2

Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

12 a 22 de janeiro de 2005

Equipe Edições Anteriores

NASCE UMA DIVA
Joss Stone canta seu namoro e estoura as paradas com o clipe “You Had Me”
por Nara Jardim ( nara_baiana@hotmail.com )

im de relacionamento ou início de uma nova liberdade? “You Had Me”, mais novo videoclipe da cantora inglesa Joss Stone, soma música contagiante, letra densa e trama romântica para narrar as duas faces de um rompimento. Sob o efeito de um flashback, Joss escreve a letra da canção numa carta de despedida, intercalada com imagens do comportamento boêmio do namorado, justificando sua partida. Os cortes não apenas são perfeitamente casados com as batidas da música, enaltecendo assim o ritmo soul e a mensagem, mas também servem como elemento narrativo para os pensamentos e decisões que acometem a loirinha. “You Had Me” conta o mal que ele fazia a ela e como ela se livra dele. Contudo, o clipe extrapola os limites da música e mostra um outro lado, o vácuo criado em sua vida com o término do relacionamento. Por mais que ela saiba que está agindo certo (retomando sua vida, como diz um dos refrões), ainda se sente perdida.

Ao arrumar poucas de suas coisas e se desencontrar com o namorado no hall do andar, o clipe retrata os famosos momentos de recaída; Joss desce pela escada para não encontrá-lo, sabendo que ele subiria pelo elevador. Ela o evita, com medo de talvez não ser capaz de abandoná-lo, mesmo tendo certeza da sua decisão. Ele, sob a égide do clichê de só dar valor a algo quando o perde, a procura pelo apartamento, mesmo depois de ter passado a noite com outras mulheres. E mulheres completamente diferentes da namorada, reforçando a idéia de que o relacionamento vai de mal a pior.

A sensação de perda fica ainda mais latente na expressão do namorado a cada linha que ele lê da carta e como anoitece na janela do apartamento. Essas imagens são intercaladas com uma caminhada da cantora pela cidade e dentro do metrô, nitidamente a esmo. Ele, por mais que não desse valor a namorada, sente sua falta. E ela, por mais que se sentisse ultrajada quando ele abusava de sua ingenuidade e lhe roubava dinheiro, ainda não sabe o que fazer com a liberdade recém conquistada.

Neste instante da música e do videoclipe, ela telefona para uma amiga, enquanto o segundo refrão é introduzido. Ela percebe que as amigas podem ajudar a encontrar um rumo, já que ao lado dele ela estava mais perdida do que agora. No começo do segundo refrão, torna-se mais nítida a Joss Stone artista, não a personagem; ela troca de roupa e, num terraço, sob vários closes e ângulos aéreos, canta que recuperou sua vida. A fotografia nessa parte fica ainda mais clara, já que ela se apresenta durante o nascer do sol. Nascer e renascer dela, que fica evidente com a combinação perfeita entre enquadramento e letra da música. O diretor abusa da beleza da cantora (de apenas 17 anos, mas de voz já comparada a Janis Joplin e Aretha Franklin) em closes sedutores e cabelos esvoaçantes. E seu olhar de mulher fatal, misturado à potência de sua voz, acrescentam um ar melancólico e sexy à narrativa. Dá um sabor especial ao telespectador, que não se satisfaz com as imagens, mas escuta a música com a mesma paixão, seduzido pela mais nova diva do soul e das paradas de sucesso.