrino até que a maioria da banda resolveu gravar virar “hype” e gravar um “sucessão”. Foi o suficiente para que o guitarrista deles, Eric Clapton, desembarcasse na primeira estação. Não queria ser lembrado como o artista de uma canção apenas. Enquanto os remanescentes dos Yardbirds estouraram com “For Your Love” para afundarem na roda-viva do sucesso, Clapton viraria lenda nos muros de Londres como o Slowhand . Fez bem.

Da época hippie, além de Scott McKenzie, temos a lisérgica “Time Of The Season”, com The Zombies. Outro hino riponga, depois avacalhado por Kurt Cobain em “Territorial Pissings”, “Get Together”, com os Youngbloods. Outra impagável: “Yellow River”, com Christie (que, no Brasil, era cantada assim: “e ela é horrível, e ela é horrível, espanta a mãe, espanta o pai”). Outra: a eterna trilha sonora do filme Midnight Cowboy , “Everybody's Talkin'”, composta e interpretada por Nilsson, que desapareceu no tempo. Exemplar também é o caso de Hurricane Smith. Depois de anos como engenheiro de som dos estúdios da EMI em Abbey Road (trabalhou com os Beatles e Gerry & The Pacemakers), resolveu lançar o single “Don't Let It Die”, sucesso esmagador em 1973, chegando ao primeiro lugar nas paradas. Porém, tanto sucesso não foi suficiente para que ele deixasse tudo morrer para sumir no mesmo anonimato de onde veio.

O conjunto inspirado no desenho animado norte-americano The Archies pode ser considerado o maior one hit band de todos os tempos. O conjunto musical, na verdade, nunca existiu. Os Archies eram trilha sonora de um desenho muito popular nos anos 70. Lançada em 1969, “Sugar, Sugar” é cantada desde então pelo quatro cantos do globo e o seu refrão é tão grudento quanto o de “Dominique” (aliás, refrão grudento é uma característica inerente aos “eternos e efêmeros”). “Sugar/Oh, honey, honey/You are my kind of girl/ And you got me wanting you”. Em menor grau, existem outras “babas” do pop grudento dos anos 60 e 70, como a tocante “To Sir, With Love”, eterno e efêmero sucesso de Lulu (do filme “Ao Mestre com Carinho”, de 1967). “Those Were The Days” com Mary Hopkin, de1969 (a melodia do refrão é aquela em que o Sílvio santos chamava os calouros do programa: “a Sônia Lima lá, lá-lá-lá-lá-lá-lá). Outra básica: “Marie Jolie”, com o Aphrodite's Child (1971), “Venus”, com Schoking Blue, ou “American Pie”, com Dom McLean, uma espécie de nostalgia dos tempos dos inocentes anos 50 — que também tinham os seus eternos e efêmeros.

“Feelings”

O Brasil dos anos 70 não deixou de lançar os seus “efêmeros”: existe o caso mítico de um certo Maurício Alberto, que se tornaria um dos mais expressivos nomes da música romântica brasileira com o pseudônimo de Morris Albert, porém cantando em Inglês, com a conhecida “Feelings” e “She's My Girl” (essa menos conhecida), e só. A música virou tema da novela Corrida do Ouro (1975) , da Rede Globo (a partir de então, trilhas de novela seriam plataformas de lançamento de novos artistas), passeou pelas três américas, ganhou a Europa e, oito meses depois, desembarcou nos Estados Unidos, transformando Morris no maior produto de exportação brasileiro depois do Pau Brasil. “Feelings” chegaria a marca de 160 milhões de cópias. Frank Sinatra gravou “ Feelings ”, depois Johnny Mathis, Andy Williams, Dionne Warwick e as orquestras de Paul Mauriat, Ray Conniff e Caetano Veloso, mais recentemente. Foi o bastante para que Albert, cantor quase inédito se comparado com as centenas de versões de sua canção, reaparecesse este ano para lançar uma coletânea em CD. Ao ser perguntado por um repórter sobre qual seria o seu segredo do sucesso (sic), Morris foi categórico:

— Pô, se eu soubesse qual é o segredo, nós estaríamos aqui discutindo a respeito só de “Feelings”?

Já por esse tempo, em nossa língua-mãe podemos citar muitos outros “efêmeros”: “BR-3”, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, com Tony Tornado (do Festival Internacional da Canção, de 1970), o brega “Sorria, Sorria”, com Evaldo Braga (1973), “Bilú Tetéia”, com Mauro Celso (1973), a soporífera “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” (Casinha de Sapê), com Hyldon, o pagode temporão “Pôxa”, com Gílson de Souza, a inesquecível egotrip “Sonhos”, de Peninha, ou a terrível de tão machista “Os Homens Não Devem Chorar”, de Barros de Alencar. Dos anos 70, o caso mais notável foi o de Hermes Aquino, músico gaúcho egresso da obscura banda de rock Liverpool, virou sucesso nacional em 1979 por ser trilha sonora da antológica novela O Casarão (1979), com “Nuvem Passageira”: “Eu sou nuvem passageira/Que com o vento, se vai/ Eu sou como um cristal bonito/Que se quebra quando cai”. Foi tanto sucesso que foi citada em “Eu Também Vou Reclamar”, de Raul Seixas. Aquino lançou um disco, mas, depois de brigar com executivos de uma gravadora, acabou voltando para o Sul, para então virar produtor de jingles — o que faz até hoje — e é nacionalmente conhecido como “o autor de ‘Nuvem Passageira'”.

Anos 80

Os anos 80 também não deixaram de conhecer os seus eternos e efêmeros. O problema é que a qualidade musical foi arrefecendo em termos de talento. Ou não. Exemplos não faltam e perfazem todos os gêneros. O rock nacional foi pródigo: produziu Gang 90 & os Absurdetes, com “Perdidos na Selva” (1982). “Eu Sou Boy”, do Magazine (idem), “Barrados no Baile”, com Eduardo Dusek, “Ursinho Blau-Blau”, com Absyntho (ibidem), “Menina Veneno”, com Ritchie (1983), “Hoje eu Vou me Dar Bem”, com Piu Piu de Marapendi (idem), “Beat Acelerado”, com Metrô, “Eu Sou Free”, com Sempre Livre (1984), “Amante Profissional”, com Herva Doce (idem) e a inexpugnável “Noite do Prazer”, com o Brylho, do sobrevivente Cláudio Zoli. Do pop-brega, tivemos “Muito Estranho” (1982), de Dalto, que é o legítimo compositor de um sucesso só. Sem falar de Donizetti, com “Galopeira” (idem) e a melhor de todas, “Fuscão Preto”(ibidem), com Almir Rogério.

Foi nessa década pré-MTV, quando o jabá não era algo endêmico e plenamente instituído na cultura brasileira e no mercado e a maioria dos artistas não tinha visibilidade muito além das trilhas de novela e programas de tevê como o Cassino do Chacrinha, que se pode dizer que houve o maior “boom” de apostas em artistas que morriam no primeiro compacto. Além das canções citadas, quem não se lembra de “Demais”, com Verônica Sabino, “Kátia Flávia” com Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, ou as internacionais “I Like Chopin” com Gazebo, “Eyes Without A Face”, com Billy Idol, “Vamos a La Playa”, com Righeira, “Reggae Nights”, com Jimmy Cliff (que voltaria anos depois com “Black Roses”, outra efêmera), “Eternal Flame”, com Bangles; ou já no começo dos 90, “Wicked Game”, com Chris Isaak (cite outra dele!), “Rush Rush”, com Paula Abdul, “Rhythm Is A Dancer”, com Snap!, “What's Up”, com 4 Non Blondes, ou “The Sign”, com Ace Of Base, entre muitos e muitos outros que ficaram no primeiro sucesso.

No período pós-MTV, com as novas tecnologias, como o CD, canais de cabo e Internet, é possível superar sem muito esforço esse trauma do único sucesso. Hoje um artista já ganha um repertório de “smash hits” prontos para estourar nas paradas das emissoras de rádio e canais de tevê que, por sua vez, podem prolongar a carreira de qualquer um. Aliás, muitas gravadoras têm conseguido o milagre de fazer esse pessoal esquecido nas paradas do passado renascer das cinzas com um bom banho de marketing ou um acústico na tevê. Afinal, não e à toa que Cláudio Zoli reapareceu na MTV cantando “Noite do Prazer”. Caso peculiar, Zoli foi talvez o maior sobrevivente dos “eternos efêmeros”. Não há programa de rádio ou festinha de embalo que este não seja lembrada (algo parecido com Collin Hay cantando “Down Under” vinte anos depois do Men At Work, mas essa é uma outra história...).

Em contrapartida, muito do que tem sido lançado nas lojas parece ter decaído em termos de qualidade e validade. A vantagem é que hoje se pode sustentar uma carreira com mais facilidade, por pior que seja a música. Mas ao contrário de clássicos esparsos, como “Aline” ou “Sugar, Sugar”, é difícil imaginar qual será o destino do que é produzido atualmente. Senão, poderíamos apenas citar as recentes “Xibom Bombom”, com As Meninas, a “Dança da Motinha”, com MC Beth, “Ragatanga”, com Rouge, “Cerol na Mão”, com Bonde do Tigrão, e “Éguinha Pocotó”, com MC Serginho — que soam mais defuntas que “Rock Around The Clock” e parecem ter sido lançadas há séculos atrás, já que a parada de sucessos e a roda da fortuna parecem cada vez mais irmanadas. Chama a atenção que, agora, não são os cantores, mas sim as músicas, que têm um prazo de validade cada vez menor.

E para quem não suporta a “Ragatanga” e acha que antigamente as músicas eram mais agradáveis, tente ouvir Soeur Sourire cantando “Dominique” e tente não sair do sério ou ficar uma semana cantarolando o tema. Claro que isso não significa dizer que intérpretes “efêmeros” sejam sinônimos de ruins. Até porque, em última análise, bons ou ruins, eles detém um elemento incorruptível que é significar o registro sonoro de uma geração. O que importa aqui é observar que, independente de qualidade, muitas dessas canções eternas e efêmeras são até dignas de antologia.