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12 a 22 de janeiro de 2005

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FANTÁSTICOS SUBURBANOS
Os Incríveis , a menos Disney animação Disney, consegue uma dupla proeza: ser divertida e sofisticada
por Igor Mathues ( imathpm@yahoo.com.br )

s Incríveis , talvez o desenho menos Disney que a Disney já fez, não deixa nenhuma dúvida quanto ao seu público-alvo: todos. Sua estrutura está fragmentada em trechos distinguíveis entre o barulhento demais para um adulto e o reflexivo demais para uma criança. Intenso e rico em analogias – principalmente para os usuários vitalícios do kit prático “estética do onze de setembro” –, a produção vem a somar na nova safra de animações não-musicais, produções que se afastam do Broadway way para flertar com a linguagem e movimentação de atuações reais.

O ponto explorado no filme é o da velha contradição sociológica entre o elogio da moderação e o sucesso perante a potencialidade explorada. Obrigados judicialmente a se enquadrar nas arestas suburbanas e pequeno-burguesas, a família Incrível, chefiada por um casal de ex-combatentes do crime mascarados, sobrevive intocada em sua tranqüilidade social, mas paga o preço que a mediocridade exige por ser cultivada: a identidade ceifada.

Como comédia, a fita aspira a níveis um pouco mais altos de interação com o público. Todos os personagens são humanos, e a comicidade não brota tanto de caretas e escorregões, mas do exagero de estereótipos, do ainda inusitado fato de um desenho fazer sátira social, e da típica dublagem abrasileirada, excelente, e responsável pela maior parte do teor cômico das situações.

O drama da família de super-heróis resolve-se bem. Os arroubos de moralismo e sentimentalismo, que sobram no padrão Disney, servem de suporte para mais piadas. Mas a obra soa mais como um discurso a favor da superação do que como uma película de sarcasmo gratuito. Resolvidos a renunciar à proscrição para combater o vilão Síndrome – um megalomaníaco ex-fã ressentido do patriarca Bob –, os pais, que outrora travavam em conflito sobre o exercício dos dotes das crianças, são vencidas pela necessidade de elevar a sobrevivência como intento máximo de um talento. Também os heróis têm conflitos existenciais.

O motivo que os encerrou no ostracismo suburbano é que não fica tão transparente, mas isso pouco importa. Assim como não importará às crianças, força propulsora da bilheteria da fita, os diálogos calcados em conflitos de gabinete e ética aqui ou ali. Mesmo que modelos sociais assomem específicos para o deleite adulto, serão sempre brinquedos potenciais o que os pequenos verão na película, férvida de diversão.