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29 de janeiro a 19 de fevereiro de 2005

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UNIÃO ACERTADA
Show de Ney Matogrosso e Pedro Luis e a Parede em Recife mostra o ápice de um monstro e a afirmação de uma realidade na música
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

o último dia 15, a cidade de Recife (PE) recebeu com muita alegria e festa o show da recente união entre o histórico cantor Ney Matogrosso e o quinteto carioca Pedro Luis e a Parede (PLAP) para a prévia do bloco carnavalesco Guaiamum-Treloso. O evento contou com outras atrações locais como Escola de Percussão Usina, Erasto Vasconcelos e Mônica Feijó. Todos os anos o bloco do Guaiamum realiza a prévia carnavalesca com um festival musical e inicia sua comemoração. Ou seja, desta data em diante é carnaval todos os finais de semana, até o feriado propriamente dito.

Ney Matogrosso e Pedro Luis e a Parede se reuniram em 2003 para a gravação e a exibição nos palcos brasileiros – e até internacionais, com apresentações em Portugal – do CD Vagabundo , lançado em 2004 e considerado o melhor disco do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). O trabalho perpassou por diversos compositores desconhecidos, bem como os consagrados Martinho da Vila, em “Disritmia”, Jackson do Pandeiro, com “A ordem é samba”, além de “Assim assado”, da época em que Ney Matogrosso liderava os vocais da banda Secos & Molhados, lá pelos anos 70.

Espera amarga

As apresentações de abertura foram de amargar. Às 19h, a Escola Usina encerrou sua aula de batucada e disposição, que havia levantado o público que começava a chegar na Fábrica Tacaruna – o show foi a céu aberto. A atração seguinte foi Erasto Vasconcelos, um senhor de idade que cantava músicas que não caíram muito no gosto da platéia, que queria mesmo era ver Ney Matogrosso e a PLAP. Os hiatos entre os concertos era desanimador: passava-se quase uma hora entre uma apresentação e outra. Enquanto isso, a música rolava alto nas caixas de som. Passaram por lá desde Jorge Ben Jor, Seu Jorge, Funk Como Le Gusta, pagode, drum n' bass, axé, até forró e outros ritmos locais e, é claro, Chico Science e Nação Zumbi, cujo impacto no público só foi superado pelo último show da noite.

Mônica Feijó mal dá para comentar sem ser muito duro. Uma mulher que queria somente dançar e incitava o povo a cantar como se todos estivessem empolgados com a musiqueta dela. Uma mulher que canta um samba cuja letra reafirma que o Brasil é terra do samba, futebol e mulher não merece maiores considerações. A não ser os rumores que corriam na platéia de que ela era a dona da voz do alto-falante do aeroporto dos Guararapes, no Recife.

Energia no palco

Já eram 23h quando nove músicos entraram no palco e foram aplaudidos pela massa que lotava o local. Era Ney Matogrosso e sua trupe: Ricardo Silveira (guitarra), Pedro Jóia (violão e alaúde árabe), Glauco Cerejo (sopros). Acompanhados da Parede sonora composta por Mario Moura (baixo e percussão), Sidon Silva (percussão), C.A. Ferrari (percussão) e Celso Alvim (percussão), além de Pedro Luis (vocais, violão e guitarras).

Qualquer apresentação de Ney Matogrosso é um show à parte. Sua performance é única e de uma energia enorme, principalmente quando falamos de uma pessoa com 63 anos de idade. Sua calça colada e roupa extravagante, já características, vieram adornadas por um véu que lhe cobria a cabeça e descia pela nuca. Mas a PLAP não ficou atrás. Com suas brincadeiras de vir na frente do palco e enfileirar-se com todos a tocar os instrumentos contagiou os músicos mais experientes, convidados por Ney para complementar o CD e a turnê.

O repertório de Vagabundo foi tocado quase todo, a excluir-se apenas “Finalmente”, deixada de lado para a inserção de músicas da carreira solo de Ney, como “Balada do Louco”, um de seus hits . O ponto alto do show foi quando a megabanda tocou “Jesus”, do CD, em que uma energia positiva era transmitida do palco para o público, assim como em “Napoleão”, velho sucesso do ex-integrante dos Secos e Molhados. Canções políticas como “O Mundo” foram destaques interessantes do show. A mistura de instrumentos árabes, de sopro e de corda, com a percussão improvisada de A Parede trouxe uma gama de sons diversos e dançantes para a platéia, que festejou, cantou e pulou muito.

Pedro Luis não continha a felicidade de estar ali. “Muito obrigado a todos por terem vindo, fazia quatro anos que não tocávamos em Recife. É uma alegria imensa estar aqui”, dizia extasiado o vocalista, que dividiu o microfone com Ney em algumas ocasiões. Mas, tudo que é bom acaba e deixa saudade. Eram mais de meia-noite quando o show se encerrou, após um bis revigorante, que deixou o público feliz, apesar do cansaço de todos por ter ficado em pé por quase 6 horas.